segunda-feira, 15 de outubro de 2012

CIMABUE E PIERO: A ARTE ITALIANA ANTES DE DA VINCI



Da Vinci é referência básica para o Renascimento. Contudo, a Europa não dormiu medieval e acordou renascentista. Foi um longo caminho percorrido por centenas de artistas que em algum período contribuíram para a arte ocidental. Hoje, muitos se encontram totalmente esquecidos, outros são pouco conhecidos. Cimabue e Piero della Francesca são dois exemplos.


Tudo o que sabemos sobre Benciviene di Pepo, conhecido como Cimabue (Florença, c. 1240 – Pisa, c. 1302), é por via do historiador da arte italiano Giorgio Vasari (1511-1574) que escreveu sobre ele 200 anos após sua morte. Dante Alighieri (1265-1321) foi contemporâneo de Cimabue e fez diversas referências ao pintor no "Purgatório". Considerou-o o maior artista de seu tempo. Alguns estudiosos indicam que Giotto di Bondone (1266-1337) tenha sido seu aluno. No entanto, o mais interessante é que foi Giotto quem eclipsou a reputação de Cimabue.

Cimabue foi pintor e mosaicista, também trabalhou com têmpera em diversos painéis e peoduziu afrescos. Seu estilo estava ligado à pintura bizantina. Apesar de pouco conhecido na atualidade, Cimabue foi simplesmente um dos grandes mestres que construiu a passagem da arte bizantina bidimensional para o naturalismo do Renascimento.
Isso se deu através de seu interesse pela perspectiva e pela busca de uma expressividade e dramaticidade nos rostos dos personagens em cada pintura. Sem esquecer o esmero no detalhe das vestes dos personagens de rico panejamento, ao estilo romano.
Um de seus primeiros trabalhos é o Cruxifixo que se encontra na Basílica de São Domênico na cidade de Arezzo. Nessa obra é possível perceber o cuidado com a anatomia, através a musculatura em processo de definição, para além da sutileza do desenho das veias, ossos e tendões. Em outras obras, o interesse do artista em uma pintura mais realista fica evidente no uso da perspectiva ilusória, que criava efeitos arquitetônicos tridimensionais em grandes planos. Pequenas modificações e experimentações plásticas, que abriram caminho para que o próprio Giotto hoje fosse reconhecido como mestre do período de transição entre a pintura medieval e renascentista.

Da vida de Piero di Benedetto del Franceschi ou Piero della Francesca (Sansepolcro, Itália, c.1415-1420 - Sansepolcro, Itália, 1492) também se sabe pouco. É possível que tenha estudado em Florença a partir dos 15 anos. Muitos de seus trabalhos se perderam, sobrando algumas obras do seu período mais maduro.
Além de pintor, era um reconhecido matemático, o que teve reflexos em suas obras. Chegou a escrever três tratados matemáticos, com estudos sobre poliedros, redescobrindo os sólidos de Arquimedes, com resultados importantes na geometria espacial. Seu tratado mais importante foi Sobre a perspectiva na pintura (1474), onde descrevia a ciência da perspectiva detalhadamente - um livro que iria influenciar toda a arte e arquitetura do Renascimento.
Foi um pintor especializado na temática sacra, apesar de ser um reconhecido humanista renascentista. Suas obras são reconhecidas pela palheta de tons sutis e pelos grandes espaços em branco. Apesar de ter tido alguma influência dos pintores Masaccio e Paolo Uccello, della Francesca não seguiu nenhuma escola, criando um estilo muito próprio. Mas sua grande contribuição para arte é o uso inovador que fez da perspectiva linear, da luz e das sombras para criar os espaços arquitetônicos tridimensionais.
Em o afresco O sonho de Constantino, o artista cria uma das primeiras cenas noturnas da arte ocidental e se utilizando da técnica chiaroscuro, ou a perspectiva tonal – que se desenvolveria com Leonardo da Vinci. Os artistas medievais tinham pouca noção do potencial da luz para as pinturas, e nessa obra della Francesca trabalha todos os volumes através do chiaroscuro. Além de ajudar a criar volumes e perspectiva, a técnica ajuda a conferir ao trabalho uma atmosfera de magia e mistério.
Aqui, della Francesca criou uma cena teatralizada, onde a mão do anjo lança o raio de luz que ilumina a cabana no meio da noite. Os vestuários são ricamente detalhados nos famosos tons sutis sempre utilizados pelo pintor. Essa obra é a mais magnifica do artista, que demostra seu controle da perspectiva através da figura do anjo no alto.
Hoje, Cimabue pode estar quase esquecido e della Francesca é pouco estudado, mas muitas obras de arte dos grandes museus do mundosão herdeiras da pincelada desses e doutros mestres.

Leia mais: 

carolina carmini

Postar um comentário