quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Mostra Cine MPB - (SP)


Música na telona eu acho o máximo e é bem por isso que aviso aqui que começa hoje em São Paulo o Mostra Cine MPB, que vai fazer uma retrospectiva em documentário de vida e obra de artistas brasileiros.
São 17 filmes (do punk aos Novos Baianos) premiados em festivais do país em cartaz a partir de hoje, estendendo-se até dia 15/1, pela bagatela de $ 4.
A programação completa é essa:
4/1
16h30: O milagre de Santa Luzia.
18h30: Samba Riachão.
20h30: Paulinho da Viola – Meu tempo é hoje.
5/1
16h30: Daquele instante em diante. Sessão gratuita.
18h30: Elza.
20h30: Simonal – Ninguém sabe o duro que dei .
6/1
15h: Jards Macalé – Um morcego na porta principal.
16h30: Gretchen – Filmes.
18h30: Filhos de João – O admirável mundo baiano.
20h30: Fabricando Tom Zé.
7/1
15h: Jards Macalé – Um morcego na porta principal.
16h30: Titãs, A vida até parece uma festa.
18h30: Botinada! A origem do punk no Brasil.
20h30: Loki – Arnaldo Baptista.
8/1
15h: Fala Tu.
17h: Paulinho da Viola – Meu tempo é hoje.
19h: Vinicius.
11/1
16h30: Fala Tu.
18h30: O milagre de Santa Luzia.
20h30: Cartola.
12/1
15h: Vinicius.
17h: Simonal – Ninguém sabe o duro que dei.
19h: Debate com os críticos Pedro Alexandre Sanches e José Flávio Júnior com mediação de Francisco Cesar Filho (curador da mostra).
20h30: Botinada! A origem do punk no Brasil.
13/1
15h: Elza.
16h40: Gretchen – Filme estrada.
18h30: Titãs, a vida até parece uma festa.
20h30: Rock Brasília – Era de ouro.
14/1
15h: Filhos de João – O admirável mundo novo baiano.
16h30: Daquele instante em diante. Sessão gratuita.
18h30: Samba Riachão.
20h30: Fabricando Tom Zé.
15/1
15h: Cartola.
16h30: Rock Brasília – Era de ouro.
18h30: Loki – Arnaldo Baptista.

Serviço:
Mostra Cine MPB no CCBB SP
Rua Álvares Penteado, 112. Sé
a $ 4 e $ 2 (meia entrada) de 4 a 15/1.

15ª Mostra de Cinema de Tiradentes - (MG)

Evento realiza oficinas gratuitas, cujas inscrições poderão ser feitas até o dia 6 de janeiro
Estão abertas, até 6 de janeiro, as inscrições para as oficinas de cultura que serão oferecidas gratuitamente durante a 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes, a se realizar entre 20 e 28 do mesmo mês, na cidade mineira. Ao todo, são 12 oficinas destinadas ao público adulto e infanto-juvenil, com 310 vagas disponíveis.
Nesta edição da Mostra Tiradentes, as oficinas contemplam todas as etapas da construção de um filme - da formatação de projetos audiovisuais até a realização de um curta, passando pela produção executiva, direção de fotografia, assistência de direção e direção da obra.
Os interessados devem preencher a ficha de inscrição disponível no site do evento e enviar um breve currículo para análise. Cada pessoa pode concorrer a apenas uma vaga, na oficina que escolher.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: (31) 3282-2366.

CCBH oferece sessões gratuitas de cinema em janeiro - (MG)

Em janeiro, o Centro de Cultura Belo Horizonte dá continuidade aos projetos Cinema de Bolso e CINE CCBH, exibindo obras que mostram um pouco da versatilidade e qualidade do cinema brasileiro.
O Cinema de Bolso oferece sessões de filmes nacionais em curta-metragem no intervalo do almoço, todas às quartas-feiras, às 12h30min, no Auditório do CCBH. Este mês, as obras apresentam um rico painel da diversidade urbana no Brasil contemporâneo.
Já o CINE CCBH, exibe longas nacionais sobre temas que variam mensalmente. Em janeiro, o projeto homenageia algumas das grandes atrizes brasileiras. Composta por filmes das décadas de 70, 80 e 90, a Mostra Grandes Atrizes Brasileiras apresenta, de 23 a 27 de janeiro, obras que têm em seu elenco nomes como Fernanda Montenegro, Iara Jamra, Fernanda Torres, Lucélia Santos, Norma Bengel, Giulia Gam, Zezé Motta, entre outras.
Confira a programação:
Cinema de Bolso
DIA 4 – quarta-feira – 12h30min
- Lurdinha, a vendedora de ilusões, de Cesar Cavalcanti
SC, 2007, Doc, Cor, 26 min.
Ilha de Santa Catarina, Florianópolis. Lurdinha, uma mulher de aproximadamente 40 anos, vestida elegantemente, vende bilhetes de loteria no centro da cidade. Uma abordagem poética conduzida pelos relatos do cotidiano de Bernardo Soares, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, sobre a importância de personagens que poderiam ficar no anonimato, mas que se tornam um elo entre a vida privada e coletiva da população urbana.
Dia 11 – quarta-feira – 12h30min
- Porr gentileza, de Dado Amaral
RJ, 2002, Doc, Cor, 14 min.
O filme documenta a experiência do diretor que incorpora seu personagem, o Profeta Gentileza, e sai à rua para interagir com as pessoas. Marcante personagem da cidade do Rio de Janeiro, o Profeta Gentileza atuava no “lado B” da cidade, pregando que “Gentileza gera gentileza”.
- Na corda bamba, de Marcos Buccini
PE, 2006, Ani, Cor, 05 min.
Uma pequena fábula sobre a frieza da vida moderna e a tentativa de manter a alegria.
Dia 18 – quarta-feira – 12h30min
- Paola, de Eduardo Chaves
PB, 2004, Doc, Cor, 18 min.
José Bento dos Santos é um jovem que vive num povoado rural de 1.800 habitantes, com um dos piores Indicadores de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. Lá é conhecido como Paola. Nas palavras da agricultora Sonia, sua vizinha, o que Paola tem de diferente dos outros habitantes da cidade é que “ele só conversa coisa de mulher”.
Dia 25 – quarta-feira – 12h30min
- A lente e a janela, de Marcius Barbieri
DF, 2005, Fic, Cor, 12 min.
Uma menina ganha uma câmera de vídeo no Natal e se transforma através da lente e da janela.
- Truques, xaropes e outros artigos de confiança, de Eduardo Goldenstein
RJ, 2003, Fic, Cor, 16 min.
No Largo da Carioca, centro do Rio, o encontro entre um vendedor de bonecos, um mágico e um vendedor de xaropes levanta a questão da confiança entre os homens.
CINE CCBH
Dia 23 - segunda-feira – 19h
Tudo Bem, de Arnaldo Jabor
RJ, 1978, Fic, Cor, 110 min.
Uma família de classe média do Rio de Janeiro decide reformar o apartamento para o noivado da filha, que só pensa em se casar. O pai é funcionário público aposentado e perdeu o interesse pela mãe, que sofre com a rejeição. O filho é um executivo oportunista. Duas empregadas domésticas completam o quadro de moradores, que têm seu cotidiano totalmente alterado com a chegada dos trabalhadores. Em meio às obras, todos os habitantes desse microcosmo de conflitos sociais vão revelando suas particularidades.
Dia 24 - terça-feira – 19h
Fonte da Saudade, de Marco Altberg
RJ, 1986, Fic, Cor, 80 min.
Três mulheres – Bárbara, Guida e Alba (todas interpretadas pela atriz Lucélia Santos) – têm o mesmo passado comum: o pai foi embora para nunca mais voltar. O impacto desse trauma infantil resulta em três possibilidades diferentes de mulher.

Dia 25 - quarta-feira – 19h
Beijo 2348/72, de Walter Rogerio
SP, 1990, Fic, Cor, 87 min.
Um operário e uma operária de uma grande tecelagem de São Paulo são demitidos por justa causa, acusados de terem se beijado no ambiente de trabalho. A moça, casada, se conformou com os acontecimentos. O rapaz, solteiro, apelou à Justiça do Trabalho. O tempo passou, o processo trabalhista engordou, atravessou todas as instâncias até o Tribunal Superior do Trabalho (TST) em Brasília e, anos depois, o operário ganhou a causa, correspondente à irrisória quantia de oitocentos e seis cruzeiros e vinte centavos.

Dia 26 - quinta-feira – 19h
Sábado, de Ugo Giorgetti
SP, 1994, Fic, Cor, 85 min.
Um sábado em um prédio no centro de São Paulo. Um edifício histórico, orgulho do Comendador Argentilli. Feito para abrigar a fina flor da família paulista nos anos 1930, está caindo aos pedaços nos anos 1990. Nada funciona, e todos esperam que alguém tome uma providência. Esperam que alguém conserte o elevador, que o samba acabe, que Jesus ajude, que se possa cair fora o mais rápido possível. Um sábado de pequenos incidentes: a procura de um vitral, o elevador quebrado, um morto, um culto interrompido, um tênis desaparecido, uma farda alemã, a sujeira da escada, outro elevador pronto para a filmagem de um comercial. Surpresa, caos, confusão, indiferença. Enfim, São Paulo, Brasil...

Dia 27 - sexta-feira – 19h
Por trás do pano, de Luiz Villaça
SP, 1999, Fic, Cor, 90 min.
Na São Paulo de hoje, cinco pessoas muito especiais vivem suas histórias por trás do pano. Helena, uma jovem atriz em ascensão, com muito talento e insegurança, é convidada para viver o grande desafio de sua carreira. Ela é casada com Marcos, um artista plástico que brinca o tempo todo com os medos e os jogos de ciúme de sua mulher. A partir do momento em que Helena começa a se relacionar com Sérgio, um diretor e ator famoso, casado com Laís, um arquiteta bonita e ciumenta, as vidas dos dois casais se misturam e eles passam a viver momentos de dúvidas, de humor e descobertas.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ações da Ações da Funarte se destacam entre os melhores de 2011Funarte se destacam entre os melhores de 2011

Reabertura do Teatro Dulcina, Bienal de Música e conquista da Triga de Ouro estão entre os destaques
Em um ano de intensa produção, a Fundação Nacional de Artes – Funarte chega ao fim de 2011 com a execução de 100% do orçamento. A instituição, vinculada ao Ministério da Cultura, investiu mais de R$ 100 milhões em projetos nas áreas de teatro, dança, circo, música, artes visuais e artes integradas.
A reabertura de um dos mais tradicionais teatros do Rio de Janeiro, o Dulcina, está entre as ações que alcançaram ampla repercussão e tiveram o reconhecimento não só da classe artística mas também da imprensa especializada. Juntas pela primeira vez no palco, divas do teatro brasileiro como Bibi Ferreira, Nathália Timberg e Marília Pêra celebraram em “Um Brinde a Dulcina” esse momento marcante para a cultura.
A programação especial permitiu ainda levar ao público, a preços populares, peças como “Viver sem tempos mortos”, com Fernanda Montenegro, e “Uma flauta mágica”, adaptação da ópera de Mozart feita pelo inglês Peter Brook .
Outro destaque foi a vinda, pela primeira vez, ao Rio de Janeiro de uma das maiores companhias de teatro do mundo, a francesa Théâtre du Soleil. Com apoio da Funarte, a fundadora e diretora do grupo, Ariane Mnouchkine, e os atores da companhia participaram de oficinas e encontros gratuitos em diferentes cidades do país.
A música erudita também emocionou o público que pôde assistir, no encerramento da 19ª Bienal de Música Brasileira Contemporânea, a um dos mais belos concertos do ano. Sob a regência do maestro Ricardo Rocha, a orquestra e o coro da Cia. Bachiana Brasileira apresentaram, pela primeira vez no Rio de Janeiro, a “Missa de São Nicolau”, obra-prima de Almeida Prado (1943-2010).
A Funarte ampliou ainda mais sua atuação nacional, contemplando todos os Estados da Federação através de editais nos diversos segmentos: música, teatro, dança, circo, artes visuais e integradas. Além disso, programas como o Microprojetos Mais Cultura Amazônia Legal e Rio São Francisco contribuíram para descentralizar a política de fomento e aumentar o número de municípios brasileiros participantes dos projetos da instituição.
O reconhecimento ao talento e ao trabalho do artista brasileiro ultrapassou as fronteiras do país. Na Quadrienal de Praga, o Brasil conquistou a Triga de Ouro, que é o prêmio máximo do maior evento de cenografia do mundo e foi concedido ao país pelo conjunto de sua participação.
O ano de 2011 consolidou também o diálogo com a classe artística, por meio da realização de uma série de encontros. Para o presidente da Funarte, Antonio Grassi, atender às demandas de todos os setores é um desafio permanente. Mas a instituição estará sempre de portas abertas a propostas e ideias inovadoras, que valorizem e ampliem o espaço às diversas manifestações culturais de todo o país.

Em 2012, obras de Caravaggio no Masp

Jerome in meditation

Museu de Arte de São Paulo (Masp) recebe a partir de junho de 2012 uma mostra com obras de Michelangelo Amerighi, o Caravaggio (Caravaggio, 1576 – Porto Ercole, 1610). Ela fará parte das comemorações do ano da Itália no Brasil e tem como curadores Fábio Magalhães  (Brasil) e Rossella Vodret (Itália).
A exposição deve reunir oito obras do artista, mais outras 18 peças de pintores que sofreram influência de Caravaggio. São eles: Jusepe de Ribera, Mattia Preti, Orazio Gentileschi, Giovanni Battista Caracciolo e Simon Vouet.

Oficina Cultural Candido Portinari oferece cursos de férias


Oficina Cultural Candido Portinari vai oferecer, de janeiro a março, atividades de férias gratuitas. São cursos nas áreas de artes plásticas, audiovisual, comunicação, cinema, literatura, música e teatro, entre outras manifestações artísticas.
Na área da comunicação, será realizado, entre os dias 17 e 31 de janeiro, às terças e quintas, pela manhã, a oficina "Organizando um Fanzine", com o fanzineiro e jornalista Angelo Davanço, editor do fanzine A Falecida e do Caderno C, do jornal A Cidade.
A oficina apresentará a história dos fanzines, seus conceitos e técnicas de produção, resultando no lançamento de um zine coletivo, produzido pelos alunos. As inscrições são gratuitas e são oferecidas 20 vagas, para adolescentes e adultos, que serão preenchidas por ordem de chegada.
As inscrições podem ser feitas entre 5 e 13 de janeiro, na sede da Oficina Cultural, que fica na rua Visconde de Inhaúma, 490, 1º andar

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Academia da Osesp com inscrições abertas para 2012

Inscrições abertas até 11 de janeiro para nova turma de alunos. Vagas e bolsa de estudo para alunos de violino, viola, violoncelo, contrabaixo, flauta, oboé, clarinete e trompa. Informações e inscrições em www.osesp.art.br/academia/inscrição.

Uma conversa com Ferreira Gullar: mais de 80 anos de poesia, política e arte.

Ferreira Gullar

O Prêmio Jabuti, que mudou de regras esse ano – não há mais 3 finalistas para cada categoria – já tem os vencedores de 2011 para cada uma das 29 categorias. Em Alguma Parte Alguma,  publicado ano passado, por Ferreira Gullar, ganhou o Prêmio na categoria poesia. José Castello ganhou o Prêmio Jabuti de melhor romance com seu livro Ribamar.
Conversamos com Ferreira Gullar, em sua casa, uma ano atrás, pouco antes do aguardado lançamento do livro Em Alguma Parte Alguma, pela José Olympio, quando ele acabava de completar 80 anos. Ele nos recebeu na penumbra de seu apartamento em Copacabana, onde não é poupado dos barulhos externos. Contente com todo esse reconhecimento? com o Prêmio Camões? – pergunto. Feliz, sem dúvida, mas ainda surpreso, espantado com tanto assédio da mídia: “Não aguento mais dar entrevistas! É uma atrás da outra, esta será a última. Acho uma overexposição, eu quero sim, é que leiam a minha poesia”, brada um Gullar, um tanto cansado, mal humorado. Como bem disse na Flip, ele sempre remou contra a maré. Apesar disso, arrebatou a plateia de Paraty, ao narrar com humor, sua trajetória de percalços, onde a produção artística caminhou lado a lado com a política.
Incomodado com o gato que acabara de ganhar de presente de Adriana Calcanhoto – o bichano demanda ração especial e não aceita a que ele comprou no bairro -, aos poucos, o poeta vai se animando: “Ela quis ser gentil, eu contei que meu gato morreu, e a Adriana apareceu com esse filhote aqui, também siamês. Mas ela me arrumou um problema, sabe!”.
Nesse vídeo, ele nos fala da sua estreita relação com a arte e aponta com apreço quadros de artistas amigos que ornam as paredes de uma sala bagunçada de literatura e arte. O poeta já desejou ser pintor e tem se dedicado a fazer colagens de papel; ele nos mostra o boneco de outro livro inédito, de colagens de bichos, Zoologia bizarra, que sairá pela Casa da Palavra.
“Rilke, Elliot, Rimbaud, Mallarmé, Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Camões, Castro Alves, Olavo Bilac, tem poetas que eu leio e releio a obra toda, não me canso… É um mundo muito rico!”, festeja um Gullar, que na infância chegou a pensar que poesia era coisa de gente morta. Claro que as pessoas lêem poesia, senão meus livros não venderiam. O livro Toda Poesia está na décima nona edição, os outros estão em décima quinta, décima quarta… ” exclama.
Entre um livro e outro são sempre muitos anos, o que não quer dizer que o poeta não escreve no meio tempo em que fica sem publicar. “A luta corporal foi uma aventura que nasceu de um ideal poético, impossível de atingir. O resultado é que a linguagem foi levada ao limite, implodiu. Todo livro meu é uma aventura que vai se concretizando a medida que eu faço, refaço, critico, edito”. A poesia concreta é uma experiência ultrapassada; a rigor, nunca me considerei um poeta concreto, como os irmãos Campos.  De lá eu fui para a poesia neoconcreta que veio dar depois no Poema Sujo e nos poemas de hoje”, considera. Na Flip, ele disse que fez Poema Sujo porque as pessoas estavam desaparecendo na ditadura e ele tinha medo de morrer. “Quis deixar algo em meu nome e no daqueles que sumiam, de repente.“ Gravado numa fita, o libelo foi trazido pelo poetinha Vinicius de Morais que o fez circular pelo país. Ícone, virou quase um hino dos anos de chumbo. O novo livro só tem poesias inéditas, mas carrega nos traços os versos dessa trajetória. “Não me sinto com 80 anos!”
Mona Dorf

Morre pianista Roberto Szidon

Roberto Szidon

Um dos mais importantes pianistas brasileiros do século XX, o gaúcho Roberto Szidon, morreu, na Alemanha, em decorrência de um ataque cardíaco. Szidon  desenvolveu uma intensa carreira internacional, tendo realizado inúmeros registros pela Deutsche Grammophon, uma das mais importantes gravadoras de música de concerto do mundo.
Roberto Szidon nasceu em Porto Alegre em 21 de setembro de 1941 e começou os estudos em sua cidade natal, realizando o primeiro concerto aos nove anos. Estudou composição com Karl Faust e foi para os Estados Unidos se aperfeiçoar com Illona Kabos e Claudio Arrau.
Em 1965 recebeu um prêmio no IV Centenário do Rio de Janeiro pela interpretação do Rudepoema de Villa-Lobos. Em 1967 foi para a Alemanha, onde participou de dezenas de gravações.
Como solista, integrou mais de 50 orquestras, incluindo a Orchestre de LaSuisse Romande, na Suíça; a Filarmônica de Londres, na Inglaterra; a Orquestra de Cleveland, nos Estados Unidos; e a Sinfônica de Viena, na Áustria.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Ligia Amadio deixa de ser regente titular da Osusp

Lígia Amadio

A orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo (Osusp) anuncia profundas mudanças em seu sistema de gestão artística. Já a partir da temporada 2012, a orquestra não contará mais com a função de regente titular, cargo até então ocupado pela maestrina Ligia Amadio, que também respondia pela direção artística. Segundo o Prof. Dr. Edson Leite, diretor da Osusp, Amadio continuará a trabalhar com a orquestra, mas como convidada, junto com outros regentes, tais com Nicolas Pasquet, Wagner Polistchuk, Ricardo Bolonha e Marcelo Lehninger. Segundo Leite, que agora responde pela criação artística do conjunto, “a Osusp é uma orquestra dinâmica e, neste momento, decidiu-se por aproveitar vários talentos na regência da próxima temporada do grupo, que é suficientemente maduro para desempenhar um trabalho de ótimo nível com os convidados”. E completa: “Em janeiro de 2012 terá início a reforma do Anfiteatro Camargo Guarnieri (sede da Osusp) e, assim, a orquestra se prepara para os voos mais altos, parcerias com universidades estrangeiras, complementação do quadro de instrumentas, uma atuação que privilegia a formação do gosto e uma concepção artística mais madura, fundamentada em seus mais de 36 anos de atividades ininterruptas ligadas a Universidade de São Paulo”.
A Osusp assumiu a estrutura de sinfônica a partir de uma renovadora gestão do maestro Carlos Moreno (2002-08), que colocou entre as principais orquestras do país. A essa seguiu-se a igualmente ambiciosa direção de Ligia Amadio. Espera-se que a nova estrutura não comprometa os objetivos artísticos de qualidade conquistados nos últimos anos.  
Revista Concerto
Janeiro / Fevereiro 2012

Carnaval de Teresina terá Concurso de Músicas Carnavalescas


Em 2012, os músicos e carnavalescos em geral terão uma razão a mais para fazer festa. A partir desta quarta-feira, dia 28, estão abertas as inscrições para o 1º Concurso de Músicas Carnavalescas, promovido pela Prefeitura de Teresina através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves.
O objetivo deste concurso é de estimular e valorizar os talentos musicais, recuperar a tradição dos antigos carnavais, valorizar a música carnavalesca, seus compositores e intérpretes, a brincadeira lúdica e a criação popular, além de promover essa modalidade popular nos salões e nas ruas. As inscrições são gratuitas e realizadas exclusivamente na Fundação Cultural Monsenhor Chaves, de 28 de dezembro de 2011 a 13 de janeiro de 2012, das 8h às 13h, na Rua Félix Pacheco, 1430 – Centro. Telefone: (86) 3215-7820.
Segundo o edital, disponível na seção “Regulamentos” do site da FMC (www.fcmc.pi.gov.br/regulamentos), pode participar do processo qualquer cidadão brasileiro nato ou naturalizado, com idade acima de 18 anos. Serão aceitas somente as inscrições na modalidade “Músicas de Carnaval” (marchinha, marcha rancho, frevo, samba, axé e/ou ritmos afins), com canções inéditas e temática livre. Cada concorrente só poderá inscrever até três músicas, sozinho ou em parceria.
O candidato deverá apresentar suas músicas gravadas em CD, devidamente identificado com o nome da música, acompanhadas de três cópias da letra de cada música inscrita com o nome de todos os compositores. As músicas gravadas para a inscrição devem contar, no mínimo, com um instrumento de harmonia como acompanhamento. Outro detalhe é que as músicas deverão ser inéditas (não gravadas comercialmente, e não terem sido participantes de outros festivais nem divulgadas nos meios de comunicação até a inscrição) e originais (que não contenham plágio, adaptação ou citação poética de outros autores)
No ato da inscrição, o autor da composição autoriza automaticamente a liberação do recolhimento de direitos autorais, de imagem e transmissão de voz pela FMC, em qualquer meio, seja ele impresso ou eletrônico, para todas as finalidades que guardem relação com o 1º Concurso de Músicas Carnavalescas de Teresina.
Dentre as músicas inscritas, serão selecionadas 10 músicas finalistas através do voto de uma Comissão Julgadora, composta por 5 jurados, convocadas pelo presidente da FMC. As dez músicas selecionadas deverão ser apresentadas ao vivo no dia 26 de janeiro, a partir das 19h, no Palácio da Música. Oportunidade em que serão escolhidas as três melhores músicas de carnaval pela Comissão Julgadora. As premiações serão de R$ 2.500 para a música escolhida como primeira colocada; R$ 1.500 para a segunda; e R$ 1.000 para a terceira.
Uma banda base acompanhará todas as músicas selecionadas, cabendo aos compositores, a indicação de intérpretes e até dois músicos para acompanhamento em instrumentos de harmonia. Cabe também aos compositores entregar o arranjo da sua música com partitura à Coordenação do Concurso no ato da inscrição. Caso não o tenha, a banda base fará um arranjo básico para acompanhamento das canções.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Óperas que serão apresentadas no Teatro Municipal de São Paulo em 2012


Fontes ligadas ao Teatro Municipal dão uma pista do que vem por aí em 2012.
Nada ainda está confirmado, mas já se fala em nove títulos.
Abaixo, uma lista prévia.

– “Rigoletto”, de Verdi
– “L’Enfant et les Sortilèges”, de Ravel
– “Otello”, de Verdi
– “La Traviata”, de Verdi
– “Boulevard Solitude”, de Henze
– “Pelléas et Melisande”, de Debussy
– “Cosi Fan Tutte”, de Mozart
– “Magdalena”, de Villa-Lobos
– “Crepúsculo dos Deuses”, de Wagner
Informações extras oficiais.


O Trombone


O trombone é um aerofone da família dos metais. É mais grave que o trompete e mais agudo que a tuba.
Há duas variedades de trombone, quanto à forma:
Trombone de Pisto: Utiliza pistos mecânicos como o trompete.
Trombone de Vara: Possui uma válvula móvel (vara), que, ao ser deslizada, altera o tamanho do tubo, mudando a nota. São várias as particularidades da vara:
Faz com que o trombone apresente todas as notas dentro da sua extensão (é comum entre os instrumentos de pisto um "buraco", isto é, notas ausentes na região grave).
Deixa o timbre do instrumento mais homogéneo em todos os registros, já que o ar não muda de caminho, apenas aumenta ou diminui o percurso.
É mais adequada para realizar efeitos como o glissando.
Requer um maior cuidado com a afinação.
A família do trombone apresentava originalmente os instrumentos Soprano, Contralto, Tenor, Barítono e Baixo. Com a evolução da música, alguns tipos foram sendo abandonados. O Romantismo consagrou o trombone tenor como o mais nobre da família.
Na atualidade utilizam-se muito frequentemente o trombone Tenor-Baixo, em Fá - Si bemol, e modelos dotados de válvulas mecânicas acionadas com a mão esquerda.
História
Da trompa primitiva importada do Egito à construção em cobre, em prata e, mais tarde na Idade Média, "Oricalchi" (liga especial idêntica ao latão) onde o nome dos "Oricalchis" aos instrumentos de metais e de sopros trazem às origens: o trombone de vara. A antiga trompa era de forma reta, com um bocal em sua extremidade superior enquanto que, em sua extremidade inferior se formava uma campana, representando a cabeça de um animal.
Documentações e pinturas de Peregrino, como as que se conservam no Escorial (Palácio dos Reis) em Madrid, levam a crer que um dos primeiros trombones de vara foi inventado e usado por Spartano Tyrstem no final do século XV.
Não se sabe ao certo como era chamado o trombone de vara antes do século XVI. A partir daí, o "Sacabucha" era tratado na Itália por "trombone a tiro" (trompa spezzata); na Alemanha, "Zugpousane"; na Inglaterra, “Sackbut”; e na França, "trombone à coulisse".
Até então, os instrumentos de cobre a bocal tinham sua gama de sons limitada aos sons harmônicos de um som fundamental, que dependia do comprimento total do instrumento. Por isso, a princípio, trocava-se de instrumento de acordo com a tonalidade da música a ser tocada. Posteriormente, foi desenvolvido um sistema de módulos com encaixes, que permitiam aumentar ou diminuir o tamanho do instrumento, alterando seu som fundamental.
O trombone foi o primeiro instrumento de cobre que apresentava a vara móvel. Tratava-se de uma evolução do sistema de módulos em que, em vez de encaixar e desencaixar partes, bastava correr a vara ao longo do instrumento para aumentar ou diminuir o tamanho do tubo. Dessa forma, podia-se dispor de sete sons fundamentais - obtidos a partir de sete posições da vara - além de todos os seus harmônicos, o que permitia executar no instrumento a escala cromática. Por isso, à época, foi considerado o mais perfeito instrumento de bocal.
Dos instrumentos da família do trombone, o soprano foi rapidamente abandonado porquanto não era uma trompa talhada no registro agudo, ficaram o trombone contralto em Mib, o tenor em Sib e o baixo em Fá. Há diversas composições para trombone contralto, tenor e baixo que adicionam ainda uma corneta a fim de realizar a parte do soprano. Existe uma Sonata de Giovanni Gabrieli (1597) composta para quarteto, em que uma das partes de corneta se tem substituído pelo violino.
Ao desuso do trombone soprano seguiu-se o desuso do trombone contralto, restando sobretudo o trombone tenor em sib. Pela aplicação de uma bomba mestra colocada em ação por um quarto pistom no trombone de pistom e uma válvula rotatória posta em ação pelo polegar esquerdo no trombone tenor em substituição do trombone baixo. Sabe-se que o trombone contrabaixo ou "Cimbasso" de forma igual a do trombone tenor, a uma oitava inferior deste, foi construído por Giuseppe Verdi para obter maior homogeneidade na família dos trombones.
Na segunda metade do século XVII não houve grandes avanços técnico no trombone de vara. Preocupava-se, à época, com os demais instrumentos de bocal, cuja insuficiência se manifestava cada vez mais evidente, principalmente depois do insucesso de Halernof com a aplicação da bomba coulisse primeiro ao corno e depois à trompa por volta de 1780, em busca de uma solução para dotar esses instrumentos de escala cromática.
A partir das cinco ou seis chaves, que funcionavam sobre orifícios num sistema de alavanca semelhante ao dos clarinentes e flautas do austríaco Weidinger e do inglês Halliday e, e da "encastre a risorte" aplicado à trompa pelo francês Legrain, se chegou aos pistons inventados por Bluhmel e aplicados à trompa pela primeira vez por Stölzel em 1813. Essa invenção consiste em três tubos suplementares de diferentes comprimentos comunicados com o tubo principal por meio de válvulas.
Em 1829, o fabricante vienense Riedl inventou os duplos pistons (dois pistons para cada bomba, por meio das alavancas que ficavam fixas) aplicando-lhe como pedais da harpa para trocar rapidamente de tonalidade. O novo mecanismo foi logo bem substituído pelo mesmo Riedl por cilindros ou válvulas rotatórias acionadas por através de alavancas com muito pouca diferença do mecanismo que se aplica hoje em dia. O tal mecanismo tomou o nome de instrumento à máquina.
O fabricante Adolphe Sax elevou a seis o número de pistos, chamando "sistema dos instrumentos a seis pistons independentes", a fim de obter melhor afinação, especialmente nas notas que requerem o emprego simultâneo de dois e três pistons. Mas, a inovação não teve êxito, por seu complicado mecanismo que provocara um manejo muito incômodo dos instrumentos e logo foi abandonado. Por superioridade pertence sem lugar às dúvidas, a invenção de Riedl.
Apesar de todas estas transformações e inovações, atualmente o trombone a máquina (pistons) não é um instrumento indicado para orquestras. Pode ser encontrado geralmente em fanfarras e bandas marciais.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Cultura de periferia na periferia



A antropofagia periférica parece comer toda a obra de arte da cultura culta, transformando-a em arte-vida, a partir da experiência cotidiana de quem a produz. A produção não é praticada apenas para que se alcance o reconhecimento pessoal de sua criação, mas p/ que tenha um uso, tanto p/ quem cria como p/ quem a consome.


A expressão cultura de periferia é algo que passou a ser utilizado muito recentemente, seja nos movimentos sociais ou nas pesquisas acadêmicas. Desde os anos 1980, a palavra periferia passou por um intenso processo de metamorfose semântica. Naquela década, Eder Sader havia encontrado na periferia novos personagens políticos que organizavam movimentos sociais diversos; Magnani achou o circo, o futebol de várzea, os violeiros e outras formas de lazer; e, alguns anos depois, Helena Abramo deparou-se com os jovens punks... Mesmo com todas essas peculiaridades, nos anos 1980 ainda não era comum a referência a uma cultura ou arte de periferia. Bem como, não era tão tranquilo para os jovens assumirem que viviam em regiões periféricas, seja na busca de emprego ou em alguma paquera que conseguiam em uma discoteca, por exemplo. Como morador de região periférica desde o nascimento, em minha adolescência, no início dos anos 1990, não foram poucas as vezes em que via jovens, da minha faixa etária, negarem seus bairros de origem por vergonha de terem que assumir morar na periferia.
A partir de meados da década de1990, com o boom do movimento hip-hop, a periferia começou a ser vista por muitos jovens com sentimento de orgulho, o que provocou, inclusive, o interesse de jovens de classe média e alta pela estética periférica. Com a música dos Racionais MC’s, por exemplo, a região da zona sul passou a ser comentada pelos jovens, despertou curiosidade em quem não a conhecia e certa vaidade para quem lá vivia, pois o país todo tomou conhecimento da sua quebrada. Da mesma forma, com o sucesso de alguns grupos de pagode, como o Negritude Junior, liderado por Netinho de Paula, que tratavam do cotidiano das periferias em suas músicas, tornou-se comum encontrar pessoas vestindo camisetas com os dizeres 100% Cohab, 100% zona leste ou 100% periferia. Os anos 1990 foram acompanhados por uma valorização simbólica das periferias. Ao mesmo tempo que crescia a midiatização da violência, diversos programas televisivos e filmes procuravam tratar da vida dos moradores dessas regiões, apontando aspectos positivos em seus modos de vida e expressões culturais.
No início do milênio, despontaram alguns escritores, moradores das periferias de São Paulo, que ficaram conhecidos como pertencentes ao movimento de literatura periférica ou, como nomeado pela revista Caros Amigos, de literatura marginal. Essas edições comentavam a produção literária de escritores como Sérgio Vaz, Ferrez, Sacolinha, Alessandro Buzo, Allan da Rosa, entre outros. Tais “autores periféricos” também já chamaram a atenção da grande mídia, fazendo-se presentes em diversos programas televisivos e de editoras comerciais, como é o caso da Editora Global.

A antropofagia periférica
Sérgio Vaz é um dos fundadores da Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa) que se reúne semanalmente em um boteco na zona sul de São Paulo, onde realiza um famoso sarau. Foi um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna da Periferia, que aconteceu de 4 a 11 de novembro de 2007 e reuniu vários coletivos culturais, de diferentes expressões artísticas que se identificam com esse movimentomais amplo que vem sendo chamado de cultura de periferia. Seu Manifesto da Antropofagia Periférica, em referência ao Manifesto Antropofágicode Oswald de Andrade de 1928, resume a inspiração que levou à organização da Semana, apontando dentre outras coisas que “a periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor. Dos becos e vielas há de vir a voz que grita contra o silêncio que nos pune. Eis que surge das ladeiras um povo lindo e inteligente galopando contra o passado. A favor de um futuro limpo, para todos os brasileiros”.¹
Lendo todo o seu manifesto e observando a forma como os diferentes coletivos e agrupamentos utilizam a palavra periferia, é perceptível que ela assume um sentido para além daquela que é designada como uma relação de distância geográfica a partir de algum centro. Periferia assume um conjunto de representações simbólicas que congrega aspectos relacionados à classe, à etnia, ao lugar de moradia e à condição de jovem na metrópole. Para esses grupos, tornou-se uma espécie de categoria social capaz de dar conta de alguns cruzamentos identitários assumidos na vivência de sua condição.
Embora Sérgio Vaz tenha mais de 40 anos, o público majoritário dos saraus da Cooperifa e das outras ações desenvolvidas por diversos coletivos periféricos da cidade é formado por pessoas jovens, com idade de até 29 anos. Os grupos identificados como culturas juvenis não recebem essa titulação por serem constituídos integralmente de jovens, mas por terem uma característica que vai dialogar, sobretudo, com a juventude. É o caso dos movimentos punk ou hip-hop. Pois, mesmo que Clemente (da banda punk Inocentes), Nelson Triunfo (dançarino, breaker) ou até Mano Brown (do grupo Racionais MC’s) não sejam mais jovens, o estilo musical que representam tem apelo muito maior entre esse público. Esse talvez seja um dos motivos pelos quais outros jovens de classe média aproximam-se desses eventos. Por mais que haja diferenças na situação sócioeconômica e étnica entre estes e aqueles que estão promovendo as atividades na periferia, o fato de serem jovens parece ser uma porta de entrada que os torna cúmplices em um jeito próprio de experimentar a cidade.
A questão da cor, apontada no Manifestode Vaz como um dos elos da periferia, não demonstra apenas a identidade étnica assumida por esses grupos, mas sua forma de compreender o que chamam de arte. Para diversos coletivos de periferia, a literatura periféricatem suas origens no poeta negro pernambucano Solano Trindade. O escritor é uma das principais referências de suas ações, pois, para esses grupos, não é possível fazer arte sem relacioná-la com suas vidas, assim como fez Solano. Sua poesia incomodava, pois tratava de racismo, preconceito, negritude, num contexto histórico em que, nos discursos oficiais, o Brasil era guiado pelo mito da democracia racial. Não por acaso, esse é o nome de uma biblioteca comunitária na Cidade Tiradentes, extremo leste da cidade, organizada por jovens, em sua maioria negros, de um coletivo chamado Núcleo Cultural Força Ativa. O NCA – Núcleo de Comunicação Alternativa – da zona sul, produziu um vídeo-documentário sobre a vida desse poeta intitulado “Imagens de uma vida simples”.
Nesse sentido, para esses coletivos que produzem arte periférica não há arte pela arte. Ela torna-se ação política à medida que, nas suas práticas, não se pode produzi-la sem relacioná-la à sua inserção social, ao seu “jeito de estar no mundo”, à sua identidade. A arte não está em um plano etéreo ou num campo teológico, pura, nos termos utilizados por Walter Benjamin,² mas inserida nas experiências de vida de seus produtores. A reprodução técnica, segundo Benjamin, acabou com a aura da obra de arte original, porém, é responsável por politizar a arte. A obra de arte sai de uma condição de impalpável, sagrada, para se inserir no cotidiano e na vida das massas. Isso ocorreu, sobretudo, a partir do cinema e da fotografia.
A antropofagia periféricaparece comertoda a obra de arte da cultura culta, aurática, transformando-a em arte-vida, a partir da experiência cotidiana de quem a produz. A produção periférica não é praticada apenas para que se alcance o reconhecimento pessoal de sua criação (que, obviamente, diz respeito à própria condição humana), mas para que tenha um uso, tanto para quem cria como para quem a consome. E esse uso é sobretudo político, contra o artista surdo-mudo e a letra que não fala– como afirma o Manifestode Vaz – e a favor da arte, da poesia e da palavra que fala, que denuncia, que anuncia.
Como foi visto, a “questão de classe” sozinha não é uma categoria que dá conta de responder a esse complexo chamado de periferia, mas é elemento importante em seu conteúdo semântico. O centro ou o outro lado da ponte, em referência à Marginal Pinheiros e Tietê, como costumam afirmar os artistas periféricos das zonas sul e norte, é uma fronteira geográfica, mas é também uma linha imaginária que define o lado de cá e o lado de lá. Ou seja, estar na cultura de periferia é tomar partido, assumir um lado, compartilhar uma mesma luta. E esse lado ou essa luta é também uma luta de classes. A pobreza não é um assunto fora de moda para esses grupos, mas vem relacionada a uma série de outros elementos.

Radical, mas não fundamentalista
Nem todos que moram na periferia são pobres. Mas, na cultura de periferia, tratar da pobreza e das precárias condições de vida é uma forma de relacionar arte-vida, como se apontou acima. Há que se diferenciar estar na periferia e estar na cultura de periferia. Para quem mora na periferia e produz arte de periferia, fica difícil perceber tal diferença. Porém, nem todos os artistas que residem na periferia comungam com esse tipo de arte, como, por exemplo, aqueles que fazem uma arte decorativa. Da mesma forma, um morador do centro pode identificar-se com essa arte periférica, muito por conta de sua condição socioeconômica ou étnica. Desde as letras de rap, as poesias marginais, até os vídeos populares etc., denunciar a desigualdade social e apontar os modos de vida cotidianos dentre os pobres tornou-se conteúdo quase que obrigatório nesse tipo de arte. Contudo, vale ressaltar que, mesmo não se reconhecendo como arte pela arte, a cultura de periferia também não se identifica, a priori, com essa ou aquela ideologia. Sua atitude é política, mas não doutrinária. A questão de classe citada anteriormente assume muito mais um caráter simbólico de afirmação identitária do que necessariamente um discurso mais elaborado de uma dada ideologia política. Talvez seja possível afirmar que haveria, nessa arte, uma tentativa de, como apontou Nestor Canclini,³ agir sob o dilema de “como ser radical sem ser fundamentalista”. Ou podemos dizer que o conceito de classe pode ser entendido aqui nos termos em que Michael Hardt e Antônio Negri4 o utilizam para compreender a multidão. Para além da associação com a classe operária ou a classe trabalhadora, a multidão é associada a um projeto político daqueles que estão sob a dominação do capital.
Em relação ao local de moradia, associar o bairro, a localidade, a uma categoria mais ampla chamada periferia, como o fez o movimento hip-hop, tornou os limites geográficos e territoriais do bairro algo menos delimitado e possibilitou certa cumplicidade entre os jovens moradores de diferentes bairros periféricos da cidade. Afirmar ser morador da periferia, nesse contexto, significa ultrapassar os limites territoriais da vila ou do bairro comuns na identidade de gangues e galeras, por exemplo.
A metamorfose semântica da palavra periferia também cumpriu um papel importante no fortalecimento de redes de articulação dos coletivos de diferentes lugares da cidade, para além de seus bairros de origem. Ao se assumir como um coletivo de arte periférica, o grupo estabelece uma conexão quase automática com outros coletivos de outras regiões. E esse é um aspecto muito apontado pelos próprios coletivos, de que há uma movimentação cultural mais ampla, para além de uma ou outra experiência pontual, identificada aí como arte ou cultura de periferia na cidade.
Edições especiais da revista Caros Amigos (2001, 2002 e 2004) tratavam especificamente da literatura marginal, referindo-se a um movimento de escritores periféricos. Porém, além das experiências de produções literárias e saraus, nesse movimento periférico há coletivos que se reúnem em torno de produções ou ações com audiovisual, blogs, sites, danças populares, samba de raiz, grafite etc. Uma das iniciativas de visualização em forma de movimento desses diferentes coletivos, com linguagens diversificadas e de distintas localidades da cidade (e da região metropolitana), deu-se através da Agenda Cultural da Periferia, publicada mensalmente pela ONG Ação Educativa de São Paulo. Nessa cidade, muitas dessas experiências de arte periférica vão encontrar abrigo em políticas públicas como o Programa VAI – Valorização de Iniciativas Culturais – da Secretaria Municipal de Cultura ou no Centro Cultural da Juventude.
Um crescente circuito de atividades culturais e políticas está fruindo nas periferias de São Paulo, tendo os jovens como atores e espectadores privilegiados, com uma intensa programação de conteúdo periférico. Essas expressões têm se constituído como nova forma de atuação juvenil em diferentes espaços da cidade nos últimos anos e têm se configurado como um forte movimento social em torno, sobretudo, de bandeiras como o direito à cultura.
Renato Souza de Almeida
Mestre em Antropologia, professor da Faculdade Paulista  de Serviço Social e coordenador do Instituto  Paulista de Juventude.

Alexander ZEMLINSKY


Viena (Áutria) 14 de outubro de 1871 – Larchmont (EUA) 15 de março de 1942

Considerando a notoriedade de seu círculo pessoal, Alexander Zemlinsky ainda pode ser descrito como desconhecido e enigmático. Nascido em 1871, teve contato direto com Brahms, personalidade musical dominante e grande influência em suas obras iniciais. Em sua época de estudante, foram estreadas no Musikverein de Viena obras de Wagner, Verdi e Massenet, criticadas na imprensa pelo influente Eduard Hanslick. Seu ambiente musical incluía o cunhado Schoenberg, de quem foi professor por um breve tempo, Webern e Alban Berg, cuja Suíte Lírica lhe era dedicada, Alma e Gustav Mahler (foi Zemlinsky, professor de Alma e por ela apaixonado, quem aproximou o casal Mahler) além de Schrecer e Korngold, entre os mais próximos. Apesar de ter recebido os mais altos elogios póstumod e Stravinsky, não atingiu, como regente, a projeção de Otto Klemperer, Georg Szell ou Erickh Kleiber, seus contmporâneos, mas foi uma personalidade ativa  como regente, compositor e requisitado pianista. (.....)


Susana Cecília Igayara
Programa de Concerto – Jun / Jul 2008, p. 68-69

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cultura Artística comemora centenário em 2012 com grande temporada

Aniversário terá apresentação de solistas como Lang Lang e Renée Fleming, livro e documentário
Os pianistas Lang Lang e Evgueni Kissin, a soprano Renée Fleming e o Ensemble Intercontenporain de Pierre Boulez são algumas das atrações que a Sociedade de Cultura Artística trará ao Brasil no próximo ano, quando completa seu centenário. Serão, ao todo, 20 concertos, realizados na Sala São Paulo, enquanto o novo teatro não fica pronto, o que deve acontecer apenas em 2014.
A programação vinha sendo trabalhada há alguns anos - e é uma das melhores das últimas temporadas. A ênfase é no piano - em recitais solos e com orquestra - e nas vozes, com duas das mais destacadas intérpretes da atualidade: além de Fleming, a meio-soprano americana Joyce Di Donato fará dois recitais. "O piano é o instrumento de eleição do público brasileiro, e isso não é de hoje, faz parte da história de nossa música - e da própria Cultura Artística", diz Peret.
A programação será aberta no fim de abril com a Orquestra Nacional da Rússia, regida por José Serebrier, e o pianista Nelson Freire como solista. No programa, Mozart, Glazunov, Rachmaninoff e Dvorak. Em seguida, em maio, apresenta-se a Orchestre National du Capitole de Toulouse, um dos principais conjuntos franceses, com o maestro Tugan Sokhiev, russo que está entre os mais badalados maestros da nova geração - eles vão interpretar um programa francês (Debussy, Ravel e Berlioz) e outro russo (Mussorgsky e Prokofiev).
O primeiro recital solo será o do chinês Lang Lang, no fim de maio, com peças de Bach, Schubert e Chopin. O russo Evgueni Kissin, em seguida, toca Schubert, Beethoven, Brahms, Chopin. "O ano começa com o Nelson, depois teremos Lang Lang e Kissin. São artistas tão diferentes, acho justamente isso muito estimulante, poder ver de perto abordagens distintas", diz Peret.
Em julho, o Ensemble Intercontemporain, símbolo de excelência da dedicação à música contemporânea, volta ao Brasil depois de quase duas décadas. Seu criador, o maestro Pierre Boulez, não acompanha o grupo que, no entanto, traz a atriz Fanny Ardant para participar do espetáculo Cassandre, de Michael Jarrell. Na sequência, duas sinfônicas - a Orchestra della Svizzera Italiana (obras de Honneger, Chopin e Schubert, regência de Alexander Vedernikov e solos de Dang Thai Son) e a Orchestra del Maggio Musicale Fiorentino (obras de Bruckner, Verdi, Ravel e Beethoven e regência de Zubin Mehta).
Três recitais encerram o ano. Joyce Di Donato canta Haendel, Mozart, Rossini e Reynaldo Hahn com o pianista David Zobel; a violoncelista Sol Gabetta toca Schumann, Beethoven e Shostakovich com a pianista Mihaela Ursuleasa; e a soprano Renée Fleming interpreta canções e árias de Brad Mehldau, Strauss, Korngold, Puccini e Leoncavallo (o pianista ainda não está definido).
Destruído por um incêndio em 2008, o Teatro Cultura Artística não ficará pronto para o ano do centenário. A primeira fase das obras, a restauração do painel de Di Cavalcanti, acaba de ser terminada e logo ele estará aberto para visitação. "Em 2012, começaremos a construir a nova estrutura do teatro, que está orçada em R$ 30 milhões. Já temos o dinheiro, em caixa ou prometido, e dependemos apenas da ajuda do poder público para acelerar alguns processos, uma vez que o projeto é tombado pelo patrimônio histórico", explica Peret.
A memória da Sociedade de Cultura Artística também será tema de um livro e de um documentário, que deverá ser feito pela TV Cultura. "E vamos continuar com a série de concertos didáticos no interior de São Paulo, em parceria com a Fundação Desenvolvimento da Educação, e com a programação de música de câmara no Itaim."
Para Peret, a trajetória da Cultura Artística se mistura à história da vida cultural da cidade e do País. "Não há comparação. O mercado mudou muito nos últimos 30 anos. A Sociedade de Cultura Artística se profissionalizou nesse período, já goza de uma representatividade diferente lá fora e depende cada vez menos de agentes e terceiros. Por outro lado, projetos como a Osesp ajudaram a consolidar a vida musical de São Paulo e, com isso, a competição aumentou, levando a um desafio de superação que é fundamental. A grande questão, porém, continua ser atrair um público cada vez maior em um país no qual a educação continua a ser um problema delicado. Alguns de nossos projetos surgiram com esse objetivo, mas ainda há muito o que fazer."

Manuscritos do Mar Morto são disponibilizados para consulta pública na internet


O Google anunciou que após 24 séculos os Manuscritos do Mar Morto já estão disponibilizados para consulta pública na internet. Escritos entre os séculos III e I, os Manuscritos incluem o texto bíblico mais antigo de que se tem notícia.
O projeto abre para acesso global e gratuito aos textos de mais de 2.000 anos – considerados uma das maiores descobertas arqueológicas do século passado – ao colocar na rede imagens de alta resolução que são cópias exatas dos originais.
No ano 68 a.C. os textos foram escondidos em 11 cavernas às margens do Mar Morto para serem protegidos durante a invasão do exercito romano. Esses documentos não foram descobertos novamente até o ano de 1947, quando
Desde 1965, os Manuscritos são mantidos no escuro, em salas climatizadas do Museu de Israel, em Jerusalém, onde somente quatro funcionários especialmente treinados têm autorização para manusear os pergaminhos e papiros. Especialistas queixavam-se há tempos de que apenas um pequeno número de estudiosos tinham acesso, a cada momento, aos manuscritos. Cada pesquisador recebia três horas de acesso, e apenas ao fragmento específico que pediu para ver.
Os manuscritos estão disponíveis nas línguas originais – hebraico, aramaico e grego – e, inicialmente, em tradução para o inglês. Mais tarde, outras traduções serão oferecidas. Também é possível realizar buscas no texto. / estadão.com.br com AP

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Voz Ativa e Você!


Voz Ativa Madrigal
Caros leitores,
Estamos felizes por mais um ano em sua companhia.
Para nós para além do universo musical que nos une e promove encontros que nos privilegiam com a apresentação de cursos, workshops, encontros, apresentações e concertos que comungam com o que determinamos como importantes para nossa vida tanto profissional como pessoal, está o que cultivamos como seres humanos alinhados com propósitos outros que, dado a sua natureza, não encontram disponibilidade nos meios de comunicação de nosso país.
Sua companhia fez com que pelo segundo ano consecutivo o nosso blog ficasse entre os 100 blogs de música mais visitado no Brasil durante 2011, motivo de orgulho e de incentivo a continuidade deste trabalho.
No início do ano iremos publicar matéria sobre nossa vida artística em 2011 e apresentaremos nossos projetos para 2012 a fim de que possamos juntos aprimorar nosso desempenho e por intermédio de pesquisas acadêmicas sérias vislumbremos e tomemos conhecimento de novas oportunidades interpretativas e veredas ainda não trilhadas por nossa musica, particularmente, para o canto coral.
Neste período de férias publicaremos matérias pertinentes á música, contudo, dado a escassez de concertos e apresentações, optamos por diminuir o número de matérias publicadas diariamente e, além de textos relacionados à música, publicaremos informações sobre assuntos de interesse geral, como o caso da publicação sobre doação de sangue editada ontem, segunda-feira.
Haverá também neste período interrupção na edição de matérias a fim de que possamos gozar de breve período de férias, momento que será anunciado antecipadamente.
Por oportuno, agradecemos sua companhia e externamos nossa satisfação e alegria em termos o privilégio de sermos agraciados pela sua escolha.
Desejamos a todos um ano novo repleto de realizações artísticas e pessoais desejando também que a tolerância seja constância em sua vida a fim de promover harmonia paz e amor, nossos maiores e mais importantes patrimônios.
Feliz 2012
     Ricardo Barbosa - Regente

Percussão – Curiosidades.

Percussão

O Bombo (ou bumbo) é o maior tambor do naipe da percussão orquestral: ele pode ter mais de um metro de circunferência e possui pele retesada em cada uma de suas faces. É percutido por uma baqueta que tem um pompom de algodão ou feltro na ponta. O responsável por usá-lo pela primeira vez na música clássica foi Mozart. Na ópera  O Rapto do Serralho  (1782), o compositor desejou dar um realce extra à música, “turca” que colocou ali, com o auxílio desse tonitruante instrumento. E conseguiu um portentoso efeito...
Os tímbales, também chamados de tímpanos, de fundos arredondados como cúpulas invertidas e que podem ser afinados, foram empregados aos pares desde o século XVIII. Haydn itilizou-os em duas de suas sinfonias, dando a eles papéis bem distintos. Na Sinfonia nº 94 em Sol Maior – A Surpresa, de 1791, os tímbales explodem, com o auxílio de toda a orquestra, depois que os violinos acabam um longo fraseado, bem baixinho, durante o movimento lento. O humorado Haydn disse ter posto nesse ponto essa espantosa Timbalada a fim de acordar algum eventual dorminhoco.
E foi também com timbales, só que tratados como autênticos instrumentos solistas e sem qualquer apoio orquestral, que Beethoven deu uma força extra à sua extraordinária Nona Sinfonia  1824. Isso acontece logo no início do segundo movimento, o muito enérgico scherzo, repleto de vitalidade rítmica e de grandiosidade que beira a selvageria, a revolução.
Durante o Romantismo, os compositores deram asas à imaginação ao empregar a percussão em suas obras. Um dos exemplos mais curiosos dessa tendência está nos toques cristalinos do pequeno triângulo de metal, que Liszt introduziu no seu  Primeiro Concerto para piano e orquestra  (1848). Esses toques produziram efeito hilariante na crítica mais tradicionalista da época, que imediatamente apelidou a obra de “Concerto para Triângulo”
E por falar em concerto para piano, Ravel abriu o seu Concerto em Sol maior (para ambas as mãos do instrumentos, de 1931) com um sonoro golpe de... chicote. Como o chicote habitual poderia machucar uma parte nada desprezível dos integrantes da orquestra, o instrumento que recebe esse nome em uma sinfônica consta de duas tábua de madeira que, batidas, produzem estalido bem semelhante ao do rebenque verdadeiro. E já que estamos em Ravel, nunca é demais lembrar que ele dá início ao arqui-famoso Bolero de 1928, com o ritmo enunciado por uma caixa-clara, o tambor militar. Durante 17 minutos que dura essa dança obsedante, não há um segundo de descanso para ele, que toca exatamente o mesmo padrão rítmico o tempo todo.
Foi no século XX que a percussão ganhou especial importância na música clássica. A desbravadora Sagração da Primavera (1913) de Igor Stravinsky inaugurou de maneira brilhante essa tendência que teria uma posteridade de altíssima qualidade, como exemplificam Ionisation (1931), partitura que Edgar Varèse concebeu para 37 instrumentos de percussão. O Mandariam Maravilhoso,  Opus 19 (1818-19) de Béla Bartok, Chronocbromie (1960) de OIiver Messiaen e Tituel (1974) de Pierre Bourlez. O trepidante século passado foi responsável por uma novidade no domínio da música erudita; a criação de conjuntos e até mesmo de orquestras integradas apenas por instrumento de percussão. Eles, aliados aos meios de transformação e de geração sintérica de sons, parecem continuar na ordem do dia desses primeiros anos do século XXI

J. Jota de Moraes
Programa de Concerto – set / out 2009. p. 8-10