segunda-feira, 18 de junho de 2012

Todos pela educação menos “eles”


Todo e qualquer cidadão brasileiro que goze de seus direitos políticos e civis têm o dever de cumprir as leis aprovadas pelo parlamento que nos representa. A postura contrária é severamente punida na forma da Lei.

No estado democrático de direito essa norma é justa, pois sem a qual não haveria harmonia na sociedade e anarquia poderia encontrar abrigo. O cidadão delega, portanto, ao Estado o poder de reger os direitos e deveres da coletividade. É sabido que o bom exemplo deve ser dado principalmente por aqueles que, eletivamente ou não, ocupam cargos públicos ou àqueles que, de alguma forma, gerenciam a coisa pública. Sabendo-se claramente que o público pertence a todos, tais indivíduos devem ter mais cuidado e zelo com o mesmo mais que com suas próprias posses.
No nosso país infelizmente as coisas não seguem essa regra básica. Parte dos gestores púbicos bem como parte significativa da classe política tem se apropriado da coisa pública como se a eles pertencessem. Esse fato é fácil de ser constatado, baste ler ou ouvir o noticiário do dia, é escândalo por cima de escândalo. Esse mesmo grupo em épocas de eleição usa um discurso onde a palavra ética é o carro chefe. Além disso, é unanimidade se falar que a educação é imprescindível ao desenvolvimento não só desse mas de qualquer país. Pois bem. O Brasil é hoje, segundo os dados econômicos, a 6ª economia do globo terrestre e, assim sendo, conclui-se obviamente que em um universo de aproximadamente 200 nações é um país muito rico. Pergunta-se! Onde está tamanha riqueza? Não seria justo que o povo brasileiro que construiu e constrói essa riqueza dela tivesse acesso? Como ficar atrás de países considerados atrasados em relação ao nosso quando a questão é educação? Como se explica um trabalhador ganhar aproximadamente R$ 20,00 por dia de trabalho? Como explicar que um banco tenha lucro líquido anual de mais de 2 bilhões de reais e prestar um dos piores serviços? Enfim... são tantas incoerências para um país rico que poderia aqui elencar inúmeras delas, mas acho que todos já sabemos disso.
O mais triste de tudo é saber que isso tudo acontece porque a nossa classe política representa mais seus interesses particulares e de grupos econômicos a que pertencem que a população. População essa que vota muitas vezes a esmo, manipulada pela mídia que sabe muito bem fabricar candidatos e produzir imagens futuristas da realidade e/ou influenciada pelo poder econômico que corrompe facilmente os cidadãos. Independente disso, essa população merece desse País o mínimo necessário para exercer sua cidadania e ai, também sabemos de cor e salteado os direitos básicos constitucionais a que todos deveriam ter acesso. Para essa classe política a palavra cidadania só é pronunciada em época de eleição. “vote! Exerça sua cidadania”, nesse dia nem ser preso, na maioria dos casos a pessoa pode ser.
Apesar dos avanços econômicos e sociais que o Brasil tem alcançado, nosso Estado, está muito aquém do verdadeiro desenvolvimento econômico, educacional e porque não dizer, político. Isso se deve, logicamente, pelo fato de a maioria das pessoas estudarem na escola pública, infelizmente, desaparelhada em todos os aspectos. Nesse momento, alguns leitores devem dizer a si mesmo: Não concordo, pois muitos dos que passaram pelo poder e nele hoje estão, estudaram na escola pública. Eu respondo antecipadamente, faça um estudo sobre a História da educação brasileira e lá encontrarás tu, todas as respostas. Só para adiantar um pouco, houve um tempo em que a escola pública era também a escola da elite, então era de qualidade sim, só foi a elite abandoná-la e aqui estamos. Só como exemplo, trabalho numa escola Estadual que nem mesa para o professor colocar seus materiais de trabalho tem. Somando-se a isso, adota o governo uma política fincada em números, números esses que não refletem a realidade da qualidade de ensino.
Dizem que ser professor é um sacerdócio, na maioria dos casos creio que sim, contudo, mesmo um sacerdote necessita de comer, morar, vestir-se, calçar-se, divertir-se e ter acesso ao conhecimento para melhor orientar seu rebanho.
Para tanto, como se sabe é preciso dinheiro, pois sem dinheiro não se faz nada, não se vai a lugar algum. Ao invés disso, o que os mestres recebem é desprezo e humilhação por parte do poder público, seja do governador quando não cumpre a Lei, seja do Assembleia quando não vota as matérias que irão dar o mínimo de valorização à categoria, seja do judiciário quando o desembargador entende e determina que é ilegal o que é, de fato, legal. Portanto, os três poderes unos na mesma propositura, nem os deputados ditos de “oposição” se manifestam com altivez a favor da classe, pois que é ano eleitoral e os “acordos” políticos ainda não se fecharam. Para “acabar com o terço”, parte da mídia, principalmente um dos maiores sistemas de comunicação do Estado, claramente tenta colocar a sociedade contra o movimento. Enfim... nós, os mestres temos contra nossa causa legal uma série de barreiras, muito embora todos digam que a educação é essencial, mas como é essencial se àquele que tem a responsabilidade de ensinar e guiar o aluno na busca do conhecimento não se dá o mínimo possível para que sinta-se digno como profissional?
Diante de tantos posicionamentos e questionamentos, não vejo como despertar em nós, professores, qualquer espécie de autoestima a manter-se essa vergonhosa proposta do governo. Ao contrário, ocorrerá um significativo aumento de nossa baixa estima, da tristeza, do desânimo e, talvez, até um pouco de vergonha de ser o que somos, por ser tratados como somos.
Se, estando com a Lei a nosso favor, não conseguirmos o seu cumprimento e, além disso, o governo conseguindo a aprovação de uma nova Lei, a qual incorpora gratificação ao vencimento, achatando ainda mais nossa remuneração, nivelando a todos, desvalorizando ainda mais os que se graduaram e pós-graduaram, ao invés de marcharmos juntos numa estrada iluminada rumo a um futuro de glória, capengaremos numa estrada escura, carente de esperança em dias melhores. Num quadro sem vida como esse, o chamado “faz de conta” encontra ainda mais abrigo e o crack mais vítimas, o trabalho infantil mais vagas, a prostituição infanto-juvenil mais espaço enfim... ao final todos seremos vítimas. Será confirmado o que está nas escrituras sagradas: o fim, o apocalipse. Mas há tempo para fazermos algo, e a saída, sem dúvida, começa pela educação e pela saúde.
Enquanto forem negligenciadas por parte do poder público que continua a privá-las do investimento necessário e previsto constitucionalmente, as perspectivas não serão animadoras. Nesse caso, é preciso que o povo, na qualidade de sociedade civil organizada manifeste-se contra esse poder público tirano, que tenta se esquivar de suas responsabilidades constitucionais e tenta jogar o povo contra os trabalhadores que também necessitam e têm suas famílias dependentes de escola e saúde públicas, até policiais que batem, prendem, e ferem os professores com balas de borracha. Assim, sendo, essa luta é de todos. Não é de “A” nem de “B”. A partir do momento que tivermos educação e saúde de qualidade, todos quererão dela se servir.
O professor, o vigia, o auxiliar administrativo, a lavadeira de roupa, o biscateiro, o zelador, o contínuo, o office boy, a lavador de carro, o pedreiro, o açougueiro, a merendeira, a copeira, o técnico e auxiliar de enfermagem, o lavrador, quitandeiro, o comerciário, o bancário, o operário da indústria, o soldado, enfim... todas as categorias que fazem parte da base da cadeia produtiva de bens e serviços, que são a maioria da população e que, mesmo ganhando pouco, muitas vezes se sacrificam para pagar uma escola particular e um plano de saúde deficiente, são as que realmente sairão da marginalidade do sistema com as mudanças reais, as mudanças promovidas pela educação, saúde e geração de emprego e renda. É a essa massa que faço parte e me dirijo para conclamá-la à luta solidária por nossos direitos, pois somente irmanados e de mãos dadas poderemos conseguir nossa verdadeira cidadania e com ela a oportunidade de eleger representantes que não sejam fora da Lei.


Profº Marson Cleiton (marsoncleiton@msn.com)msn.com)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Orquestra Filarmônica de São Caetano do Sul



Cinema em Concerto

Sérgio Assumpção – regente
Suites sobre trilha sonora de filmes

16.06 – sábado – 20h30

Teatro Municipal Paulo Machado de Carvalho
Al. Conde de Porto Alegre, 840
11-4338-3030
São Caetano do Sul - SP
Entrada Franca

Maria José Carrasqueira



Maria José Carrasqueira
Piano

Programa:
Haydn, Chopin, Wild, Nazareth

16.06 – sábado – 20h00

Sociedade Brasileira de Eubiose
Sala Henrique José de Souza
Av. Lacerda Franco, 1059
Aclimação
R$20,00

Coro de Câmara da Soarte



Carlos Eduardo Vieira – regente

Programa:
Dowland, Bennet, Hassler, Lasso, Victoria, Palestrina, Tallis e Byrd

 16.06 – sábado – 19h00

Igreja Central Evangélica Armenia de São Paulo
Av do Estado 1196
11- 3227-6969
Metro Armênia
São Paulo - SP

Orquestra Sinfônica do Estado de Sâo Paulo



Giancarlo Guerrero – Regente
Gutitar Duo Brasil

16.06 – sábado – 16h30

Sala São Paulo
Av Júlio Prestes, s/n
São Paulo – SP
R$ 26,00 à 149,00

Orquestra de Cordas da Emesp



Geraldo OLivieiri – regente
Paulo Bosisio e Pedro Delaolle Violinos

Programa

Bach – concerto para dois violinos
16.06 – sábado – 16h00

Teatro Grande Otelo
Entrada Franca

Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro


Roberto Minczuk - regente

Programa Britten, Schumann e Bruckner.

16.06 - sábado - 20h00

Teatro Municipal do Rio de Janeiro
Praça Marechal Floriano s/n
Rio de Janeiro - RJ

Madrigal do Leme


Música no Museu

Programa:
Josquin dez Prez

16.06 - sábado - 16h00

Parque das Ruínas
Rua Murtinho Nobre, 169
21 2253-8645
Santa Tereza - RJ

Orquestra Petrobras Sinfônica


Série Portinari II

Issac Karabtchevisky - regente
Nelson Freire - piano

Programa
Villa-Lobos, De Falla e Ravel

16.06 - sábado - 16h00

Teatro Municipal do Rio de Janeiro
Praça Marechal Floriano s/n
Rio de Janeiro - RJ

PAULO MARTELLI se apresenta com o QUARTETO ROMANOV no “Música no Museu da Casa Brasileira”



O projeto Música no Museu da Casa Brasileira traz no domingo, 17 de junho, às 11h, o músico Paulo Martelli e Quarteto Romanov no MCB, instituição da Secretaria do Estado da Cultura. Com enorme sucesso de público, o programa é gratuito e está em sua 12ª edição.

O Quarteto Romanov, é formado pelos violinistas russos Alexey Chashnikov e Tatiana Vinogradova, o violista russo Simeon Grinberg e o violoncelista brasileiro Rodrigo Andrade Silveira.

Juntos com o violonista Paulo Martelli, os músicos reativam o antigo trabalho de música de câmara, com um novo projeto que de um lado tem o violão, cujo perfil é puramente solista, e do outro um quarteto de cordas que é a espinha dorsal da orquestra.

Sobre o projeto Música no Museu – Um dos projetos mais tradicionais do calendário do Museu da Casa Brasileira, o Música no Museu traz, há 12 anos, apresentações de qualidade com entrada gratuita em um dos locais mais charmosos da cidade: o jardim da instituição. Nesse período, curadores de renome assinaram a programação. Entre eles, o músico e historiador Carlinhos Antunes, os maestros Julio Medaglia e João Carlos Martins e os pesquisadores e músicos Benjamin Taubkin, Antônio Nóbrega e Magda Pucci. Mais de 200 mil pessoas já conferiram, nas 12 edições do projeto, as apresentações de nomes importantes da música brasileira, como Zimbo Trio, Mawaca, Orchestra Bachiana, Mutrib, entre tantos outros grupos, projetos solo e camerísticos populares e eruditos.

Na temporada de 2012, o projeto conta com a coordenação de Carmelita de Moraes e tem como objetivo divulgar a diversidade musical nacional e internacional por meio de estilos variados: instrumental, erudita, popular, entre outros. Ao mesmo tempo, oferece ao público momentos agradáveis e especiais.


Sobre Paulo Martelli - Violonista brasileiro de reputação internacional, Paulo Martelli, tem desenvolvido prolífica carreira de solista, paralela à intensa e contínua atividade acadêmica. Considerado um dos melhores violonistas de sua geração, Paulo é um musico eclético de sólida educação musical, premiado internacionalmente e diplomado nas melhores escolas de musica dos Estados Unidos: a Juilliard School e a Manhattan School of Music.

Idealizador e curador da série Movimento Violão, um projeto que acontece consecutivamente em São Paulo nas unidades do SESC na Capital, em Ribeirão Preto no Teatro Minaz, e em Araraquara no Teatro Municipal, levando o melhor do violão erudito ao publico em apresentações mensais gratuitas. Atualmente considerada por unanimidade como a mais importante série de violão do país.

Sobre  Quarteto de cordas Romanov -  formado pelos violinistas Alexey Yashnikov, Tatiana Vinogradova, o violista Simeon Grinberg e o violoncelista Rodrigo Andrade Silveira  atento a tradição das cordas vem reativar o antigo trabalho de musica de câmara. Seus integrantes, além de pertencer a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e de se voltarem para formação de novos talentos brasileiros, vem acumulando experiência como cameristas com repertório bem abrangente, e formado por compositores de todas nacionalidades que vai do clássico ao contemporâneo.

SERVIÇO:

Música no Museu da Casa Brasileira – Paulo Martelli e Quarteto Romanov
17 de junho de 2012 às 11 horas
Entrada gratuita
Local: Museu da Casa Brasileira Av. Faria Lima, 2.705 – Jd. Paulistano Tel.: (11) 3032-3727
Acesso a pessoas com deficiência / bicicletário
Estacionamento pago no local – Domingo: Valor único – R$15,00
Acesso a portadores de deficiência física.
Visitas orientadas: (11) 3032-2564 / agendamento@mcb.org.br
www.mcb.org.br

NEOJIBA promove terceiro concerto da série de Música de Câmara este ano




Na próxima segunda-feira (18), o programa NEOJIBA promove a terceira apresentação da série de concertos de Música de Câmara em 2012, às 20h, na Sala do Coro do TCA. Entre as participações estão o Trio de Trompas, e o Grupo de Metais e de Percussão, que executarão obras de grandes compositores como Anton Reicha e Camille Saint-Saëns. A entrada é franca. Com o intuito de disseminar a música de concerto e estimular a técnica de seus jovens membros através de uma modalidade mais intimista e próxima do público, as cameratas do NEOJIBA acontecem regularmente no Teatro Castro Alves e em outros espaços culturais da cidade.

Confira o repertório da apresentação:

CLAUDE BOLLING
Intime
Formação: Dóris Leandra (Flauta), Aline Falcão (Piano), Isaac Falcão (Bateria).

ANTON REICHA
Horn Trio
Formação: Trio de Trompas da OCA (Uriel Borges, André Leite, Ualisson Moreira).

FRANÇOIS GOUNOD
Funeral March of a Marionete

DUKE ELLINGTON
Ellington Suite
Formação: Grupo de Tubas (Ricardo Sena, Jamberê Cerqueira, Ângelo Silva, Jackson Santos, Gabriel Vieira).

VICTOR EWALD
Quinteto nº 3 (mov. I)

LUIZ GONZAGA
Gonzagueando (arr.: Duda)
Formação: Quinteto de Metais: Helder Passinho Jr. e Aécio Magnum (Trompetes); Orlando Afanador (Trompa); Joadson Araújo (Trombone); Jamberê Cerqueira (Tuba)

CAMILLE SAINT-SAËNS
Dança Bachanale (da Ópera Sansão e Dalila)
Formação: Grupo de Metais e Percussão do NEOJIBA (Regência: Yuri Azevedo)

18.06 - segunda-feira - 20h00

Sobre o NEOJIBA

Criado em 2007 como um dos programas prioritários do Governo do Estado da Bahia, o NEOJIBA tem por objetivo alcançar a excelência e a integração social por meio da prática coletiva da música. No Brasil, o NEOJIBA é o primeiro programa governamental de formação de orquestras infanto-juvenis baseado no aclamado “El Sistema”, programa venezuelano criado há 37 anos. Seu diretor fundador e regente titular é o pianista Ricardo Castro, convidado em 2007 pela Secretaria de Cultura para criar e implantar o programa na Bahia.
O NEOJIBA já beneficia diretamente mais de 600 crianças e jovens, integrantes do Núcleo de Gestão e Formação Profissional do Programa, no Teatro Castro Alves, e em Núcleos de Prática Orquestral em Simões Filho e na Península Itapagipana, em Salvador. Além disso, o NEOJIBA apoia pedagogicamente projetos orquestrais do interior do estado, levando seus resultados a jovens músicos dos municípios de Conceição do Coité, Jacobina, Vitória da Conquista, Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália e Angical. O mais importante diferencial entre o NEOJIBA e a maioria das outras iniciativas de arte-educação realizadas no Brasil é sua função de real integração social, estimulando o convívio entre crianças e jovens de vários segmentos da sociedade.

Festival de Inverno de Petropolis – RJ



De 06 a 15 de julho

Palestras e recitais com grandes expoentes nacionais e internacionais de música clássica, do jazz, MPB e corais. Apresentações de teatro e balé .

Informações e inscrições: www.dellarte.com.br

Da sacra à Religiosa - Um Breve olhar sobre a música protestante.


Parte VI - Final

As demais igrejas protestantes históricas, como a Metodista, Batista e Presbiteriana, estão também tornando contemporânea sua linguagem musical, mas de forma diferente. Na verdade, estão apenas contextualizando os "gestos" do fazer musical, quando copiam os trejeitos das bandas estrangeiras e traduzem, mesmo que sofrivelmente, as canções que a mídia vem propagando "aos quatro ventos".

Essas igrejas imitam as neopentecostais, adotam seus cantos, compram seus cancioneiros. Mais que isso: abandonam seus hinários oficiais e passam a projetar nas paredes as canções dos carismáticos. Estão, com isso, perdendo a identidade denominacional e fragilizam sua teologia, pois os textos desses cantos dão prioridade à doxologia e, embora falem também sobre a comunhão entre irmãos, não dão relevo a assuntos tão vitais para o protestantismo histórico, como o pecado, a salvação pela graça de Deus, a cruz, morte e ressurreição do Senhor Jesus.

Os cantos avulsos provenientes da ala carismática tampouco descem das "regiões celestiais" para o nível do chão, a fim de se colocarem à disposição do serviço ao próximo e/ou aos menos favorecidos. A tendência atual de algumas igrejas protestantes históricas em abandonar seus hinários oficiais enfraquece sua identidade como denominação distinta e não valoriza suas raízes históricas, muitas vezes arduamente conquistadas.

Em contra ponto, algumas igrejas protestantes têm-se apercebido de que é essencial guardar a herança que outras gerações lhes legaram, herança expressa nos cantos de eras passadas, mas que preservam seu passado histórico e fomentam sua identidade. Esse fato foi ainda constatado pela observação do apego que os protestantes de algumas igrejas não-litúrgicas têm expresso pelo seu hinário, chegando a tomá-lo como um "livro doutrinário" ou documento oficial da denominação. Por causa de tal função, sentem que é imperioso resguardar a sua memória. Algumas vezes, a própria igreja se deu conta de que a tradição dos cantos vale a pena ser mantida quando se deseja educar o povo.

Hoje no mundo e no Brasil, vive-se uma nova eclesiologia e estética musical a partir mudança da centralidade do culto. No que diz respeito ao papel da música na liturgia, é muito comum vermos nas igrejas evangélicas grupos chamados “equipe de louvor”, cuja finalidade é ministrar o louvor à igreja em um certo momento do culto. Estes grupos surgiram provavelmente com o crescimento do movimento neopentecostal, culminando no surgimento de várias denominações, como a Igreja de Nova Vida, Cristo Vive, Universal, Comunidades Evangélicas, etc. Todas elas possuem uma coisa em comum: a ênfase na música de adoração impregnada de um emocionalismo exagerado.

Suas equipes de louvor têm a função de ministrar o louvor; de levar o público a um êxtase musical, de maneira que possam sentir a presença do Espírito de Deus. Formadas por jovens, estes grupos cantam..., cantam..., cantam..., até que o clima do culto seja satisfatório às necessidades de cada membro.

Normalmente, um líder toma a palavra enquanto os outros participantes cantam suavemente. Logo depois, o líder começa a proferir palavras de ordem: vamos fazer isso...; fazer aquilo...; eu estou vendo isso..., eu estou vendo aquilo...A repetição de trechos musicais com grande teor de emoção intercalados a estas “falas” do líder conduzirá a congregação a experimentar um sentimento de satisfação pessoal momentâneo, pois esta prática possui, em muitos casos, um efeito passageiro, caracterizado pelo espírito de vida pós-moderno, em que o ser humano busca entretenimento e prazeres imediatos em coisas transitórias. Nestas equipes de louvor, a música é usada, talvez de forma inocente, como meio de manipulação para tornar o culto mais agradável para os crentes e visitantes.

A música no culto cristão que leva a busca da satisfação do homem não é coerente com o seu papel na vida da igreja, e sim caracteristicamente ufanista ou personalisticamente devocional (religioso), pois a centralidade do culto está inquestionavelmente em Deus e na partilha do pão, onde o papel da música deve ser de levar o homem a contemplar a beleza e refletir sobre o centro da adoração (Sacro).

A música é arte, e arte é instrumento. Ela pode ser uma obra religiosa ou sacra.

Dependendo do fim a que se destina uma obra de arte, pode ser considerada sacra (de culto) ou religiosa (de devoção). Segundo Cláudio Pastro:

"a arte sacra é algo feito do ser da Igreja, da profundeza do ser cristão, é uma continuidade da liturgia e da celebração cristã e se põe a serviço da Igreja. A função da arte sacra é testemunhar Jesus Cristo. Ela é o visualização plástica do evangelho, a petrificação dos dogmas, e por isso, nos aproxima mais do verdadeiro ecumenismo cristão do que qualquer outra coisa. Ela também é educativa.".( Pastro, 1993: p.)

Hoje, pode-se fazer uma leitura clara de que a modernidade trouxe novas visões, ouvidos e rumos para a eclesiologia da igreja protestante. Sendo assim, o seu desafio é a consciência estar diante de uma modernidade consumista que agride sua identidade histórica, refletindo sobre de que forma ela pode ser Reformada e estar sempre se Reformando

23º Festival de Música de Londrina



De 14 a 25 de julho

Duas estruturas tradicionais: artística e pedagógica. Projetos de inclusão social para portadores de deficiências e cursos de atividades msicais para terceiraidade. Cursos, oficinas, encontros e máster classes.

Inscrições abertas para os cursos e oficinas de 15 a 30 de junho. Direção Artística Marco Antônio de Almeida. 

Informações www.fml.com.br

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Madrigal de Brasília


Éder Canusis - regente

Programa:
Obrecht, Palestrina, Victoria, Gesualdo, Weelkes e Lassus

Casa Thomas Jefferson - Asa Norte 61-3442-5599
Entrada Franca

I Encontro Internacional de Música Antiga Emesp


Gertraud Wimmer e Livia Lancranchi - Traversos
Jaap Ter Linden e João Guilherme Figueiredo Violoncelos Barrocos
Alessandro Santoro - Gravo
Coordenação Luiz Otávio Santos

1506 - Sexta-feira - 18H00

Igreja Sagrado Coração de Jesus
Largo do Coração de Jesus, 154
11-3227-0162
São Paulo - SP

Dido e Aeneas no Clube Homs - SP




Os cantores eruditos da FAAM e o coral dos alunos do maestro Eduardo Fernandes, com direção musical e regência de Paulo Menegon, regência de Eduardo Fernandes, direção cênica de Norma Gabriel e conjunto instrumental da Fmu-FAAM apresentam: Dido e Aeneas, ópera em 3 atos de Henry Purcell.

 Serviço

dia 21 de junho as 20hs no teatro do Clube Homs (avenida paulista 735).
A entrada é 1kg de alimento não perecível ou a doação de um agasalho.

Festival CONTINUUM



O Itaú Cultural convida para o primeiro Festival CONTINUUM, evento que amplia os temas de arte e cultura discutidos pela revista. Com duração de três dias, o encontro marca o lançamento da CONTINUUM 37 e aborda o “artivismo” – iniciativas nas quais a arte se torna ferramenta de mobilização social e/ou política –, as produções culturais independentes e o financiamento coletivo, ou crowdfunding.

A programação une reflexão a diversão e começa com um debate entre o cineasta André D`Elia, diretor do filme Belo Monte – Anúncio de Uma Guerra; o artista visual Thiago Mundano, do projeto Pimp My Carroça; o músico Felipe Gomide, responsável por O Galo Canta, que tem como proposta a valorização e o resgate do fandango, ritmo regional da Ilha do Cardoso (SP); com mediação do empreendedor social Reinaldo Pamponet, idealizador da rede itsNOON. Além do bate-papo, integram o evento shows da banda paulista Família Gangsters e de Thiago Pethit, que fará a última apresentação da turnê do disco Berlim Texas (2010), e a estreia do filme Belo Monte – Anúncio de Uma Guerra, que acontecerá no Auditório Ibirapuera.

programação junho 2012

quinta 14
20h
debate Artivismo, Produções Culturais Independentes e Crowdfunding
com André D´Elia, Felipe Gomide e Thiago Mundano mediação Reinaldo Pamponet
*coquetel de lançamento da CONTINUUM 37

sexta 15
20h
show Família Gangsters com participações de Grupo Maracatu Bloco de Pedra e NeguEdmundo

sábado 16
20h
show Berlim Texas, de Thiago Pethit
sala itaú cultural 247 lugares
domingo 17 (auditório ibirapuera)
19h filme
Belo Monte – Anúncio de Uma Guerra, de André D`Elia (2012)
800 lugares
entrada franca
itaú cultural | avenida paulista 149 – paraíso – são paulo sp [próximo à estação brigadeiro do metrô]
Auditório ibirapuera |  avenida pedro álvares cabral s/nº portão 2 [parque do Ibirapuera]
informações: 11 2168 1777 | youtube.com/itaucultural | twitter.com/itaucultural | facebook.com/itaucultural | atendimento@itaucultural.org.br

III Festival Internacional de Música Erudita de Piracicaba – SP



Master classes, ensaios, palestras e concertos. Corpo descente formado por professores estrangeiros e do Brasil.
Inscrições abertas.
Informações e inscrições: www.festivaldepiracicaba.com.brwww.acap.org.br

IX Encontro de Musicologia Histórica



De 20 a 22 de junho – Juiz de Fora – MG.

Apresentação de trabalhos sobre o tema Intertextualidades: Fronteiras entre o cacro e o profano na m´jsica Brasil colonial e imperial. Informações e inscrição Centro Cultural Pró-Múcica (32) 3215-2951 – www.prmusica.org.br

Da sacra à Religiosa - Um Breve olhar sobre a música protestante.



Parte V
Destacam-se quatro classificações para o canto do protestantismo, que se passa a apontar como características fundamentais da linguagem da música tradicional cristã protestante:

1. linguagem acentuadamente individualista.

2. Expectação pelo porvir (ênfase na escatologia).

3. Sentido provisório do caminhar cristão na terra (a peregrinação).

4. Textos que se referem ao povo de Deus como "exército", usando termos militares.

Acrescentaria a esse grupo uma quinta característica: hinos que chamam o não converso ao arrependimento de pecados e à "conversão".

A música sacra contemporânea está apenas parcialmente ligada à estética musical do século XX. É principalmente a que utiliza novos conceitos de ritmo, de harmonia e melodia, mas de uma forma menos "arrojada" do que a não sacra, pois seus padrões não rompem totalmente com a tonalidade maior e menor do sistema modal, nem aderem ao sistema de música serial ou aleatória ou a qualquer das novas técnicas composicionais do século XX. Ela varia bastante de acordo com os diversos segmentos cristãos.

Para um determinado tipo de igreja, sua principal característica é o uso da eletrônica e da percussão. Para outros, a substituição do órgão ou do piano por qualquer outro instrumento (como o violão e instrumentos de sopro e de percussão) indica haver uma tendência de contemporaneidade.

As igrejas pentecostais dão destaque às improvisações individuais durante seus cultos. Nessas igrejas e em outras protestantes sem um rígido padrão litúrgico, a forma de apresentação da música sacra contemporânea mais usual é a que imita os grupos musicais denominados seculares, os quais se colocam no palco à frente da platéia com um líder para o canto. Em outras denominações, o fato de se usar cantos não pertencentes ao hinário oficial já será um marco suficientemente explícito de que ali os cantos não são apenas tradicionais. Porque existe uma grande e rápida mutação para o conceito do que é atual, a música sacra contemporânea usa as seguintes características:

1. Nova concepção rítmica, com tendência para abraçar os ritmos autóctones (no Brasil; o samba, o baião, o sertanejo, a bossa-nova entre os mais usuais) e reforço na pulsação através do uso da percussão;

2. Aceleração do andamento musical; harmonia não mais centrada nos encadeamentos óbvios da harmonia tradicional (como o encadeamento harmônico dos graus I, IV e V);

3. Melodia não quadrada, isto é, a que serve como veículo da métrica ditada pelo texto, que, atualmente, não vem necessariamente medido;

4. Quanto ao verso, foge das rimas antigas mais usuais (como a abab ou aabb ou a abba), preferindo a rima livre;

5. O texto dá destaque a temas relacionados com os interesses da atualidade.

Nas denominações preocupadas com a teologia da libertação, os cantos falam de luta em favor dos pobres e oprimidos e convoca os cristãos a se engajarem na luta contra a opressão dos mais fortes. Existe preocupação com a unidade dos cristãos (influência do ecumenismo), por essa razão há cantos voltados para a fraternidade dos crentes. Nos segmentos carismáticos e evangelicais existe uma grande inclinação para os cânticos doxológicos e koinoníacos, grande parte de procedência americana.

Quanto à forma de apresentação e veiculação há uma clara tendência de tomar as características da música secular. Qualquer tipo de instrumento musical é aceito como possível de ser usado como próprio à música sacra contemporânea, embora os mais adequados sejam os eletrônicos. Os cantos, cuja forma musical se identifica com a do passado, só serão considerados contemporâneos se a sua letra expressar conteúdo de problemas atuais (como os da teologia da libertação) ou se, mesmo contemplando assuntos pertinentes ao acervo cristão, sua linguagem está comprometida com o modernismo literário. Cantos do passado serão considerados contemporâneos se houver alterações melódicas, rítmicas ou harmônicas que modifiquem a versão original, revestindo-a das características modernas acima mencionadas.

Compreendemos assim, que o século XX apresenta uma diversidade de estilos e linguagens musicais como nunca ocorreu anteriormente em nenhum período da história da música. Muitas tendências até contraditórias aparecem simultaneamente, expressas em estilos e sistemas de composição ousados, como os que empregam materiais não-musicais.

As características mais presentes podem ser catalogadas em dois tipos: as que perpetuam os procedimentos do romantismo e as que rejeitam as marcas desse período e buscam modificação. Estão arroladas no primeiro tipo as obras conhecidas como neo-românticas. No segundo bloco, acham-se as pós-românticas, as expressionistas, as impressionistas, as futuristas, as dadaístas, as dodecafônicas, as microtonais, algumas nacionalistas, passando à música eletrônica, à música conhecida como "pop" e ao jazz. A diferença entre os dois grupos está em que as obras do último bloco não respeitam mais o sistema tonal instituído desde o século XVI, com seus princípios harmônicos e cadenciais, sistema também conhecido como "tonalidade funcional".

Nos círculos protestantes, principalmente nas igrejas “não-litúrgicas”, na década de 20, iniciou-se nos Estados Unidos da América a era do gospel song no rádio, que seria, 25 anos depois, seguida pela televisão. Esse tipo de canção, mais tida como "música especial", não congregacional, pois era principalmente para solos, duetos, trios, quartetos e pequenos conjuntos, iria ser transplantada para os países evangelizados pelos americanos. Na década de 40, o evangelismo nessas igrejas estava principalmente relacionado a Youth for Christ (YFC), que mais uma vez reteve a tradição gospel das reuniões avivalistas. A era do evangelista Billy Graham iniciou-se também sob os auspícios da YFC no ano de 1949, tendo como diretor musical Cliff Barrows, que utilizou repertório da tradição avivalista do século anterior, comprovadamente eficaz para esse propósito.

Com exceção das tradicionalmente litúrgicas, a luterana e a episcopal anglicana, as demais igrejas históricas protestantes estão abandonando seus hinários tradicionais e adotando os corinhos das igrejas carismáticas. Existe, portanto, um sério risco de banimento da tradição do uso de hinários. Ao classificar os tipos de música usados nas igrejas, João Faustini colocou os corinhos dentro da "canção evangelística", por entender que provêm das reuniões de avivamento, como a de Moody e Sankey, por serem informais e mais apreciados pelas "massas". A palavra "corinho" não está dicionarizada e parece ser o diminutivo de "coro".

As igrejas protestantes receberam esse tipo de música através da influência norte-americana, iniciada na década de 50 e intensificada nos anos 60 e 70, por missionários americanos vindos ao país especialmente para os acampamentos jovens. O termo "música gospel" vem dos Estados Unidos e se refere àquela produzida a partir dos anos 60, que usa "novo som", apresentado por corais de todas as idades, solistas e pequenos conjuntos corais, muitas vezes acompanhados de play-backs.

Na década de 80, os cânticos doxológicos (que glorificam a grandeza e majestade de Deus) predominaram graças à divulgação da mídia e ao crescimento dos carismáticos. Ainda na presente década, esses são os cantos dos cancioneiros mais vendidos nas alas evangelicais, o que pode ser constatado literaturas evangélicas.

A música gospel multiplicou-se e os neopentecostais hoje, principalmente no Brasil, têm-se apropriado dela.

Nas décadas de 50 e 60, sob a influência dos Rock, despontaram compositores e grupos do chamado gospel folk (regionalistas), ou gospel rock na Inglaterra. Muitos hinários da década de 60 publicaram música nesse estilo, que acabou por revolucionar a música vigente nas igrejas, contextualizando uma linguagem que estava sendo disseminada rapidamente nos círculos não-eclesiásticos, graças à moderna tecnologia de comunicação.

Essa tendência valorizava tanto as obras tradicionais quanto as contemporâneas, dando ao culto um sentido festivo, que acabou traduzido pela palavra "celebração". Esse tipo de culto apela à participação coletiva através de formas e expressões gestuais na música e no drama. A linguagem caracteriza-se por ser mais pessoal em toda a liturgia, inclusive com o uso de linguagem atualizada da Bíblia. Nas comunidades com essas características, é costume dar grande ênfase à comunhão (koinonia) entre os crentes.

Em termos amplos, como tendência internacional, os anos 70 foram ainda mais produtivos para a música "pop", principalmente em razão da expansão das igrejas carismáticas ou neopentecostais. Alguns compositores de música sacra surgiam das fileiras das próprias comunidades, o que tornava o movimento mais peculiar, diferindo dos movimentos anteriores de aproximação com o povo, encabeçados por líderes denominacionais. Esses cantos, embora muito semelhantes aos da música contemporânea secular, enfatizavam a contemplação e a simbologia. Por causa da influência carismática, a música escrita para a igreja "fugiu" das mãos dos profissionais e se colocou ao alcance de todos.

Quanto à contemporaneidade do fazer musical nas igrejas protestantes, precisa-se admitir que não foram poucos os esforços no sentido de se obter música com as mesmas estruturas daquelas produzidas fora do ambiente eclesiástico, vividas e disseminadas cotidianamente pelos meios de comunicação velozes do presente século. Nem sempre esse tipo de música secular, como o caso da música "pop" iniciada nos anos 50, foi aceito sem causar polêmica. Surgiram inúmeras pessoas escrevendo do mesmo modo e com o mesmo objetivo: atrair os jovens para a igreja.

A ala evangelical dos protestantes resistiu um pouco mais para adotar esse procedimento, mas, com o passar do tempo, também acabou deixando que o estilo da música popular invadisse seus domínios. Isso aconteceu principalmente através das chamadas "cantatas musicais jovens" ou “louvorzão”, apresentadas mais para comemoração de dias especiais do calendário cristão, como páscoa e natal, ou então, como "testemunhos" em cultos de "celebração".

A atitude de coadunação do canto sacro às características da música "pop" vigente no meio secular demonstra que em alguns setores de igrejas cristãs tem havido a preocupação com a educação religiosa dos jovens. Essas igrejas perceberam que o canto é um veículo poderoso para o ensino e crescimento espiritual da juventude, principalmente se sua linguagem for a mesma que circula nas rádios, televisões e demais canais de comunicação atuais.

As igrejas Luterana e Anglicana também estão em processo de tornar contemporâneos o estilo musical e o texto de seus hinos. Embora isso ainda não esteja presente nos hinários oficiais, essa tendência pode ser facilmente atestada pela análise dos cancioneiros que têm surgido há pouco tempo e da produção fonográfica. As duas igrejas também têm dado espaço para a produção de cantos caracteristicamente regionalísticos.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo


Giancarlo Guerreiro - regente
Brasil Guitar Duo

10h00 - Ensaio Aberto
R$ 10,00

21h00 - Concerto
R$ 26,00 à R$ 149,00

Sala São Paulo
Pça. Júlio Prestes s/n
São Paulo - SP

Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro



Júlio Medaglia - Regente


Uma noite Hungria para Liszt e Lehár.

14.06 - quinta-feira - 2h00

Teatro Municipal do Rio de Janeiro
Praça Marechal Floriano, s/n
Rio de Janeiro - RJ


PROJETO “MAESTRO CAPEMISA” em Porto Alegre homenageia Villa-Lobos

Apresentação em Porto Alegre acontece no dias 17 de junho.

O compositor Villa-Lobos será o grande homenageado
Depois de seu grande sucesso em 2011, o Projeto “Maestro CAPEMISA” — que promoveu ano passado apresentações nacionais e internacionais de concertos clássicos com diversas orquestras profissionais do País e da Europa — volta este ano com uma agenda completa para os quatro cantos do Brasil e para o exterior. Desta vez, o evento fará uma homenagem ao grande compositor clássico de renome internacional, Heitor Villa-Lobos, com o tema “A viagem de Villa-Lobos”. Depois de Americana (SP), Campinas e Fortaleza, a próxima apresentação será em Porto Alegre, dia 17 de junho (domingo), às 11h, no Salão de Atos da UFRGS, dentro da Série Concertos para a Juventude.
A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) estará sob a regência do Maestro Laércio Diniz, também responsável pela série de 2011.Este ano, a intenção é fazer a viagem do grande compositor brasileiro Villa-Lobos, sobretudo, em países e com orquestras em que este ícone se apresentou. Já estão programados concertos em Goiânia (26 e 28 de agosto) e Manaus (25 de outubro).

Programa:

ANTONIO VIVALDI:
Concerto p/ flauta doce e orquestra - RV 444 (p.78)
HEITOR VILLA-LOBOS:
- Bachianas Brasileiras n° 5 (completa)  Arr. Arthur Barbosa
ERIK LARSON:
- Concerto p/ trombone e cordas
MODEST MUSSORGSKY:
- Uma noite no Monte Calvo - Primeira parte [arr. original]
MILTON NASCIMENTO:
- Seleção com Arr. de Damiano Cozzela
Com o patrocínio da CAPEMISA Seguradora de Vida e Previdência, uma das principais seguradoras do País, o projeto vem popularizando a música clássica e descentralizando os patrocínios. O regente Laércio Diniz é o grande convidado dos eventos, e as orquestras participantes têm os custos do maestro pagos pela Seguradora, o que permite que o evento se estenda para além do eixo Rio-São Paulo e até para fora do Brasil.
No ano passado, o Projeto percorreu diversas cidades, dentre elas: Americana (SP), Tatuí (SP), João Pessoa (PA), Bragança Paulista (SP), São Paulo, Campinas (SP), Vassouras (RJ), São João Del Rei (MG), Rio de Janeiro e por fim chegou à Europa, mais precisamente, em Hilversum, na Holanda, com a apresentação da “New Netherlands Orchestra”, criada graças a Laércio Diniz, que também acumula as funções de regente e de diretor do conjunto.

Serviço:

PROJETO MAESTRO CAPEMISA
Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA)
 “A viagem de Villa-Lobos”
Maestro: Laércio Diniz
Data: domingo, dia 17 de junho
Horário: 11h
Local: Salão de Atos da UFRGS
Rua Paulo Gama, 110, Campos Central da UFRGS, Rio Grande do Sul
Telefone: (51) 3308.3058
Censura Livre
Porto Alegre – Rio Grande do Sul
Mais informações: www.maestrodiniz.com
Entrada Franca

O Trompete


Antiqüíssimo e bastante empregado em diversas culturas pelo globo, o trompete ganou especial relevo tanto na Mesopotâmia das narrativas bíblicas quanto no velho Egito. Sempre ostentou versatilidade: nas civilizações antigas, servia, para anunciar o começo de uma batalha ou, entre outras funções, chamar a atenção dos fiéis para uma cerimônia religiosa; no “Apocalipse”, 12 anjos utilizam o trompete para anunciar os sinais do final dos tempos. Mais próximo à atualidade. Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-47) conferiu ao trompete um tema alegre, em sua abertura da marcha nupcial de Sonho de uma Noite de Verão. Já Gustav Mahler (1860-1910) empregou o trompete como solista do movimento inicial se sua Quinta Sinfonia num andamento de uma aterradora marcha lenta “como um cortejo fúnebre”.
Há múltiplas formas de trompete, mas o empregado nas atuais orquestras sinfônicas é o chamado “moderno”. No passado, o tubo do instrumento era reto e portanto, bastante longo, com quase 2,5 m de comprimento. Foi a partir do Renascimento que se tubo pasou a ser enrolado sobre simesmo. Facilitando seu manuseio. E, desde meados do século XIX o trompete ganhou três pistões  - o que lhe possibilitou produzir , cromaticamente, todos os sons que sua extensão permite, incluindo semitons.
Sem pistões, o chamado trompete “natural” só é capaz de produzir os harmônicos naturais de um som fundamental (essencialmente as notas de um acorde tonal).
Exemplares dessa espécie integram conjuntos instrumentais que se dedicam a “interpretações historicamente informadas” do repertório anterior  ao século XIX - do Renascimento ao Barroco e ao Classicismo. Como  era costume nesses períodos , a fim de recobrir todo a âmbito sonoro, vários instrumentos naturais (afinados de maneira distinta um doso outros) precisavam ser convocados; só assim se conseguia recobrir o campo de tessitura exigido por determinadas obras. É curioso o fato de, na primeira metade do século XVIII, os instrumentistas que recebiam melhor salário terem sido aqueles que se especializavam na execução dificílima dos pequenos e sueragudos trompetes, os clarinos. Logo depois, já na época da Haydn e Mozert, eeses intrumentos caíram em desuso e só voltaram a ser tocados pelos intérpretes “Historicistas” do século XX.

A Fisionomia do Trompete.

O trompete é um instumento de sopro de metal, que consta de um tubo - cilíndrico em três quartos de sua extensão, o qual se torna cônico, antes de terminar em um pavilhão. No outro extremo, por onde o instumento é soprado, o trompete possui um bocal (ou embocadura) em forma de taça. Os trompetes em Dó e em Si Bemol são utilizados com maior freqüência atualmente e, em ambos  os instrumentos pode ser percebidos três registros distintos: grave, com sonoridade sombria; médio, com sons muito claros e brilhantes; e agudo, onde os sons podem se tornar até mesmo estridentes. Antes do metal, vários materiais foram empregados; tubo de cana, bambu, madeira ou osso, e até chifres de animais.
Na história da música ocidental, encontramos uma verdadeira pletora de obras nas quais o trompete, ou um grupo deles, desempenha papel de grande importância.
Do final do Renascimento, são especialmente extraordinárias as partituras dos Gabrielli (tio e sobrinho) para a “estereofônica” basílica de São Marcos, de Veneza. Durante o Barroco, quando o reino da música instrumental concertante expandiu-se por todoa a Europa, Torelli, Vivaldi, Handel, Bach, Telemann e Purcell, entre outros, dedicaram a ele belas obras. Já o período Clássico, entraram para o repertório dos grandes trompetistas, sobretudo, os concertos de Mozart (pai) e Haydn (os irmãos Michael e Joseph). E se durante o Romantismo o trompete foi quase esquecido, a parte um concerto de Hummel e muitas obras no gênero “divertimento leve”, no século XX ele recobrou a imaginação de compositores com força redobrada. Devemos a compositores como Stravinsky, Hindemith, Tinsné, Schimit, Ligeti, Henze, Zimmermann, Berio, Rihm, Scelci, Takemitsu e Kagel uma soma de obras originais, em que o trompete é presença preponderante. 

Anatole LIADOV


 Anatole LIADOV

Analotte Liadov nasceu em São Petersburgo, na Rússia, no dia 11 de maio de 1855 e morreu em Veliky Novgorod, Rússia, no dia 28 de agosto de 1914, filho de uma família bastante musical e pouco afeita às chamadas exigências da vida prática’. Herdou dos pais o gênio musical e também aquilo que, na época, costumava ser chamado, algo poeticamente, de “lassidão langorosa”.  Hoje tal traço de personalidade atende pela designação mais frugal e pouco otimista de ‘preguiça’. Tal característica acompanhou-o durante a vida inteira, impedindo-o de enfrentar grandes projetos que exigissem dele uma dediação por um período de tempo relativamente longo. Por isso, à exceção da juvenil cena final de “A Noiva de Messina” de Sahiller (1878) tudo o que ele nos legou foram: uma dúzia de curtas peças orquestrais, meia dúzia de composições para coro, um pouco de 50 canções e uma pequena multidão de miniaturas para piano. A severa autocrítica foi outro fator que não deixou que seu catálogo de obras crescesse muito.
Apesar da indolência do autor, a música de Liadov nos mostra um artista singular, ainda que conservador, muito refinado e dado aos requintados experimentos com os timbres instrumentais da orquestra. Aluno queiro de um grande mestre de orquestração ruusa, Rincky-Korsakov, absorveu em profundidade as lições desse. E, malgrado a famigerada preguiça, tudo o que ele conseguiu tornar público nos anos finais de sua carreira encantou a todos amadores e colegas músicos, Isso porque, denotando um tratamento arejado da harmonia  e do ritmo, além do supremo refinamento da paleta orquestral, sua música sempre ostentou cativante fisionomia. Uma curiosidade a mais da personalidade artística de Liadov: por não conseguir acreditar muito que a música fosse capaz de traduzir as paixões humanas, ele dava preferência a ambientar suas obras em lendas antigas e pertencentes ao universo feérico dos contos de fada da Rússia e do Oriente. Para evocar esse universo existente fora da cotidianidade, empregava uma orquestração irisada, diáfana e repleta de efeitos incomuns.(...)  

J. Jota de Moraes
Programa de Concerto – Osesp – Abril 2009

terça-feira, 12 de junho de 2012

Hoje, Orquestra Sinfônica de Barra Mansa

Orquestra Sinfônica de Barra Mansa

12.06 - Quarta-feira - 20h00

Mikail Agrest  - regente
Edna D'Oliveira - Soprano

Programa:

Copland, Strauss, Stravinsky e Belini

Igreja Matriz de São Sebastião
024-3323-0524

Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo

Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo

09.06 - Quarta-feira - 18h30

Programa
Beethoven e Tchaikovsky

Departamento de Música ECA/USP
Cidade Universitária - SP
Entrada Franca

Inscrições para o 54º Prêmio Jabuti estão abertas



As inscrições para a 54ª edição do Prêmio Jabuti, um dos mais importantes do país, estão abertas e seguem até o dia 30 de junho, através do site www.premiojabuti.org.br.
Editores, autores, ilustradores, tradutores e produtores gráficos brasileiros podem inscrever obras inéditas, publicadas entre o dia 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2011, desde que tenham inscrição no ISBN e ficha catalográfica.

Os vencedores de cada uma das 29 categorias receberão R$ 3,5 mil. Os títulos de Livro do Ano- Ficção e Livro do Ano- Não Ficcção garantirão ao autor prêmios de R$ 35 mil. No ano passado, as premiações eram de R$ 3 mil e R$ 30 mil, respectivamente.
Em alguma parte alguma (José Olympio), do poeta Ferreira Gullar, e 1822, de Laurentino Gomes, foram os principais vencedores do ano passado.

As 29 categorias do Prêmio Jabuti são melhor tradução, melhor livro de arquitetura e urbanismo, melhor livro de fotografia, melhor livro de comunicação, melhor livro de artes, melhor livro de teoria/crítica literária, melhor projeto gráfico, melhor ilustração de livro infantil ou juvenil, melhor ilustração, melhor livro de ciências exatas, melhor livro de tecnologia e informática, melhor livro de educação, melhor livro de psicologia e psicanálise, melhor livro de reportagem, melhor livro didático e paradidático, melhor livro de economia, administração e negócios, melhor livro de direito, melhor livro de biografia, melhor capa, melhor livro de poesia, melhor livro de ciências humanas, melhor livro de ciências naturais, melhor livro de ciências da saúde, melhor livro de contos e crônicas, melhor livro infantil, melhor livro juvenil, melhor livro de romance, melhor livro de turismo e hotelaria e melhor livro de gastronomia.

Da Sacra à Religiosa Um breve olhar na história da música protestante.


A nova concepção litúrgica que pretendiam para a igreja trouxe mudanças que afetaram a hinódia anglicana.
Parte IV

Foram buscar na Idade Média os cantos em latim desconhecidos desde a Reforma. Iniciaram vertendo os textos para o inglês e colocando-os em melodias já familiares. Depois acharam melhor reescrevê-los em inglês, de sorte que pudessem ser cantados nas melodias dos cantos gregorianos a que pertenciam. A restauração de hinos antigos trouxe uma revolução à Igreja da Inglaterra dentro do seu acervo de hinos litúrgicos, com o estudo dos cantos gregorianos e os modos eclesiásticos. Mas as conseqüências do Movimento de Oxford para a música foram mais longe e atingiram inúmeras ordens de mosteiros anglicanos através do treinamento das vozes para o canto coral. Movimentos leigos também prosperaram: a Motet Society, surgida na cidade de Londres em 1841, tendo por secretário e editor E. F. Rimbault, nasceu com a intenção de agrupar coristas desejosos de resgatar para a música litúrgica as obras históricas defendidas pelo Movimento de Oxford.
Em 1852, com o objetivo de tornar conhecidos antigos ofícios, foi publicado The Psalter, or Seven Hours of Prayer, according to the Use of the Illustrious and Excellent Church of Sarum.

Além da redescoberta da música perdida do passado, os responsáveis pelo Movimento de Oxford quiseram ampliar o repertório do canto congregacional, contudo resistiram duramente contra o estilo ornamentado do pietismo, o qual consideravam ofensivo.

Já os puritanos que chegaram às terras americanas em 1620 e que faziam parte de um grupo denominado "Os Peregrinos", que quando aportaram em Plymouth, traziam um saltério adaptado pelo teólogo Henry Ainsworth, o qual possuía diversos salmos metrificados que podiam ser cantados com 39 melodias diferentes, herdadas da antiga edição de Sternhold e Hopkins, de 1562. No entanto, as primeiras dificuldades de se adotar uma hinologia comunitária vieram a tona, pois essa meta não foi de todo alcançada, uma vez que as levas que chegavam à baía de Massachusetts eram agora formadas de gente menos instruída.

Foi então que se introduziu a prática do "ler ou cantar em voz alta", também denominada de "diaconia".

Segundo esse costume, cada verso do salmo era cantado por um diácono e, em seguida, repetido pela congregação, que não sabia ler. Esse procedimento acarretou o desmembramento e a deturpação do canto dos Salmos e ainda influiu para que o culto se alongasse sensivelmente. Como se isso não bastasse, a comunidade foi descobrindo uma forma de adaptar as letras dos salmos às baladas populares, fato facilitado pelo "metro comum" utilizado por oito das 13 melodias do Bay Psalm Book.

As Escolas de canto surgiram da necessidade de se colocar ordem nessa maneira de se cantar os salmos, buscando um retorno à forma mais antiga.

O declínio da salmodia fora fruto da ignorância. Nas congregações, eram muito numerosos os membros que não sabiam a música dos salmos. Portanto, se ensinasse os fiéis a cantar a música corretamente, tal como impressa no saltério, seria possível restabelecer o esplendor dos velhos cantos. Foi dentro desse espírito de reforma que se fundaram pouco depois de 1710 as primeiras Escolas de Canto.

Com a criação das escolas para a reforma do canto nas igrejas, foram redigidos os primeiros livros didáticos de música na América.

Em meados do século XIX, nas igrejas protestantes americanas da linha evangelical, o canto congregacional consistia nos salmos e hinos, que eram cantados sem muito entusiasmo. O canto verdadeiramente refinado ficava sob a responsabilidade dos coros.

Os spirituals foram cantos originários do movimento de avivamento da América do Norte, ocorrido entre 1740 e o final do século XIX. O termo faz parte da expressão spiritual songs, que, nas primeiras publicações americanas, significava os hinos que não pertenciam à categoria dos salmos métricos nem à dos hinos tradicionais sacros.

Chamaram-se white spirituals os cantos com características populares, como os do tipo "balada", e ainda aqueles usados em acampamentos de avivamentos comuns no século XIX, realizados nas áreas onde os colonizadores puritanos se instalaram. Esse tipo de canto originou-se principalmente das reuniões de avivamento.

Os negro spirituals surgiram da necessidade de os escravos negros norte-americanos expressarem-se numa linguagem sutilmente modificada através de palavras com duplo sentido. Privados de uma educação formal e até orientados por pastores brancos a serem subservientes à escravatura, os negros, segregados dos brancos, deram nova significação aos temas religiosos. Assim é que os temas sobre salvação, céu e terra prometida passaram a substituir a emancipação e a liberdade na terra.

Os cantos primavam pela espontaneidade e improvisação. O líder era apoiado por um grupo de cantores "vocalistas". Havia tanta interpolação improvisada que os primeiros editores dos negro spirituals consideravam uma tarefa penosa e até temerária a notação exata desses cantos. A contribuição africana encontrada nos cantos pode ser detectada nas improvisações, na forma "diálogo e resposta" de algumas canções, nos gritos, nas palmas e batidas de pés e ainda em outras manifestações corpóreas resultantes de uma religiosidade altamente emocional, também presentes nas reuniões do Grande Avivamento do início do século XVIII. Alguns dos temas da hinódia de avivamento aparecem retrabalhados, muitas vezes fundindo elementos disparatados, com imagens e vocabulário extraídos da situação vivida concretamente.

Esse estilo marca uma consolidação de uma visão eclesiológica e litúrgica nova, onde a música é o alvo principal do culto, em detrimento ao simbolismo do Ágape Pascal. O centro do culto a partir dos reavivalistas, tinha mudado e agora passava a ser transferido. Onde tínhamos a música como ferramenta (meio) para a adoração, agora o prazer que ela trazia era a sua finalidade.

Assim, a música fora do templo (religiosa) passa a ganhar novamente espaço para concertos e apresentações seculares.

Os negro spirituals espalharam-se pelo mundo todo, graças, principalmente, à fundação de estabelecimentos objetivando a educação da população negra bem como seu treinamento em artes manuais. A Universidade de Fisk, no Tennessee, e o Instituto Hampton, na Virgínia, tornaram-se famosos por suas publicações de spirituals e pela proficiência de um grupo de alunos e alunas no canto de negro spirituals. O conjunto Fisk Jubilee Singers empreendeu viagens internacionais, dando concertos que se tornaram famosos e ajudaram a propagar esse estilo musical. Dando margem ao surgimento do que chamamos hoje de música Gospel (Gospel Songs).

Os termos gospel song e gospel music foram primeiramente usados por P. P. Bliss nos seus livros Gospel Songs, de 1874, e no Gospel Hymns and Sacred Songs, de 1875, este em co-autoria com Ira Sankey. As principais características dessa música eram: texto subjetivo, direcionado aos irmãos; um tema único, enfatizado através de frases que se repetem; um estribilho, cantado após cada estrofe; uso da tonalidade maior, com a harmonia baseada no encadeamento dos graus I, IV e V, em andamento lento; as seqüências rítmicas são rotineiras e há pródigo uso da colcheia pontuada seguida da semicolcheia. Os temas mais recorrentes são: a conversão do indivíduo, a redenção por Cristo, a certeza da salvação e da vida eterna no céu. O caráter musical varia entre o “guerreiro de guerra”, o “didático doutrinário”, o meditativo e o sentimental. O efeito de "eco" pode aparecer entre voz feminina e voz masculina: o soprano e o contralto apresentam o modelo rítmico que vem imitado pelo tenor e baixo logo após a apresentação do mesmo pelas vozes femininas, no tempo seguinte. O idioma popular também serviu para os gospel songs. Muitas das idéias musicais usadas nas canções da Guerra Civil Americana foram re-arranjadas para os gospel.

Música sacra tradicional dos protestantes, em termos de século XX, é entendida como aquela que vem sendo cantada há, pelo menos, duas gerações e cujo estilo musical é aceito pela geração mais velha sem causar perplexidades. Esse estilo de música detém uma percentagem alta nos hinários das denominações cristãs protestantes. Nos principais hinários cristãos evangélicos, essa música vem mais ou menos padronizada seguindo critérios do século passado: a estrutura musical possui uma quadratura formal, com frases metricamente correspondentes; a melodia é reconhecida facilmente e, nos hinários a quatro vozes, vem no soprano; a harmonia segue os princípios da chamada harmonia tradicional, com seus encadeamentos harmônicos girando em torno da tônica, subdominante e dominante do tom principal; o estilo mais constante é o do coral, com uma ou duas enunciações rítmicas para cada tempo musical. O acompanhamento mais usual é feito pelo órgão ou pelo piano. O texto segue os parâmetros do verso medido, com métrica regular e rima. A linguagem ainda segue as tendências do período romântico, herdada diretamente do protestantismo americano, cuja teologia se fundamenta nos avivamentos dos dois séculos anteriores.

27 livros de José de Alencar para download grátis



José de Alencar foi o principal romancista brasileiro da fase romântica. O escritor cearense cursou direito em São Paulo, mas passou maior a parte de sua vida no Rio de Janeiro. O autor se dedicou às carreiras de advogado, jornalista e escritor.

Além de levar essa vida tripla, José de Alencar, assim como seu pai, se dedicou também à política e por diversas vezes foi eleito deputado. Entre os anos de 1868 e 1870 exerceu o cargo de ministro da Justiça.
Sua contribuição para a literatura fica registrada com romances indianistas, históricos, urbanos e regionalistas. Além disso, José de Alencar também escreveu crônicas, críticas e várias peças teatrais encenadas na época, como Mãe.

A produção de Alencar era diversificada e voltava-se para o projeto de construção da cultura brasileira, no qual o romance indianista ganhou destaque, buscando temas nacionais e uma línguagem mais “brasileira”.

Faça o download da obra de José de Alencar:

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Orquestra de Câmara Alemã Do.gma no Masp.


do.gma-Kammerorchester

Na próxima terça-feira, 12 de Junho, a série Música no MASP recebe mais uma atração internacional: a do.gma Chamber Orchestra, orquestra de câmara alemã dirigida pelo violinista Mikhail Gurewitsch. O programa tem obras de Mozart, Mendelssohn e ainda de Arthur Foote, compositor americano relativamente pouco conhecido.

A do.gma-Kammerorchester (Orquestra de Câmara do.gma) foi criada em 2004 pelo violinista Mikhail Gurewitsch, então 'concertmaster' da Orquestra de Câmara 'I Sedici', de Baden Württemberg. Desde então, jovens – mas experientes – músicos de todo o mundo têm se reunido na do.gma, sob a liderança de Gurewitsch, para fazer música de uma maneira moderna. A orquestra vem surpreendendo crítica e público de todo o mundo com seu espírito, com seus frescor e entusiasmo fascinantes e como uma leveza... não dogmática.

Para inspirar os jovens – A orquestra do.gma tem como objetivo levar a música clássica para uma nova geração de ouvintes. E faz isso mantendo-se fiel à música original mas ao mesmo tempo buscando de novas possibilidades interpretativas. O que inclui, por exemplo, todos os seus dezesseis integrantes tocarem sempre de pé.

        A orquestra leva a sério as intenções originais do compositor, mas expande o núcleo artístico da música para poder falar para uma geração mais jovem. O objetivo não é apenas inspirar os jovens, mas também formar novos entusiastas para a música clássica.

        Mais do que um grupo de músicos profissionais que compartilham a mesma visão artística, a do.gma é um conjunto de solistas, que reúne personalidades e as múltiplas experiências musicais de seus integrantes em um som acústico complexo. A tensão entre o impulso de solo e o espírito de grupo dá impulso à criatividade e constitui a substância artística da orquestra de câmara do.gma.

        Todas essas características têm influência direta na escolha do repertório. Os programas dos concertos da orquestra incluem não apenas obras dos períodos barroco, clássico e romântico, mas também peças de compositores contemporâneos, por vezes dos próprios membros da do.gma.

        A música clássica precisa ser "tradicional"? Será que é preciso ter anos de experiência para poder entender a música clássica? "Absolutamente não!", é a resposta que dão Mikhail Gurewitsch e os integrantes da do.gma.

Três obras – Em sua primeira turnê brasileira, o repertório escolhido pela Orquestra de Câmara do.gma para seu concerto na Série Música no MASP inclui três obras:
W. A. Mozart (1756-1791), Divertimento em fá maior para cordas K.138 – Peça de 1772, a terceira de uma série de "Divertimentos", foi escrita em Salzburgo pouco depois de Mozart passar alguns meses em Milão – e por isso acaba expressando traços típicos da música italiana da época.
Arthur Foote (1853-1937), Suíte em mi maior Op. 63 – Escrita em 1907-1908, é a mais famosa peça orquestral de Foote, compositor americano orientado pela tradição romântica europeia que destaca-se pelo fraseado expressivo e pelo lirismo de suas melodias. A obra está gravada no segundo e recém-lançado álbum da orquestra, "do.gma#2 – American Stringbook".
F. Mendelssohn (1809-1847), Sinfonia para cordas N° 12 em sol menor – A última de uma série de doze obras para cordas, escritas entre 1821 e 1823, quando o compositor tinha apenas entre 12 a 14 anos de idade! Mas o jovem Mendelssohn revelava excepcional técnica composicional, evocava mas arriscava já dar um passo além do estilo de mestres como Haydn, Mozart e Beethoven. E mais: demonstrava perceber claramente o potencial da orquestra de cordas.

S E R V I Ç O

Série MÚSICA NO MASP
Sempre às terça-feiras, 12:30 horas
12 de Junho
do.gma Orquestra de Câmara
Mikhail Gurewitsch, violino e direção musical
MASP (grande auditório, 374 lugares)
Av. Paulista 1578, Bela Vista, tels. 3266-3645 e 3266-3569
Quanto: ENTRADA FRANCA
Retirada de ingressos na bilheteria do museu
Duração: ~60 min
Indicação etária: Livre para todos os públicos

Da Sacra à Religiosa Um breve olhar na história da música protestante.


Da Sacra à Religiosa Um breve olhar na história da música protestante.
Parte III


O nível artístico decresceu e a música da igreja ficou sob a responsabilidade de gente menos treinada. Na perspectiva iluminista, só deveria permanecer como música verdadeiramente sacra aquela que pudesse servir à "edificação", significando que essa música devia suscitar reverência em todos os congregados para o culto. O slogan desse período seria "simplicidade e dignidade nobres", para evocar sentimentos de devoção. A simplicidade seria atingida no momento em que todos pudessem ser edificados pela música e não somente aqueles que eram responsáveis por executá-la. Toda música sacra moderna do período deveria conter esse espírito ditado pelo iluminismo, ou seja, possuir um estilo popular e melodioso, como o encontrado nas óperas. Aliás, os coros das óperas de Gluck e Mozart até foram recomendados para o uso da igreja. As fugas, por exemplo, eram consideradas impróprias para a igreja: eram incompreensíveis, não despertavam o sentimento devocional.

Nem sempre, contudo, o ideal de simplicidade em relação à música sacra correspondeu à realidade, mas influenciou fortemente para que algumas práticas fossem adotadas: a cantata acabou por ser suprimida; o canto à capela foi reintroduzido; os coros cantavam corais a quatro vozes, motetos, árias e hinos acompanhados pelo órgão ou instrumentos de sopro; surgiram os conjuntos de trombones. Essa posição antibarroca ainda considerava que os textos próprios para a música na igreja deveriam primar por uma poesia altamente lírica, atendo-se às Escrituras. Possuindo textos próprios, compostos especialmente para os hinos, deveriam evitar os que fossem descritivos e homiléticos, como os das cantatas.

Já no romantismo do século XIX uma característica marcante, consiste na busca dos feitos grandiosos do passado, agora relembrados na música, na literatura, na pintura. Na música, os compositores voltaram-se para as obras de Tallis, Byrd e Palestrina (este apadrinhado pela Igreja Romana). O rei prussiano Frederico Guilherme IV, por exemplo, mandou músicos protestantes a Roma para estudar o estilo da música sacra de Palestrina. Os motetos, salmos e missas do século XVI foram vistos como protótipos da música ideal para a igreja. Esse retorno às glórias do passado fez surgir uma nova disciplina, a musicologia. Outra característica do período foi a atração por tudo o que fosse medieval. J. S. Bach foi revivido como o grande artista da arte musical barroca, graças principalmente aos esforços de Mendelssohn.

O zelo pelas raízes históricas do passado exerceu influência sobre clérigos e professores da Igreja Anglicana, os quais empreenderiam um movimento para restituir a essa igreja a herança de sua tradição litúrgica. Dentro da hinódia da era romântica, floresceu um movimento conhecido como "Hino Poético" ou "Hino Literário", cujo objetivo era fazer com que os hinos veiculassem uma linguagem rica de poesia. Isso aconteceu bem no início do século XIX e inúmeros poetas da língua inglesa quiseram prestar sua contribuição. Com esse movimento para resgatar a boa linguagem literária para os hinos, pode-se dizer que a hinódia, na Inglaterra, tendia para duas direções: para o reavivamento de suas tradições litúrgicas e para o enriquecimento dos textos usados nos hinos, de tal forma que fossem considerados obras literárias.

Foi com “O Movimento de Oxford” que surgem mudanças na hinódia protestante. O Movimento de Oxford nasceu sob a égide de alguns professores da Universidade de Oxford, os quais pertenciam a uma ala da Igreja Anglicana conhecida como Tratadista ou Apostólica. O sermão pregado por John Keble (1792-1866) em 14 de julho de 1833, publicado com o título "Apostasia Nacional", foi o evento que marcou o início do Movimento de Oxford. A ala dos Tratadistas defendia pertencerem a uma seção bastante antiga, cuja origem e autoridade provinham diretamente dos apóstolos e que representava a tradição autenticamente católica, sacerdotal e sacramental da igreja.

Essa ala baseava sua fé em duas revelações: na Bíblia e na autoridade da própria igreja, que seria independente e suprema, razão por que ressentia-se por estar subordinada às regras seculares do Estado. Havia muitas injustiças a serem combatidas, principalmente a questão da distribuição da riqueza da igreja. Um dos objetivos do movimento era restituir à Igreja Anglicana o seu caráter de igreja católica (universal, histórica e apostólica), muito anterior ao movimento da Reforma. Criam que a Bíblia devia ser interpretada de acordo com os escritos dos apóstolos e de acordo com os concílios da igreja realizados entre os séculos IV e VII d.C.

Os líderes do movimento também queriam resgatar uma teologia descompromissada com o que chamavam de "erros" de Roma e com a trivialidade e irrelevância dos reformadores, caminho denominado por John Henry Newman (1801-1890), um dos cabeças do movimento, de Via Media. Essas reformas incluíam também a renovação do clero em relação aos seus deveres e à sua espiritualidade, pois muitos não estavam levando a sério essas responsabilidades. Aliado à preocupação com a decadência material e espiritual de muitas paróquias, havia o anseio de restaurar a liturgia, com a Eucaristia sendo colocada como parte central do culto. Com isso queriam evangelizar as massas, atingindo principalmente a população pobre que sofria as conseqüências da Revolução Industrial.




(Continua)