sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Celso Antunes comanda coro da Osesp em programa variado

A partir de hoje, na Sala São Paulo, o público terá três chances de ver em ação Celso Antunes, maior talento brasileiro da regência coral, comsólida carreira na Europa. Ele dirige a Camerata Fukuda e o Coro da Osesp num programa apetitoso, incluindo as cantatas 36 e 62 de Bach, a 11.ª sinfonia de cordas de Mendelssohn e a orquestração do maestro Rudolf Barshai para o Quarteto n.º 8 de Shostakovich.

Barshai morreu no último dia 2 de novembro. Por isso, a inclusão da transcrição é um tributo a um dos maiores músicos do século 20. Barshai tocou viola num trio ao lado de intérpretes como Leonid Kogan e Rostropovich, fundou o Quarteto Borodin; estreou a 14.ª sinfonia de Shostakovich; e só deixou a Rússia em 1975, quando seu amigo Dmitri morreu. Fixou-se na Inglaterra e gravou sinfonias de Shostakovich e Mahler (com destaque para a décima, que completou a partir do Adagio). Morreu aos 76 anos, após terminar a transcrição para orquestra de cordas da Arte da Fuga, de Bach.

Dono de uma carreira internacional em constante e firme ascensão, Celso Antunes, aos 51 anos, venceu por privilegiar o rigor - algo raro por aqui e que pôde ser visto em suas vindas anuais ao Brasil para reger a Camerata Fukuda. Agora com base europeia na Holanda, depois de liderar o Coro Nacional da Irlanda entre 2002 e 2007, ele é titular do Coro da Rádio Holandesa e professor de regência coral na Haute École de Musique de Genebra, na Suíça. Além disso, é o "chorus master" dos concertos sinfônico-corais e gravações da Concertgebouw de Amsterdã. Foi decisivo seu trabalho na excepcional gravação da Segunda Sinfonia de Mahler com seu Coro da Rádio Holandesa e a Concertgebouw, regidos por Mariss Jansons.

2010, sem dúvida, é um ano excepcional para Antunes. Ele acaba de participar de dois CDs recém-lançados no mercado internacional que combinam alto nível de interpretação com repertórios criativos. O CD do selo sueco BIS traz duas estreias mundiais de obras do compositor escocês contemporâneo James MacMillan: Antunes faz uma leitura precisa de Sun-Dogs, para coro a cappella; e é o chorus master do registro de Visitatio Sepulchri, para coro e orquestra de câmara, regida pelo compositor. Sua música mística e tonal (mas nem por isso banal) comprova que o êxito de público ainda pode conviver com critérios artísticos exigentes hoje em dia.

O outro CD enfoca a obra de Joaquin Turina, compositor da primeira metade do século 20 que mistura com engenho e arte elementos folclóricos da Andaluzia com uma escrita impressionista. Em Canto a Sevilla (selo Hänssler), ele rege a Filarmônica Holandesa numa interpretação modelar da obra-título de Turina: quatro canções emolduradas por três intermezzi orquestrais (brilha também a mezzo-soprano eslava Lucia Duchonová). Completam o CD três estreias mundiais das versões orquestradas de outras obras de Turina: Poema, en Forma de Canciones, Farucca e Saeta, en Forma de Salve.

Serviço:
CORO DA OSESP & CAMERATA FUKUDA
Sala São Paulo. Pça. Júlio Prestes, 16, Luz,
3223-3966. Hoje e amanhã, 21h; sáb., 16h30.
R$ 24/ R$ 50.
Estacionamento no local.



O Estado de São Paulo
Postar um comentário