sexta-feira, 21 de junho de 2013

Em São Paulo, ciclo de debates analisa o sistema das artes e as políticas culturais durante a ditadura


De caráter internacional, o projeto “Arte e Estado” foi contemplado no edital Conexão Artes Visuais/Minc/Funarte/Petrobras
  
O ciclo de debates Arte e Estado: Possíveis Relações entre o Sistema das Artes e as Políticas Culturais no Período da Ditadura Civil-militar Brasileira será realizado de 25 a 28 de junho, a partir das 19h, no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista.
O encontro propõe discussões em torno da relação dos diversos agentes das artes visuais e o estado autoritário no contexto latino americano, com ênfase no regime ditatorial brasileiro. “Nosso objetivo é aprofundar e reavaliar certas asserções que relacionam a arte contemporânea e seus principais agentes à ditadura civil-militar brasileira, especificamente às políticas públicas de fomento e difusão cultural implementadas no período de 1964-1985 e à apropriação da memória desses anos de chumbo como tema central de poéticas artísticas contemporâneas”, afirma Fabrícia Jordão, idealizadora do projeto.
Partindo dessa perspectiva, o ciclo de debates Arte Estado se propõe a atualizar a discussão em torno dessa contraditória e complexa relação histórica e política, que a arte contemporânea mantém com poder/estado brasileiro desde a instauração da ditadura até os dias de hoje.
O Artista e o Estado Autoritário (25/06), Produção Artística e o Estado Autoritário (26/06), Arte, Ditadura e Feminismo (27/06) e Arte Contemporânea e o Estado Autoritário (28/06) são os temas que compõem as mesas de debates.
Entre os debatedores estão o pesquisador Marcos Napolitano (USP); o artista multimídia Paulo Bruscky; as pesquisadoras Dária Jaremtchuk (USP) e Vivian Braga (USP); os artistas Janaína André, Marta Penner, Fulvia Molina, GOTO e Sebastião Oliveira Neto; e as artista e pesquisadoras Gabriela Leirias, Rosa Blanca, Lina Arruda e Ana Paula Simioni. Também participam como convidadas a artista, pesquisadora e curadora independente María Inígo Clavo (Espanha) e Nadia Carolina Golder, que representa o Grupo de Arte Callejero (Buenos Aires).
A coordenação é de Fabrícia Jordão, Mestre em Artes Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).
Confira a programação.

Dia 25 de junho
Mesa 1 – 19h

O Artista e o Estado Autoritário
A atuação e produção de diversos artistas durante o regime civil-militar brasileiro (1964-1985) continuam sendo explicadas por meio da polaridade resistência-cooptação, favorecendo uma análise superficial de uma complexa relação em que parte significativa da cultura de oposição foi apoiada pela política cultural do regime sem sucumbir à sua ideologia.
Diante da necessidade de aprofundar essa discussão, a mesa se propõe a refletir sobre a relação do artista com o estado autoritário.  Foram convidados o pesquisador Marcos Napolitano (USP), o artista multimídia Paulo Bruscky e a pesquisadora Dária Jaremtchuk (USP), que fará a mediação.

Dia 26 de junho
Mesa 2 – 19h

Produção Artística e o Estado Autoritário
A produção artística brasileira, durante o período ditatorial, foi marcada por trabalhos de caráter eminentemente experimental. Que aliavam questionamentos em torno do sistema, natureza e função da arte a outros em torno do contexto cultural, social e político brasileiro durante a ditadura militar brasileira. Esse processo culminou, dentre outros, com o estreitamento das relações entre arte e política. As transformações instauradas pela arte experimental brasileira nas décadas de 1960/1970 serão tensionados por uma vertente de coletivos artísticos que surgem após a abertura política, culminando com uma prática/produção na qual ativismo político/social e arte não se dissociam.
Participam como convidados o Coletivo de Arte ENTORNO (Brasília), representado pelas artistas Janaína André e Marta Penner; os artistas GOTO (integrante dos Coletivo EPA e E/Ou) e Sebastião Oliveira Neto (integrante do grupo OCUPEACIDADE);  a artista e pesquisadora Gabriela Leirias e a artista, pesquisadora e curadora independente, especialista em arte brasileira, María Inígo Clavo (Espanha).

Dia 27 de junho
Mesa 3 – 19h
Arte, Ditadura e Feminismo

Essa mesa propõe indagações acerca da contribuição da arte feminista e queer para o estreitamento das relações entre arte e política a partir do final da década de 1960, no Brasil e nos Estados Unidos.  Abordando os temas da representatividade (presença e ausência de mulheres artistas no campo artístico institucional), da representação e da auto-representação (imagens produzidas por mulheres, lésbicas e representações queer), os debates compreenderão os múltiplos aportes das proposições artísticas feministas e feitas por mulheres considerando-se as transformações do sistema, natureza e função da arte e atentando também para seus efeitos no âmbito sócio-cultural, especialmente seus potenciais desestabilizadores dos valores heteronormativos. Participam as pesquisadoras e artistas profª. Dra. Rosa Blanca, Lina Arruda e a profª. Dra. Ana Paula Simioni.
Dia 28 de junho
Mesa 4 – 19h
Arte Contemporânea e o Estado Autoritário
Para além de suas intersecções anteriores, a confluência entre artes plásticas e Estado, no que diz respeito aos períodos das ditaduras latino-americanas, é retomada a partir da década de 1990, com um visível aumento do incentivo estatal em financiar exposições de produções contemporâneas, que têm nas memórias relacionadas às ditaduras latino-americanas a temática central de seus trabalhos. Em concomitância, soma-se a isto o aumento da visibilidade de propostas sobre esse viés, para além do limite fronteiriço dos países aos quais as memórias estão, porventura, relacionadas.
Participam o Grupo de Arte Callejero (Buenos Aires), representado por Nadia Carolina Golder; a artista brasileira Fulvia Molina (São Paulo) e a pesquisadora Vivian Braga (USP), a fim de dar continuidade aos diálogos dos diferentes caminhos dessas produções contemporâneas a partir de alguns pontos, dos quais se destaca o seguinte: como abordar essas memórias deflagradas, por vezes de caráter hediondo, na esfera pública?

Sobre  Fabrícia Jordão
Mestre em Artes Visuais (História, Teoria e Crítica de Arte) pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), com pesquisa desenvolvida em torno da atuação do Núcleo de Arte Contemporânea da Universidade da Paraíba no período de 1978 a 1985. Em novembro de 2010, foi premiada na primeira edição do prêmio Estudos e Pesquisas sobre arte e economia da arte no Brasil do Programa Brasil Arte Contemporânea da Fundação Bienal de São Paulo. Paralelo às atividades acadêmicas, desenvolve trabalhos relacionados com a formação continuada de professores de artes visuais, coordenação em projetos educativos, elaboração/produção de materiais didáticos e de projetos culturais. Possui artigos publicados em livros, revistas e anais de eventos da área de Artes Visuais.

Serviço:
Ciclo de debates: Arte e Estado: Possíveis Relações entre o Sistema das Artes e as Políticas Culturais no Período da Ditadura Civil-militar Brasileira
De 25 a 28 de junho de 2013, a partir das 19h
Local: Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade, São Paulo (SP)


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