quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Grave crise no Coral Paulistano do Teatro Municipal de São Paulo

Coral Paulistano e Maestro Tiago Pinheiro

Este ano os corpos estáveis do TMSP estão agitados, depois da crise que culminou no afastamento do Maestro Rodrigo de Carvalho da liderança da Orquesra Sinfônica Munipal, outro corpo estável daquela casa entra em grave crise, desta vez o Coral Paulistano.

Tiago Pinheiro, maestro que recentemente assumiu o cargo de regente titular do Coral Paulistano promoveu nos últimos dias teste para verificação de capacidade técnica individual no grupo de cantores que está sob sua batuta. Tal procedimento é bastante comum, da mesma forma procedeu, por exemplo, o Maestro John Neschling quando incorporou o Coral Sinfônico do Estado de São Paulo a OSESP, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.

Embora comum, este procedimento sempre suscita indignação e descontentamento, principalmente naqueles que recebem uma avaliação negativa sobre sua performance. No caso do Coral Sinfônico cantores que foram reprovados no teste entraram com ação contra a Osesp, processo que ainda tramita pelos orgãos competentes. Na ocasião um grande número de cantores não recebeu aprovação da nova diretoria artística, no entanto este número não chegava a 40% do total de cantores. Houve grande estardalhaço e cantores revoltados ocuparam a mídia especializada para manifestar grande indignação e anunciar que entrariam com recurso júridico a fim de garantir o emprego.

Já no caso do Coral Paulistano a situação é bem mais delicada, notícias extra-oficiais apontam para um altíssimo número de reprovados, cerca de 80% número que, se confirmado, gera incomodo generalizado.

Este tipo de teste em nosso entendimento é necessário, principalmente em um primeiro momento, porque serve, além de tantos outros fatores, para que o regente recem chegado consiga determinar, por exemplo, quais deficiências ele terá que saldar. Outro fato que devemos considerar é que alguns cantores de corpos estáveis tem como certo que o seu cargo é vitalício e acabam por relaxar os necessários estudos que um cantor profissional deve manter ininterruptamente, prejudicando com esta atitude o resultado técnico/artístico do grupo. Isto é bastante comum.

Não passa por nossa pretensão julgar comportamento de comandados e da atual liderança do grupo, o que aqui pretendemos é noticiar. Apontamos como positiva a reformulação do Coral Sinfônico quanto passou a ser o COSESP, Coro da Orquestra Sinfônica do Est. de São Paulo, o nível do grupo subiu a tal ponto que hoje é, sem dúvida, o grupo de cantores mais importante do Brasil. Mas para que isto acontecesse alguns cuidados foram tomados como , por exemplo, os cantores são avaliados periodicamente (de 3 em 3 anos). O teste é sério e o cantor que não for aprovado será afastado do grupo, ou seja, quem não passa no teste é despedido. Este modo de proceder certamente é um dos fatores que determinou o atual lugar ocupado pelo grupo. Toda esta estratégia foi antecipadamente planejada.

No entanto, não sabemos o que o Maestro Thiago Pinheiro pretende ao reprovar 80% dos cantores, se é que esta informação procede, ficaremos na espectativa de informações oficiais sobre o fato para que possamos noticiar. Por agora temos duas certezas; desde que o Maestro Samuel Kerr se aposentou o grupo não se estabilizou mais, a maestrina Mara Campos, que assumiu o cargo após a aposentadoria do Mestro Samuel Kerr, também passou por sérias crises dentro do grupo, crises que acabaram por afastá-la da frente do coro. Importante lembrar que o atual maestro era seu assistente. A segunda certeza é que o grupo passsa por profunda crise. Esperamos que em breve tudo seja esclarecido, e a situação se normalize pois trata-se, sem dúvida, de tradicional e importantíssimo grupo de cantores.
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