segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

BARTÓK, BÉLA (1881-1945)


BARTÓK, BÉLA (1881-1945) - HÚNGARO – 695 OBRAS

Vida. Compositor e pianista húngaro, nasceu em Nagyzentmiklós, Hungria, (hoje Sannicolau Maré, Romênia) em 25 de março de 1881 e morreu em Nova York, em 26 de setembro de 1945. Aprendeu música e piano com a mãe, a partir dos cinco anos de idade. Aos oito, perdeu o pai. Estabeleceu-se, desde 1894, em Pozsony, atual Bratislava, centro cultural importante, onde fez estudos musicais regulares, embasamento técnico de sua atividade criativa.

Projeção. Realizou, a partir de 1905, em companhia de seu amigo Zoltán Kodály, a pesquisa sistemática da música popular húngara, revelando-a completamente  diversa da que se divulga como tal, ocidentalizada e bastante desfigurada pelos músicos ciganos. Esse levantamento, sempre criterioso e objetivo, daria a matéria-prima fundamental de sua obra, particularmente de 1926 em diante, quando esta amadurece e  adquire feição inteiramente original.

Produção. Anteriores a esse período, não obstante de mérito e importância indiscutíveis, são os Quartetos para cordas nº1 (1908) e nº2 (1915-1917), bem como inúmeras peças para piano, entre as quais o célebre Allegro bárbaro (1911), e a ópera em um ato A Kekszakállu Herceg Vára (1911; O Castelo do duque Barba Azul), cuja rejeição, por parte do público e de organizações musicais da  Hungria, levou o compositor a fundar, juntamente com Kodály e outros autores jovens, a Sociedade Musical Húngara, infelizmente de curta duração.

Seguem-se o bailado A Csodálatos mandarim (1919; O Mandarim milagroso) e as duas sonatas para violino, produções em que a tonalidade se apresenta progressivamente mais livre e se afirma uma forte tendência, expressionista, que se abrandaria na Tranz-Suíte (1923; Suíte de danças), composta especialmente para as festas de celebração do 50º aniversário da união das cidades de Buda e Pest. O trabalho propiciou a admiração de seus compatriotas, se bem que efêmera. A pouca receptividade dos conterrâneos e do público em geral para com as produções mais acentuadamente modernas do mestre húngaro se reduz ao final da primeira guerra mundial, quando suas obras são publicadas e ele se dedica, ainda mais ativamente, à obstinada prospecção folclórica não apenas da Hungria, como da Bulgária, da Eslováquia, da Romênia. Alguns anos depois se inicia a fase de maior fecundidade em toda a sua carreira.

Bartók se encontra, então, em plena posse de suas características e recursos mais notáveis. Sua música adquire uma vitalidade como que atávica, onde as raízes e ressonâncias telúricas, a aspereza dos ritmos, o tom instintivo e bárbaro recebem, todavia, um tratamento de extremo rigor artesanal e severidade nas técnicas adotadas. Virtualiza, recria em novas bases o manancial anônimo e popular, edificando uma linguagem de música erudita que, por um lado, preserva a densidade essencial de um inconsciente coletivo e, de outro lado, se submete a uma disciplinada e vigorosa consciência estética.

Também em 1926 começa a revelar-se um outro aspecto decisivo da personalidade de Bartók: sua vocação pedagógica. O Mikrokosmos, coleção de exercícios pianísticos de dificuldades crescentes, iniciada em 1926 e concluída em 1937, que mereceu de vários autores contemporâneos a denominação de “Cravo bem temperado do Séc.XX”. Nesse trabalho, longe de figurar entre os mais expressivos num período tão fértil da criação bartokiana, explica-se melhor uma das suas extraordinárias contribuições: a de ter filtrado, sintetizado o que de melhor existia, no seu tempo, de técnica e estilística musical. Nesse sentido, fundia a uma longa tradição de música universal os elementos de sua valiosíssima vivência particular, após todo o processo de catalisação cultural a que soube submetê-la.

É de 1934 o Quarteto para cordas nº5, uma de suas obras-primas, a de mais fascinante modernidade, trazendo o clímax da técnica de contraponto que o compositor vinha desenvolvendo, sobretudo nos últimos dois anos. Compõe, nos anos seguintes, tanto a música para cordas, percussão e celesta (1936) como os contrastes para clarineta, piano e violino (1938) e a Sonata para dois pianos e percussão (1937), onde persegue, com grande pioneirismo, uma pureza concreta do som e do instrumento. Da mesma fase é o Concerto para violino (1937-1938), em que a pujança e a delicadeza se contrastam, se completam, a cada  instante, com uma originalidade admirável. Ligeiramente posteriores são o Divertimento para cordas (1939) e o Quarteto de cordas nº6 (1939) precedendo a última etapa da produção de Bartók, vivida na América do Norte.

Autenticamente democrata, recusa-se a permanecer em seu país quando o fascismo se instala no poder. Em 1940 estabelece-se nos E.U.A., compondo suas últimas obras, notadamente o Concerto para orquestra (1943), a Sonata para violino solo (1944) e o Concerto para piano nº3 (1945).

O reconhecimento do valor e da significação de sua obra não o alcança sequer nessa arrancada final em que, precário de saúde e de bens materiais, não deixou de compor e trabalhar no hospital onde morreu. Levaria ainda algum tempo para que o mundo pudesse ver em Bartók, na qualidade de uma invenção e inovação musical poderosamente mergulhada nas raízes de sua terra, na indiferença a todos os modismos, nas novas sonoridades de sua orquestração, assim como no rigor intelectual e na sua estrita honestidade artística, um dos maiores gênios musicais da primeira metade do século, e um dos mais completos de todos os tempos.

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