quarta-feira, 17 de julho de 2013

A música de Mozart, ou Quantidade com Qualidade


 
Wolfgang Amadeus Mozart , nasceu em 27 de janeiro de 1756, em Salzburg, Áustria. Sua formação musical começou em casa, tendo aulas com o próprio pai, Leopold Mozart, junto com sua irmã mais velha, Maria Anna Mozart (conhecida como Nannerl). Aos cinco anos de idade, Mozart já compunha. As primeiras peças (K. 1-5) foram anotadas no Caderno de Nannerl (o caderno onde Leopold anotava exercícios de música para a filha mais velha).

Em 1762, a família Mozart iniciou uma viagem por boa parte da Europa (entre os anos de 1762 e 1773), e nesta viagem, as crianças Mozart eram apresentadas em concertos como crianças prodígio. Data deste grande tour uma famosa anedota sobre Mozart (registrada em cartas da família), segundo a qual ele, durante uma visita à Capela Sistina, ouviu o Miserere de Gregorio Allegri, uma única vez, e copiou a música, tendo voltado outra vez à capela para corrigir pequenos erros. Ocorre que o Miserere era guardado a sete chaves pelo Vaticano, e quem copiasse a música era automaticamente excomungado. Porém, o feito de Mozart foi tão marcante que lhe rendeu cumprimentos da parte do papa. Datam desta grande viagem as primeiras óperas de Mozart, Mitridate, Re di Ponto (1770), Ascanio in Alba (1771), Lucio Silla (1772), e também o famoso moteto Exultate, Jubilate, K. 165. Deste período também data uma de minhas obras favoritas do compositor, a Missa Brevis K. 65.

Entre os anos de 1773 e 1777, Mozart viveu na Áustria, tendo se empregado como músico na corte do regente de Salzburg. Nesta época, foram compostas inúmeras sinfonias, sonatas, quartetos de cordas, e algumas óperas menores. Neste período, Mozart desenvolveu um súbito interesse por concertos para violino, compondo uma série de cinco (os únicos que ele compôs). Os últimos três, enumerados como K. 216, K. 218 e K. 219 são os mais conhecidos.

Em 1777, Mozart deixou sua posição em Salzburg, e iniciou uma série de viagens a Augsburg, Mannheim, Paris e Munique. Foi nesta época que Mozart apaixonou-se por Aloysia Weber (irmã da futura esposa, Constanze Weber) e é deste período que data a conhecida Sinfonia “Paris” (Sinfonia no. 31), bem como outra de minhas obras prediletas, a Krönungsmesse K. 317 (Missa da Coroação).

No ano de 1781, Mozart retornou a Viena, após o sucesso da ópera Idomeneo em Munique. Com sua chegada em Viena, veio outro grande sucesso como compositor: a ópera Die Entführung aus dem Serail, O Rapto no Serralho. Nesta época, Mozart abandonou sua paixão por Aloysia Weber (que tinha se casado com o ator Joseph Lange) e casou-se com outra das irmãs Weber, Constanze. Desta época data também a amizade entre Mozart e Haydn, conhecido como “Pai da Sinfonia”. Além disto, foi neste período que foram escritas Le Nozze di Figaro (As Bodas de Figaro) e Don Giovanni, parte da bela colaboração entre Mozart e o libretista Lorenzo da Ponte.

E foi no período vienense, em 1784, que Mozart se tornou maçom. Seu ingresso na maçonaria exerceu forte influência sobre sua música, e em 1791, pouco tempo antes de sua morte, ele compôs (com o libretista Emmanuel Schikaneder) a ópera Die Zauberflöte, A Flauta Mágica. Mozart inclusive escreveu um papel, nesta ópera, especialmente para Schikaneder: o papel de Papageno, o caçador de pássaros.

Curiosamente, algumas das obras mais famosas de Mozart datam do último ano de sua vida. Além de Die Zauberflöte, foram compostos nesta época o moteto Ave Verum Corpus e o famoso Requiem, que não chegou a ser terminado pelo próprio Mozart.

Termino com um convite para quem não conhece música clássica, para que aproveitem esta pequena porta aberta e espiem um pouco dentro deste mundo novo. Ou velho, como queiram.

Para quem quiser conhecer mais sobre a obra de Wolfgang Amadeus Mozart, sugiro começar por DVDs das óperas. Há alguns muito bons no mercado. Recomendo particularmente começar pela Flauta Mágica ou pelas Bodas de Fígaro, das quais há bons DVDs pelos selos TDK e Deutsche Grammophon.

5º Festival de Música de Inverno de Rio Claro começa dia 23


 
O já tradicional Festival de Música de Inverno de Rio Claro começa no próximo dia 23, terça-feira. Até o dia quatro de agosto, uma série de apresentações leva ao público vários talentos musicais abordando uma gama diversificada de estilos. As apresentações acontecem no Casarão da Cultura (avenida 3, 568 – centro – esquina com a rua 7) e são gratuitas.

A quinta edição do festival também vai destacar as artes plásticas com a exposição Arte Realista & Ícones da Música, com obras de Ronaldo Ciribelli que retratam importantes artistas musicais.
A abertura da mostra e do festival acontecem às 20 horas, em uma noite que terá várias atrações especiais. Na parte externa, Thalita Gobbo, a VJ Skylar, fará projeções nas janelas do Casarão da Cultura, enquanto a dupla Bruna Pazzeto, no saxofone, e Leandro Algisi, no violino, vão recepcionar o público. Dentro do recinto, o pianista Silas Massini fará a ambientação musical, enquanto os atores da Cia de Teatro Tempero d’Alma vão circular pelo local caracterizados como grandes nomes da música.
Após a abertura, a Banda Moloca Fina apresenta o show “Brasilidades”. O grupo tem no vocal Lizes Cortez, na guitarra Bruce Wilton Tessari, no baixo Everton Nardini e, na bateria, Aaron Thiago da Silva.
Nos demais dias do festival, o cardápio musical será variado, com pop rock, jazz, temas de cinema, homenagens a nomes de peso da MPB e da música internacional, música erudita, música afro-brasileira, samba, música clássica, bossa nova e muito mais. Cada noite será especial e na medida para os amantes da boa música.
Além dos shows no Casarão da Cultua, o Festival de Música de Inverno traz uma série de eventos paralelos. Um deles será a apresentação em asilos, hospitais e centros assistenciais. Também haverá ensaios abertos de alunos da Orquestra Filarmônica de Rio Claro.
O evento é uma realização da Prefeitura por intermédio da Secretaria de Cultura em parceria com a Orquestra Filarmônica de Rio Claro. O patrocínio é da Elétrica Garcia. O evento tem ainda o apoio de Balaio de Gato, Beta-Plan, Espaço Cozinha Restaurante, Fricock, Jog Music, Mundo Color, projeto Música em Cena, Restaurante Jangada e Soul Singer’s Escola de Canto.

Prêmio Artes Digitais e Aplicativos Educacionais


 
O Prêmio Artes Digitais e Aplicativos Educacionais tem o objetivo de incentivar a produção de objetos de aprendizagem aplicáveis à educação (APPLETS), bem como estimular as produções artísticas literária, plástica, fotográfica, cinematográfica e outras elaboradas em ambientes digitais off e on-line. Trata-se de um desafio à criatividade de desenvolvedores de programas computacionais, literatas, webdesigners, fotógrafos, cineastas e outros artistas que produzem objetos para fins de aprendizagem específica mediada por dispositivos computacionais (desktop, notebook, tablet, smartphone) e obras para a contemplação artístico-estético-educativa que podem ser acessadas em ambientes digitais. Inscrições até 30 de agosto.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Projeto tem 20 vagas gratuitas para jovens músicos de Piracicaba, SP


 
O projeto jovens músicos, de Piracicaba (SP), oferece 20 vagas gratuitas para alunos (iniciantes ou não) interessados em aprender instrumentos musiciais: violino, viola erudita, contrabaixo acústico, trompete, trombone, flauta, clarineta e fagote. Estão abertas ainda vagas para músicos que desejam integrar a Orquestra Filarmônica Jovem da cidade. As inscrições devem ser feitas de 17 a 31 de julho.
As aulas gratuitas e as apresentações da orquestra são atividades culturais realizadas pelo Ministério da Cultura e Associação Amigos da Música de Piracicaba (AMPI), através da Lei Rouanet. O projeto e a orquestra são coordenados pelo maestro Anderson Oliveira, que destaca a equipe de professores altamente qualificada.
“Os alunos terão a oportunidade de estudar com professores de alto nível, como o violinista Claudio Mahle, formado na escola superior de música de Detmold, na Alemanha, e Emerson Teixeira, trombonista solista da Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo (USP)”.
Além do aprendizado semanal, os alunos participam de aulas especiais com professores convidados, de renome internacional, como o violinista Pablo de León, atual spalla das orquestras e do Teatro Municipal de São Paulo e Sinfônica Brasileira.
Os aprendizes de música erudita aprenderão ainda com os professores convidados Renato Bandel (viola), formado na academia da Orquestra Filarmônica de Berlim, e Wilson Sampaio (violoncelo), que atualmente é spalla da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).
De acordo com o maestro Anderson Oliveira, o projeto jovens músicos visa levar a música erudita às pessoas que têm pouco acesso. “O mais importante é a democratização cultural, a promoção social de crianças e jovens, mas, claro, com formação de alto nível.”
Orquestra
Para integrar a Orquestra Filarmônica Jovem de Piracicaba - uma oportunidade para aprender repertório orquestral e trabalhar leitura avançada -, o projeto inscreverá músicos que tocam violino, viola erudita, violoncelo, contrabaixo acústico, clarineta e fagote.
Os interessados em fazer aulas ou integrar a orquestra devem ter idade até 29 anos e inscrever-se no site www.filarmonicajovem.com.br ou pelo telefone (19)

Avaliação
O teste para iniciantes será feito por meio de entrevista. Os iniciados inscritos para a orquestra deverão apresentar um trecho de uma obra sinfônica, indicado pelo projeto, leitura de partitura e uma peça de livre escolha.

Músicos da Orquestra Sinfônica de Campinas ameaçam greve


O protesto dos músicos da Orquestra Sinfônica de Campinas demonstra o descontentamento deles com o prefeito de Campinas Jonas Donizette (PSB). No domingo (14/07), eles se apresentam com a dupla Chitãozinho e Xororó, na Praça Arautos da Paz. Porém, prometem cruzar os braços a partir da próxima segunda-feira, dia 15/07.

Eles disseram que apostaram tudo no peessebista e, após vencido o prazo de pouco mais de seis meses, eles decidiram materializar a insatisfação, já que o prefeito não atendeu a nenhuma das reivindicações protocoladas em janeiro deste ano.
Segundo eles, grande parte dos músicos apoiou Jonas como candidato a prefeito nas eleições do ano passado. “Muitos de nós usamos durante a campanha eleitoral do ano passado broches do Jonas como candidato. Nossa esperança era a de que ele iria investir na Orquestra e em seus músicos. Mas o que estamos vendo são salários defasados e falta de infraestrutura”, disse um músico. “Historicamente os músicos só apoiaram candidatos em duas ocasiões. Na candidatura do Toninho e na do Jonas. Tocar sobre as condições mínimas já virou nossa realidade. Só lutamos quando as coisas estão bem feias”, disse um outro músico.
O porta-voz dos músicos, Carlos Coradini, disse que os músicos reivindicam melhoria salarial e boas condições de trabalho. Para reclamar ele lança mão de comparações. Segundo ele, um músico de fileira que atua em Minas Gerais, por exemplo, recebe por volta de R$ 9,6 mil de salário. Na Osesp, o valor é de R$ 14 mil – incluído ajuda de custo e seguro dos instrumentos. “Não há outro jeito a não ser protestar. Abrimos uma exceção para tocarmos no aniversário de Campinas, mas na segunda vamos cruzar os braços”, prometeu Coradini.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura informou que o secretário de Cultura, Ney Carrasco, está aberto para conversas. E que, na medida do possível, tem atendido às demandas dos músicos.

Quinteto BrassUka realiza apresentação musical divertida no Teatro Humboldt


 
O Teatro Humboldt, localizado em Interlagos, recebe no próximo dia 26 de julho, a partir das 21h, o Quinteto BrassUka que, em uma apresentação irreverente e divertida, mostrará ao público que os instrumentosde metais não são apenas para acompanhar instrumentos de corda. O quinteto promete encantar o visitante com seu repertório, que vai desde música clássica até canções populares e folclóricas. A atração musical faz parte do projeto “Sexta de Cultura” e o ingresso custa apenas 1kg de alimento não perecível.

Em seu repertório, o Quinteto apresenta obras que abrangem todos os períodos da música ocidental, desde músicas tradicionais a composições contemporâneas. Além disso, já realizou concertos em importantes lugares eeventos de São Paulo, como a Sala São Paulo, o Museu da Casa Brasileira e a SérieMúsica no MASP. Suas apresentações são marcadas pela sutileza e harmoniaconseguida no encontro de trompetes, trombone e trompa, algo jamais esperado devido à força desses instrumentos. O grupo é formado por Eder Tavares(Trompa), Marcos Tudeia (Tuba), Moisés Américo (Trompete), Pedro Santos(Trompete) e Tiago Azevedo de Araújo (Trombone).
Asapresentações do projeto “Sexta de Cultura” acontecem duas vezes por mês, sempre às sextas-feiras, a partir das 21h. O Teatro Humboldt, que estálocalizado na Avenida Engenheiro Alberto Kuhlmann, 525, Interlagos, disponibiliza acesso a portadores de necessidades especiais e oferece estacionamentogratuito.
Maisinformações podem ser obtidas pelos telefones 5686-4741 e 5686-4055, peloe-mail

-->teatrohumboldt@humboldt.com.br -->Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. -->ou pelo facebookhttp://www.facebook.com/teatrohumboldt.
Serviço:Show
Ingressos*: 1 quilo de alimento nãoperecível
Local: Teatro Humboldt (Av. Eng.Alberto Kuhlmann, 525 – Interlagos, São Paulo)
Data: 26/07/2013
Horário: 21h
Duração: 70 minutos
Capacidade: 432 lugares
Acesso aportadores de deficiências.
Estacionamentogratuito
Indicação etária:livre

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Museu Afro Brasil contrata educadores


O Museu Afro Brasil, em São Paulo, procura duas pessoas para atuarem como educadores. Os profissionais contratados deverão ter formação superior em Artes, Pedagogia, Ciências Sociais, Antropologia, História ou Filosofia.

Selecionados deverão atender o público do museu, organizar eventos e cursos educativos, orientar funcionários, realizar pesquisas, entre outras atividades. A instituição oferece plano de saúde e odontológico, vale-refeição, vale-alimentação e vale-transporte.

Pessoas interessadas devem enviar o currículo para curriculo@museuafrobrasil.com.br.

Mais informações no site do Museu Afro Brasil

Textos de Pablo Neruda gratuitos

Site da Universidad de Chile disponibiliza poesias e até áudios com leituras feitas pelo escritor para consulta online

Em 12 de julho de 1904 a literatura ganhou mais um ícone a ser lembrado pela capacidade de transcrever sua sensibilidade e humanismo. Nascia nesta data Pablo Neruda, poeta chileno que dedicou seus dias a arte de escrever e às relações diplomáticas em países como França e Espanha.

Ganhador do Prêmio Nobel de 1971, Neruda transitou entre o amor e a guerra. Autor de obras como “Crepusculário” – escrita em 1923 – e “España en el corazón”, de 1937, inspirado na Guerra Civil Espanhola, os trabalhos retrataram momentos importantes de sua vida. Pablo faleceu pouco tempo depois de ter sofrido com perseguições políticas, no dia 23 de setembro de 1973.

Para aqueles que ainda não conhecem a poesia do chileno ou têm saudades delas, uma dica: o site da Universidad de Chile traz alguns textos e até áudios com narrações feitas pelo próprio escritor para consulta online e gratuita.

10 Dicas para Ler Mais e Melhor

O assunto “leitura” tem ocupado minha mente nos últimos tempos. Por isso achei que poderia ser útil montar uma lista de dicas para ler mais e melhor. Espero que vocês considerem úteis.

Leia - Começamos com o óbvio: você precisa ler. Mostre-me uma pessoa que mudou o mundo e que gastou seu tempo assistindo televisão e eu lhe mostrarei mil que preferiram gastar seu tempo lendo. A menos que ler seja sua paixão, você precisa ser muito criterioso em separar tempo para ler. Você talvez precise se forçar a isso. Estabeleça um objetivo que seja razoável para você (“Vou ler três livros este ano” ou “Vou terminar este livro antes do fim do mês”) e trabalhe para concretizá-lo. Separe tempo diariamente ou todas as semanas e tenha a certeza de que realmente irá pegar o livro durante esses momentos. Encontre um livro que trate de algum assunto de particular interesse para você. Você pode até achar benéfico encontrar um livro que parece interessante – um belo livro com uma capa atraente. Ler é uma experiência e a experiência começa com a aparência e a impressão que o livro causa. Portanto, encontre um livro que aparentemente lhe agrade e comece a lê-lo. E quando terminar, encontre outro e faça tudo novamente. E mais uma vez.

Leia Amplamente – Estou convencido de que uma das razões para que as pessoas não leiam mais do que lêem é que elas não variam suficientemente a sua leitura. Qualquer assunto, não importa quanto ele lhe interesse, pode começar a tornar-se árido se você focalizar toda sua atenção nele. Portanto, leia amplamente. Leia ficção e não-ficção, teologia e biografia, atualidades e história. Certamente você desejará focalizar a maior parte da sua leitura em uma área particular, e isso é saudável e bom. Mas assegure-se de variar sua dieta.

Leia Metodicamente – Da mesma forma que lê amplamente, assegure-se de ler metodicamente. Escolha seus livros cuidadosamente. Se você for negligente em fazer isso, corre o risco de perceber que ignorou uma determinada categoria por meses ou anos a fio. Al Mohler, ele mesmo um leitor voraz, divide os livros em seis categorias: Teologia, Estudos Bíblicos, Vida da Igreja, História, Estudos Culturais, e Literatura e tem permanentemente algum projeto em cada uma dessas categorias. Você pode estabelecer suas próprias categorias, mas tente assegurar-se de está lendo alguma coisa em todas elas de forma regular. Escolha livros que se ajustem em cada uma dessas categorias e planeje sua leitura de antemão. Assim você saberá qual livro será o próximo. Freqüentemente, a expectativa pelo próximo livro é uma força motivadora para completar o atual.

Leia Interativamente – A leitura é mais bem executada, pelo menos ao desfrutar de livros sérios, quando você trabalha duro para entender o livro e quando interage com os argumentos do autor. Leia com uma caneta marca-texto e um lápis na mão. Faça perguntas ao autor e espere que ele as responda ao longo do texto. Rabisque notas nas margens, escreva perguntas por toda a contra-capa, e volte freqüentemente a elas (e, se as perguntas permanecerem sem resposta, tente até mesmo entrar em contato com o autor!). Realce as porções mais importantes do livro, ou aquelas para as quais você pretende retornar depois. Como diz Al Mohler, “Livros são para serem lidos e usados, não para serem colecionados e mimados.” Eu descobri que escrever críticas sobre os livros que li é uma forma preciosa de retornar, pelo menos mais uma mais vez, ao livro para ter certeza de que eu entendi o que o autor estava tentando dizer e como ele disse. Portanto, interaja com esses livros de forma a torná-los seus.

Leia com Discernimento – Apesar dos livros terem um incrível poder para fazer o bem, desafiar, fortalecer e edificar, eles também têm grande poder para fazer o mal. Já vi vidas serem transformadas por livros, mas também já vi vidas serem esmagadas. Por isso tenha certeza de que lê com discernimento, sempre comparando os livros que lê com o padrão das Escrituras. Se você encontrar um livro que é particularmente controverso, pode valer à pena procurar uma análise que interaja criticamente com os argumentos ler com uma pessoa que entenda melhor os argumentos e suas implicações. Você não precisa temer livros ruins desde que leia com um olho crítico e com um coração cheio de discernimento.

Leia Livros Pesados - Pode ser intimidador encarar algumas dessas obras volumosas ou séries de volumes que repousam em sua estante, mas certifique-se de arrumar tempo para ler alguns desses trabalhos mais sérios. Uma pessoa só pode crescer um certo tanto enquanto se mantiver em uma dieta de livros sobre Vida Cristã. Enverede por um pouco de Jonathan Edwards ou João Calvino. Leia a Teologia Sistemática de Grudem ou a série “No Place for Truth” de David Wells. Você certamente os considerará vagarosos, mas também verá o quanto são recompensadores. Comprometa-se a ler algum desses volumes pesados como uma parte regular da sua dieta de leitura.

Leia Livros Leves - Enquanto livros densos deveriam ser a dieta principal de um leitor sério, não há nada errado em dar um tempo para ocasionalmente desfrutar um romance ou uma leitura leve. Depois de ler dois ou três bons livros, permita-se ler qualquer outra coisa como um Clancy, Grisham ou Peretti, que nunca mudou a vida de quem quer que seja. Deixe-se levar por alguma boa história de quando em quando. Você perceberá que elas te refrescam e te preparam para ler o próximo livro pesado.

Leia Livros Novos – Fique de olho no que é novo e popular e considere a leitura daquilo que outras pessoas em sua igreja ou sua vizinhança estão lendo. Se “O Segredo” estiver vendendo milhões de cópias, considere a sua leitura de forma que você saiba o que as pessoas estão lendo e assim você pode tentar discernir por que as pessoas estão lendo algo assim. Use seu conhecimento desses livros como uma ponte para falar com as pessoas sobre os livros delas e o que as leva a lê-los. Use seu conhecimento desses livros para saber o que outros cristãos estão lendo e entender o porquê dessa leitura.

Leia Livros Antigos - Não leia só livros novos. Não tenho como dizer isso melhor do que C.S. Lewis: “É uma boa regra, depois de ler um livro novo, nunca se permitir outro novo até que se leia um antigo entre os dois. Se isso for demais para você, então leia um velho pelo menos a cada três novos. Toda era tem sua própria perspectiva. Esta é especialmente boa para ver certas verdades e especialmente sujeita a cometer certos erros. Nós todos, portanto, precisamos dos livros que corrigirão os erros típicos de nossa própria era. E isso aponta para os livros antigos”. Portanto, leia livros antigos, não importando se isso significa os clássicos ou se são simplesmente livros de uma geração ou duas antes da sua. E certifique-se de ler história também, já que não há melhor maneira de entender o hoje, do que entendendo o ontem.

Leia o que seus Heróis Leram – Há dois anos, enquanto eu estava na Shepherds’ Conference, um jovem que estava envolvido no ministério, mas que não tinha tido a oportunidade de freqüentar um seminário, perguntou a John MacArthur o que ele lhe recomendaria para que pudesse continuar a aprender e crescer no seu conhecimento de teologia. A resposta de MacArthur foi simples. Ele disse que esse pastor deveria encontrar homens piedosos que ele admira e ler o que eles leram. Portanto, faça isso! Encontre as pessoas que você admira e leia os livros que mais as transformaram. Compilei uma pequena lista em Discerning Reader. Apesar do conteúdo ser ainda um pouco escasso, espero poder acrescentar mais algumas listas em breve. Mesmo em sua forma atual este pode ser um bom ponto de partida para você.
Tim Challies

MinC lança edital de cinema para mulheres


 
O governo federal anunciou nesta terça-feira (2/7) abertura de edital para financiar a produção de filmes assinados e dirigidos por mulheres.

O Edital Carmen Santos Cinema de Mulheres 2013 atende à demanda da sociedade civil para incentivar políticas públicas transversais para as mulheres e cultura e visa destacar a produção cinematográfica feita por elas, além de reconhecer o trabalho de diretoras e técnicas no universo audiovisual brasileiro.

A premiação será dividida em curta e média-metragem. Para cada uma das 10 obras de até cinco minutos selecionadas, o prêmio será de até R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais). E para as seis obras audiovisuais de 26 minutos selecionadas, a proposta é de até 90.000,00 (noventa mil reais).

Podem participar pessoas físicas, mulheres, brasileiras natas ou naturalizadas, que se apresentem obrigatoriamente como diretoras, sendo facultativo o acúmulo de outras funções.

Os projetos podem ser de ficção, documentário ou conter técnicas de animação. A temática deve abordar a construção da igualdade entre mulheres e homens, os direitos da mulher e a cidadania. Os conteúdos devem levar em conta a diversidade das mulheres nos meios urbano e rural.


Mais informações no site do Ministério da Cultura.
 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo


Frank Shipway – regente
Christian Poltéra – violoncelo

Programa
Elgar e Walton

13.07 – sábado – 16h30
Sala São Paulo
Praça Julio Prestes, s/n
São Paulo – SP
Ingressos: R$ 28 a R$ 160

Orquestra Sinfônica Municipal


Alexander Vedernikov – regente
Paul Meyer – clarinete

Programa:
Mozart – Concerto para clarinete

13.07 – sábado – 20h00
Teatro Municipal de São Paulo
Praça Ramos de Azevedo, s/n
São Paulo – SP

Ingressos: R$  20 a R$ 60

Orquestra Filarmônica de São Caetano do Sul


Sérgio Assumpção – regente
Emmanuele Balbini – violino

Programa
Wagner e Brahms

13.07 – sábado – 20h30
Teatro Municipal Paulo Machado de Carvalho
Al  Conde do Porto Alegre, 840
São Caetano do Sul – SP
Estacionamento gratuito

Entrada Franca

OSB – Ópera & Repertório e Pacific Boychor (EUA)


Roberto Tibiriça – regente

Programa
Mozart – Requiem K 626

13.07 – sábado – 16h00
Teatro Bradesco
Shopping VillageMall
Av. das Américas, 300
Barra da Tijuca – RJ

Ingressos: R$ 60 a R$ 100 

Como arrumar um estágio em três passos


Querer, apenas, não basta para conseguir um estágio. Ele dificilmente cairá do céu, caso você fique esperando sentado. Saia da zona de conforto e lembre-se que você não é o único a desejar um lugar ao sol:
a concorrência é grande.

Por isso, é muito importante preparar-se com dedicação para os processos seletivos em que participar. Não existe fórmula infalível. Porém, o caminho das pedras é relativamente simples, desde que percorrido com a devida importância e atenção.

Ao seguir os três passos que mostraremos a seguir, suas chances de ingresso ao tão desejado estágio aumentarão significativamente:

Primeiro passo: Monte um currículo caprichado

Lembre-se que a primeira impressão é a que fica. Seu currículo, o cartão de visitas de seu perfil profissional. Sendo assim, todo o cuidado ao montá-lo é de suma importância.

Imagine que o recrutador irá visualizar uma série de currículos além do seu. Por conta disso, é importante que ele seja sucinto, informativo e organizado para, sobretudo, chamar a atenção do recrutador.

- Sucinto, ao se estender por no máximo duas páginas:

A máxima “menos é mais” é de grande valia na hora de montar seu CV.

Evite frases como “tenho muita força de vontade, sou organizado, tenho facilidade em trabalhar sob pressão”. Ou você realmente acredita que o recrutador vai se basear somente no seu currículo para saber se você é ou não uma pessoa que sabe lidar com pressão?

- Informativo, por conter todas as informações essenciais:

Caso tenha experiência profissional, especifique o período (ex.: Março 2010 – Fevereiro 2011) em que permaneceu no cargo, bem como quais atividades você exerceu no mesmo. Lembre-se, porém, que a máxima
“menos é mais” continua valendo. Seja sucinto ao descrever as atividades.

Se você não possui experiência profissional, cite grupos de pesquisa em que já participou, trabalhos acadêmicos e até mesmo trabalhos voluntários.

Além disso, coloque pelo menos três meios para que o entrevistador entre em contato com você: e-mail, telefone fixo e celular. Lembre-se que a concorrência é grande e o recrutador não vai ficar perdendo
tempo, tentando inúmeras vezes e ao longo de dias, estabelecer a comunicação com você.

- Organizado, para facilitar a leitura de quem o está lendo:

O cuidado vai desde a fonte utilizada, layout do currículo, até a ordem das informações apresentadas: Informações pessoais, Formação Acadêmica, Experiência Profissional e, por último, Cursos Extracurriculares.

As fontes mais indicadas são: Courier, Arial, Verdana e Lucida Sans. O tamanho dependerá da fonte e deverá estar entre 10 e 13, no máximo.

Segundo passo: envie seu currículo para o máximo de vagas possível

Tenha em mente que procurar um estágio tem tudo a ver com estatística!

Para que você consiga uma entrevista, será necessário enviar seu currículo para uma série de vagas anunciadas. Para ser aprovado, provavelmente você deverá participar de mais uma série de entrevistas.

Faça a matemática e você perceberá que, neste caso, “quanto mais, melhor”. Não seja inflexível, mande seu CV para o máximo de vagas que tenham a ver com o seu perfil, mesmo aquelas que você acredita que não
sejam “tão legais”. Você poderá se surpreender no momento da entrevista.

Terceiro passo: prepare-se para a entrevista

Não se atrase de jeito algum! Tenha respeito pela agenda da pessoa que o entrevistará. Caso algum imprevisto aconteça, entre em contato o mais breve possível com o entrevistador. Isso demonstrará que você
continua interessado na vaga e, mais importante, que é responsável, qualidade extremamente valorizada pelas empresas. Provavelmente, o entrevistador agendará uma nova data para a entrevista.

Além disso, é importante conhecer um pouco mais sobre a empresa antes de ir à entrevista. Obviamente, não é necessário que você decore todas as informações disponíveis. Porém, este conhecimento reforçará que
você está interessado na vaga, além de demonstrar pró-atividade.

Prepare-se! Não tenha vergonha, vale até mesmo treinar na frente do espelho. Perguntas comuns em entrevistas:

- Conte-me mais sobre você;
- Por que você está interessado nesta vaga?
- Por que você se considera apto a vaga?
- Cite 3 qualidades e 3 defeitos;
- Quais são seus objetivos profissionais?

Por fim, lembre-se novamente que a primeira impressão é a que fica. Tenha cuidado com a imagem que você apresentará ao entrevistador:

- No caso dos homens, cabelos penteados e barba feita/bem aparada. Bermuda, camiseta regata e chinelos estão proibidos!
- Cabelos penteados e maquiagem discreta, no caso das mulheres. Prefira esmaltes com cores neutras. Blusas decotas, saia curta e roupas justas estão proibidas!


Boa sorte!

Qual é a cor do som?

James Brown - Sex Machine

Quanto mais alta a frequência, mais complexas serão suas formas produzidas. Essa é a lei da Cimática, explorada pelo cientista suíço Hans Jenny, em 1967. Para ilustrar a teoria, o fotógrafo alemão Martin Klimas usou suas tintas e “coloriu” músicas de Miles Davis, James Brown, Pink Floyd e outras sonoridades.
As cores foram derramadas sobre potentes caixas de som que, no último volume, fizeram vibrar suas formas e tonalidades de acordo com o tipo música.
Em “Ride of the Valkyries” de Richard Wagner, por exemplo, contemplamos ondas de som dispersas e explosivas, como é a natureza da música clássica. Já em “Ascesion” de Jonh Coltrane, as tintas “gritaram” mais uniformes, dando vida e cor ao seu sax tenor.
Assumidamente inspirado no expressionismo abstrato, Klimas reforça uma palheta agressiva através da pintura aleatória e automática dos pigmentos sobrepostos.
O resultado, na íntegra, você confere no site do oficial fotógrafo. Abaixo selecionamos algumas imagens vibrantes, que traduzem o espírito e o estudo dos padrões produzidos por corpos desde Galileu Galilei.


Jimi Hendrix - Ouse Burning

Jonh Contrane - Ascesion

 Ornet Collema - Free Jazz 

Philip Glass - Music whit Ghan



Richard Wagner - Ride of the valkyries



quinta-feira, 11 de julho de 2013

Um afro-nordestino tocando para o mundo


Se o pianista Sérgio Mendes deixou o Beco das Garrafas, no Rio, para fazer sucesso, fama e fortuna com sua adaptação ao gosto americano dobeat brasileiro, nos idos de 60 e 70, o percussionista Naná Vasconcelos saiu de Recife, passou pelo Rio e cumpriu a sina daquele velho slogan da Rádio Jornal do Commercio ("Pernambuco falando para o mundo") ao seduzir o sofisticadíssimo universo cult do jazz consumido (e venerado) na Europa. Tendo acompanhado com seus chocalhos e tambores instrumentistas guindados ao panteão – do intérprete mineiro Milton Nascimento ao saxofonista argentino Gato Barbieri e ao guitarrista americano (de alma mineira) Pat Metheny – e gravado no selo que representou a excelência da música instrumental planetária nos anos 70 e 80, o ECM alemão, ele passou a ser considerado, sem favor nenhum, o melhor percussionista do mundo. Daí, sua opção por morar em Nova York, capital do Planeta. Só que agora ele vive também numa casa na Praia do Janga, na velha Recife de Gilberto Freyre e do "mangue beat", de Francisco Brennand, Ariano Suassuna, Geraldinho Azevedo, Ascenso Ferreira e Alceu Valença.

Naná Vasconcelos é assim mesmo: uma fusion em constante movimento. Da própria pele negra faz atabaques que lhe ressoam na mente e percutem o ritmo de um coração macumbeiro e folião. Seu berço recifense (ninguém nasce à toa numa cidade de cujo calendário turístico consta uma festa chamada "a noite dos tambores silenciosos") remete-o ao remelexo safo e safado do xote, do xaxado e do baião. Sua vocação de globe-trotter e de permanente guardião das tradições do presente fê-lo mergulhar com competência e sensibilidade nos mistérios nem sempre gozosos da vanguarda musical do século 20, particularmente o legado eletrônico de John Cage. Some-se a isso um sorriso absoluto de marfim, sem meios tons, sem peias, sem mais nem menos – e aí já se torna possível entender a beleza, o bulício e sobretudo a alegria sem pudor do CD Minha Lôa, lançado por um selo independente, Fábrica Discos, pernambucano tal e qual ele próprio.

Esse CD é uma visita marcada às raízes de onde se produziu a seiva de que se nutre a verve de um artista consagrado fora de casa, mas que nunca se perdeu no caminho da volta para lá. De saída, o título refere-se ao maracatu rural de Pernambuco (a ópera popular que tanto encanta o dramaturgo paraibano Ariano Suassuna, recifense por adoção): "minha lôa" – esclareceu Naná à repórter Adriana del Ré, do Estadão – significa "minha maneira, o que estou gostando de fazer agora". Um my way de Paul Anka, que Frank Sinatra consagrou, mas bem brasileiro, na medida em que a música eletrônica se mistura com os ritmos nativos, para resistir aos quais não dá.

Sim, porque o último lançamento fonográfico de Naná se assume dançante mesmo, sem subterfúgios – pode claramente se inserir no panorama da Música Pra Pular Brasileira. O "Afoxé do Nego Véio" pisa no barro do chão dos terreiros de candomblé ("E agora nêgo só quer dançar"). No "Forró das Meninas" ("Tira a faca da bananeira, deixa de besteira e vem morar mais eu") assoma o aconchego sem-vergonha de outro tipo de samba – palavra pela qual também se designam os bailes populares no sertão, os forrós.

E, assumindo-se brasileiro até na citação da "Bachiana" do maestro Villa-Lobos (na faixa "Curumim"), o CD não seria completo sem carnaval – marcando ponto no maracatu "Caboclo de Lança" ("é rural, é o baque solto abrindo caminho para a capital") – e sem futebol. A canção entre as 12 que o abre chama-se exatamente "Futebol" e chora a arte que se perdeu na relva num refrão-síntese: "Não deixe o futebol perder a dança". Só que, como tudo o que Naná faz é prático, esse manifesto, que seria assinado por todos os fãs nostálgicos de Zizinho, Garrincha, Didi, Pelé, Tostão e Zico, não pára na teoria. Ao reproduzir a narração radiofônica de lances de uma partida do ludopédio, o autor mostra que, apesar de bretão de origem, esse esporte não pode ser só força nem apenas estratégia & tática, pois é sobretudo ginga, ou seja, música mais dança.


Bem, é aí que o ouvinte chega ao xis da questão: em Naná Vasconcelos tudo é música e tudo é dança. Por isso, a homenagem nostálgica que faz aos tempos do Codona (trio que ele formou com o trompetista Don Cherry e o baixista Collin Walcott, ambos de jazz, e que gravou um disco antológico) – ao registrar duas vezes o "Don's Rollerskates", de Don Cherry, sendo a segunda, a que encerra o CD, remixada pelo conterrrâneo DJ Dolores – mostra que o Brasil também fica na África e o Saara chega até o Nordeste. Pelo menos no universo musical, rítmico e dançante desse afro-nordestino feliz, que toca para fazer o mundo dançar.

O prazer, origem e perdição do ser humano


A incansável necessidade de aprender para, depois, transmitir de forma límpida e elegante o que conseguiu captar ao maior número possível de pessoas levou o jovem Octavio Paz a abordar o Marquês de Sade ainda nos anos de sua juventude. O curioso e o objeto de sua curiosidade têm entre si duas semelhanças fatídicas: ambos foram escritores importantes no panorama da cultura universal, cada um no seu tempo, cada um com seus temas.

Mas duas fatalidades separam os dois de forma irremediável e para sempre. Apesar de ter sua obra divulgada, a ponto de se haver tornado um adjetivo (de seu título deriva a família de vocábulos que definem o prazer auferido da dor, sadismo, sádico, etc.), o francês continua sendo um escritor mal lido. Não propriamente por ser um mau escritor, mas, certamente, por escrever de forma tortuosa e complexa. Ler Sade não é uma tarefa propriamente sádica, mas, sobretudo, masoquista – seus textos, engendrados numa língua, a francesa, apropriada aos apuros da elegância estilística, prometem as delícias do prazer físico e terminam entregando as penas da dor espiritual. Já Octavio Paz, mesmo escrevendo no idioma barroco por excelência, o castelhano, escreve com precisão de relojoeiro e estilo de esgrimista. O texto de Sade é turvo e torturado. O de Paz, límpido e harmonioso. Num século de grandes prosadores, não é fácil encontrar quem se lhe ombreie em deleite e profundidade.

O marquês foi um injustiçado – ou, no mínimo, um incompreendido, pois a distância entre o que inspira a tradição oral sobre seus textos e a forma que de fato eles têm produziu uma mitologia que cada vez distancia mais seu leitor da verdade que o autor quis transmitir. Já de Paz não se pode falar assim. Se teve grande brilho, também mereceu extenso reconhecimento, que culminou com o Prêmio Nobel da Literatura. E foi o justiçado Paz quem fez questão de fazer justiça a Sade, dissecando sua obra, revirando seu pensamento pelo direito e pelo avesso e apresentando-o ao leitor da forma que conhece como poucos – simples, mas completa; clara, mas multiforme. O marquês era um homem afável e doce, mas pagou caro pelas perversões que descreveu em seus textos: foi preso e maltratado, um pioneiro entre os mártires perseguidos pela ousadia da liberdade de pensar e expressar seu pensamento por escrito, um habitante do Arquipélago Gulag avant la lettre.

Talvez por haver sido um doce intransigente, o marquês, síntese de todos os devassos, terminou por instigar o pacífico e casto poeta mexicano ao longo de toda a sua trajetória de escritor. Nada melhor do que Paz falando de Paz. Na introdução de Um mais além erótico: Sade, ele deixou registrados três paradas dessa trilha: “Por volta de 1946, descobri a figura de Donatien Alphonse François, marquês de Sade e longínquo descendente de Laura de Sade, cantada por Petrarca. Eu o li com assombro e horror, com curiosidade e desagrado, com admiração e reconhecimento. Em 1947, escrevi um poema entusiástico; em 1960, um ensaio, um exame de suas idéias; em 1986, outro ensaio, uma recapitulação do que sinto e penso de sua pessoa e obra. Este pequeno livro abrange essas três tentativas de entendimento”.

É provável que o próprio poeta, ao lançar o livro de apenas 120 páginas em tipos graúdos sobre manchas gráficas menores do que o padrão, tivesse esgotado o assunto. Mas ele o perseguiu até a confecção, já no fim da vida, de uma obra-prima de mais fôlego e maiores ambições, A dupla chama: amor e erotismo.

Graças à devoção do editor Pedro Paulo de Sena Madureira ao autor (que o levou a lançar no Brasil a única tradução existente no mundo do portentoso ensaio dele sobre Sóror Juana Inés de la Cruz) e ao trabalho competente e também devotado do tradutor Wladir Dupont, que mora no México sem nunca haver deixado o Brasil, é possível traçar um paralelo entre as duas obras. É o caso de dizer que Sade prepara A dupla chama, como este pressupõe a existência do primeiro. No ensaio que dá título ao livro, escrito no México em 1960, Paz já deixou claro haver entendido o que desenvolveria pouco antes de morrer. “A sexualidade”, escreveu, já então, “é geral; o erotismo, singular”.

Segundo o poeta, “o homem imita o caráter complexo da sexualidade animal e reproduz seus gestos graciosos, terríveis ou ferozes porque deseja voltar ao estado natural. E, ao mesmo tempo, essa imitação é um jogo, uma representação. O erotismo é o reflexo do olhar humano no espelho da natureza. Assim, o que distingue o erotismo da sexualidade não é a complexidade, mas a distância”. Para ele, “o ato erótico nega o mundo – nada real nos rodeia, exceto nossos fantasmas”. E mais ainda: “O erotismo não é uma simples imitação da sexualidade – é sua metáfora”.

O que aproximou Paz do marquês foi a descoberta da originalidade do francês, que consiste, em sua opinião, “em ter pensado o erotismo como uma realidade total, cósmica, quer dizer, como a realidade”, produzindo aquilo que ele definiu como “uma utopia ao contrário” (“A sociedade de Sade não é só uma utopia irrealizável; é uma impossibilidade filosófica – se tudo é permitido, nada é permitido”, arremata). Paz o compara a Lucrécio, Havelock Ellis e Sigmund Freud, que, de acordo com ele, “abandona o campo da observação médica para se arriscar na contemplação da vida como um diálogo mortal entre Eros e Tânatos”.

Seria inútil competir em clareza e beleza com Octavio Paz. Mais por isso do que para ceder ao comodismo de simplesmente citá-lo, reproduzo, parcialmente, um parágrafo do miolo desse pequeno ensaio genial, por acreditar que ele resume o verdadeiro entendimento sobre a importância da obra de Sade na crítica sistemática do erotismo, que está presente na criação e na destruição do ser humano.

Ele escreveu: “A supressão da dualidade criação-destruição, melhor dizendo, sua fusão num movimento que as abraça sem suprimi-las é mais que uma visão filosófica da natureza. Heráclito, os estóicos, Lucrécio e muitos outros pensavam da mesma forma. Ninguém, porém, havia aplicado com o rigor de Sade essa idéia ao mundo das sensações. Prazer e dor também são nomes, não menos enganosos que os outros. Essa frase é uma mera variante da moral estóica; nas mãos de Sade é uma chave que abrirá portas condenadas há muitos séculos. Por um lado, meu prazer se alimenta da dor alheia; por outro, não contentes com gozar diante dos padecimentos dos outros, meus sentidos exasperados também querer sofrer. A mudança de signo (o bem é mal, a criação é destruição) se opera com maior precisão no mundo sensual – o prazer é dor e a dor, prazer”.

Isso é verdadeiro e também terrível. No ensaio que escreveu em 1986,Cárceres da razão, Paz foi além: “o prazer é o agente que guia e move os atos e pensamentos dos homens e das mulheres; o prazer é intrinsecamente destruidor”. E no poema mais antigo, O prisioneiro, escrito em Paris em 1947, Paz intuiu o resumo de tudo num verso genial: “O sonho é explosivo. Estala. Volta a ser sol”.


José Nêumanne

Mostra de violão e Concurso Fred Schneiter lançam luz à obra de Sergio Roberto de Oliveira


A X Mostra e o VI Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter, que neste ano acontecerá entre os dias 01 e 04 de outubro, no Conservatório Brasileiro de Musica, no Rio de Janeiro, vão lançar luz também à obra de Sergio Roberto de Oliveira. O compositor carioca, indicado ao Grammy Latino 2012 na categoria Melhor Álbum de Música Clássica com o CD “Prelúdio 21 – Quarteto de Cordas”, terá sua obra “Agitado” (1° movimento de “Umas Coisas do Coração”, indicada ao Grammy Latino 2011 na categoria Melhor Obra de Música Clássica Contemporânea) como uma das peças de confronto, ao lado de “Samba Rosa”, do Fred Schneiter. Além disso, o concurso também vai oferecer o prêmio “Melhor Intérprete da Música de Sergio Roberto de Oliveira” e a X Mostra terá a estréia da sua obra “Tasto” para violão e orquestra de cordas, tendo como intérpretes Luis Carlos Barbieri e a Orquestra Jovem do Conservatório Brasileiro de Música, sob a regência de Ueslei Banus.
A Mostra de Violão Fred Schneiter foi realizada pela primeira vez em 2004. O intercambio com violonistas da América Latina e a regularidade bienal do Concurso são características que tornam o evento cada vez mais tradicional no meio cultural do violão latinoamericano.
Além de Sergio Roberto de Oliveira, a edição deste ano terá como convidados os violonistas Alberto Cumplido (Chile) e Esteban Ojeda (Venezuela), que estará se apresentando ao lado de seu Trio (violão, cuatro venezuelano e marcas). Também estará presente o vencedor do V Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter/ 2011, o sul matogrossense Cyro Delvizio.

CONTATOS
Luis Carlos Barbieri (Diretor da Mostra)
amigosdamostra@gmail.com
Tel.: (21) 2451-5605 / 8308-3337


sexta-feira, 5 de julho de 2013

O Coro de óperas, sua história e suas funções.


Quando os estudiosos da Camerata Florentina, durante uma tentativa de emular o teatro grego clássico, acabaram por criar a ópera, já a inventaram com o coro. Dafne a primeira composição do gênero, com libreto de Ottavio Rinnucini e musica de Jacopo Peri tinha em seu elenco um coro e ninfas e pastores.
Nascido, portanto, com o próprio teatro lírico, durante o carnaval de 1597, o coro de ópera, descendente direto do Khorus do teatro helênico, surgiu com a mesma função dramática do seu bisavô: comentar a ação e eventualmente interpelar os personagens. Quanto ao conjunto de instrumentos, era tão pequeno nas primeiríssimas óperas eu nem merecia se chamado de orquestra.
Mas no período barroco que se sucedeu, enquanto os empresários do teatro pago praticamente forçaram os compositores a eliminar o coro de suas óperas, para economizar o salário dos coralistas (apenas os teatro de corte mantiveram óperas com o coro) as formações instrumentais, a partir de Orfeo (1607), no qual Monteverdi utilizou uma orquestra enorme para a ocasião com 38 músicos, só fizeram crescer.
No final do século XVIII, durante o Classicismo, o coro volta a participar novamente das óperas. No século seguinte o do Romantismo, tanto o coro quanto a orquestra crescem em tamanho e importância, e é impossível criar uma ópera naquele período sem a participação ativas das duas formações.
Em muitas óperas, o grande momento da orquestra acontece antes que a cortina se abra, na execução da abertura. Quanto tem duração longa, a abertura recebe o nome de sinfonia, como acontece na 21ª Ópera de Rossini, La Gazza Ladra (1817), famosa com o rufar dos tambores com que começa. Quando é breve, a peça inicial é um prelúdio, como o que acontece em Maria Tudor (1879) onde Carlos Gomes, baseando=se em Victor Hugo, descreve alguns dos conflitos amorosos da famosa rinha Inglesa. Mas prelúdio também pode significar a cura introdução orquestral usada pelo autor para criar cor local, antes de outros atos que não o primeiro, tal como em La Traviata (1853) onde Verdi reconta a história de A Dama das Camélias de Alexandre Dumas.
Outro destaque da orquestra típico das óperas italianas dos últimos anos do século XIX é o intermezzo, peça sinfônica que, executada pouco antes do fim, serve, como na Cavalleria Rusticana, para aliviar um pouco as tensões que retornarão com violência nos finais característicos das óperas da corrente realista conhecidas por verismo, iniciada juntamente para essa ópera de Mascagnii em 1890.
Uma as missões-padrão dos coralistas em era é representar convidados de festas, como quando cantam “L’Heure s’Envole”, o coro que abre o primeiro ato de Romeu e Julieta (1867), de Gounnod, no esplêndido baile dos Capuletos, ou “D’Immenso Giubilo” entoado pelos convivas que vieram presenciar o casamento de Lucia na obra-prima de Donizetti Lucia di Lammermoor (1835). Em Tannhäuser (1845), quinta das treze óperas de Wagner, o coo d damas e cavaleiros da Turinga medieval, cantando Freudig Begrüssen wir die edle Halle, recepciona os convidados que vêm assistir ao famoso concurso no castelo de Warburg.
Um outro uso frequente para o coro é fazê-lo representar o povo comum em cenas de grande efeito, caso de Carmen (1875) de Bizet, em que a multidão de Sevilha, excitada, se reúne em uma praça para assistir ao brilhante desfile dos toureiros que se dirigem à arena em dia de corrida de touros, cantando “Les Voici!”, e também de Turandot (1926) onde o povo de uma Pequim do tempo das fábulas assiste, apavorado, à execução dos príncipes que falharam em resolver os enigmas propostos pela gélida princesa que empresta seu nome à derradeira ópera de Puccini.
Às vezes os compositores permite que as moças do coral descansem um pouco, criando cenas onde o coro é só masculino, como aquele que os guerreiros gauleses aos gritos de “Guerra!, Guerra!”, se preparam para enfrentar os invasores romanos na Norma (1831) de Bellini. Em certas obras, para criar uma atmosfera evocativa e delicada, o compositor faz o coro cantar fora de cena. É o caso de Puccini em sua Madama Butterfly (1904), onde o vigília da jovem japonesa do título, que permanece toda a noite acordada esperando pela chegada de sue marido americano, ausente há três anos, é descrita pelo coro que canta sem palavras, coma boca fechada, motivo pelo qual essa passagem é conhecida como “Coro a Bocca Chiusa”.
Algumas óperas tem uma ambientação exótica garantida por um coro numeroso, que reforça o efeito das grandes cenas de conjunto desfilando os figurinos com os quais representam grupo étnicos específicos, como os ciganos que entoam “Vedi! Le Foche Noturne Spoblie” o famoso coro dos ferreiros em Il Trovatore (1853) ou de povos de um passado remoto como os egípcios à época dos faraós e os escravos etíopes vencidos na batalha que desfilam durante o segundo ato de Aída (1871).
Ambas as óperas tem suas partituras assinadas pelo Guiseppe Verdi, a quem devemos também passagem coral mais famosa de toda a história da ópera, “Va Pensiero”, de uma beleza singela, profundo em sua simplicidade, este coro em que os escravos hebreus lamentam a invasão de sua terra natal pela Babilônia, no terceiro ato de Nabucco (1842), tornou-se desde a estreia dessa ópera, um dos mais fortes símbolos do movimento de reunificação da Itália conhecido como o Risorgimento.

Sergio Casoy
Programa de Concerto Osesp – Nov. / Dez. 2010