segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Os Provérbios do Inferno de William Blake


Uma das mais perfeitas misturas de artista e visionário, William Blake foi um poeta, pintor, ilustrador e místico do século XVIII e é, acertadamente, considerado um dos maiores artistas de todos os tempos. Foi profundamente religioso, porém sua religiosidade fugia muito ao convencional puritanismo e moralismo de sua época.
Como místico visionário, sua concepção de religiosidade vai muito além da simples e insossa aderência a regras morais e de conduta de um clero preso ao formalismo ritual e, portanto, afastado de qualquer real experiência espiritual. De forma que sua obra muitas vezes assume um caráter transgressor, incompreensível a quem ainda acredita que a vida religiosa e espiritual equivale a seguir regras pré-estabelecidas, destinadas a conformar o homem à moral e aos padrões de conduta vigentes aceitos e politicamente corretos.
A experiência espiritual de fato, não tendo limites temporais, não reconhecesse as regras e os limites artificiais, criados por e para uma determinada sociedade de um determinado tempo. Fato que faz com que todo verdadeiro místico seja sempre, de alguma forma, um transgressor dos padrões da época em que vive. Sua busca e sua vivência espirituais e religiosas devem ir sempre além de seu próprio tempo e de sua própria cultura.

Com William Blake não foi diferente. E sua obra artística, tanto literária quanto plástica, expressa muito bem como sua vivência superava os limites da sociedade em que foi criado. E vai também muito além mesmo da nossa sociedade atual. Não é à toa que sua obra muitas vezes choca a quem se esforça tanto a manter e defender os padrões irrefletidos e irracionais, embora aparentemente lógicos, do nosso mundo. Ler William Blake, e – em especial-, ler os Provérbios do Inferno, talvez seu poema mais famoso, significa se defrontar com um sistema de pensamento que desafia, transgride e supera o nosso próprio. Leia-os com a mente e o coração abertos, reflita sobre eles, sinta sua força e profundidade – e deleite-se…
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