segunda-feira, 15 de outubro de 2012

MARCOS Portugal



Marcos An­tónio da Fonseca Portugal [Marco Portogallo] nasceu em Lisboa em 24 de março de 1762 e in­gressou no Seminário Patri­arcal com apenas nove anos, tendo sido aluno de João de Sousa Car­valho. Co­meçou a compo com 14, quando es­creveu um Miserere, a quatro vozes e órgão. Tornou-se músico profissional com 21, admitido na irmandade de Santa Cecília, de Lisboa. Foi também organista e compositor da Sé Patriarcal daquela cidade e, em 1785, nomeado mestre do Teatro do Salitre, para o qual es­creveu suas primeiras obras de cena.
Portugal se transferiu em 1972 para Nápoles, o grande centro operístico da época, onde se converteu em um ativo compositor do gênero. Escreveu inúmeras óperas em estilo italiano que foram encenadas nos mais importantes palcos da Itália, como os teatros La Pergola e Pallacorda, ambos em Florença; San Moise, em Veneza; e no famoso La Scala, de Milão. Entre elas, Lo Spazzacamino (1794) e Il Demofoonte (1794).
Retornou a Portugal em 1800, sendo nomeado mestre da Capela Real e diretor do Te­atro de São Carlos de Lisboa, para o qual compôs vá­rias óperas, como La morte di Semiramide (1800), L'oro non compra amore (1801), La Merope (1804), Il duca di Foix (1805), Artaserse (1806) e La morte di Mitridate (1806).
Em 1811 viajou para o Rio de Janeiro a pedido do Príncipe Regente, refugiado no Brasil, com os demais mem­bros da Família Real, por causa da invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas. Sendo recebido como uma celebridade, foi, aqui, imediatamente nomeado Mestre da Capela Real. Marcos Portugal viveu nesta cidade o resto da vida, não tendo acompanhado a corte, em 1821, quando esta regressou a Lisboa. Preferiu ficar a serviço de D. Pedro I, filho de D. João VI, tendo sido confirmado como Mestre de Música da Imperial Família. Foi também o autor do primeiro Hino da Independência do Brasil. Faleceu em 1830, relativamente esquecido.
Da sua produção sacra, que conta mais de 140 obras, a edição de Concertos UFRJ destacou os responsórios de números 1 a 4 (“ Hodie nobis caelorum Rex”, “Hodie nobis de caelo”, “Quem vidistis pastores?“ e “O magnum mysterium”) das Matinas do Natal, compostas a pedido de D. João VI, para as comemorações de 1811, que tiveram lugar na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, na atual Praça XV.  Uma das primeiras obras originais criadas pelo com­positor em terras brasileiras, já que, na realidade, muitas deste período são versões e reelaborações de trabalhos anteriores do autor, o extenso título que consta da partitura diz “Mattinas do Santissimo Natal de Nosso Senhor Jesus Christo. A 4 e mais vozes. Com obrigação de Clarinettes, Trompas, Violettas, Fagottes, Vi­oloncellos, Contrabachos e Orgão. Composto para a Capella Real do Rio de Janeiro, por ordem de S.A.R. o Príncipe Regente nosso Senhor. Por Marcos Portugal.”
Mesmo sendo uma obra de inspiração religiosa, o modelo adotado, bem de acordo, aliás, com o gosto da época, é mundano: estão presentes nela os maneirismos típicos das óperas italianas. Cabe mencionar ainda que as Matinas guardam estreita relação com a Missa Pastoril de José Maurício Nunes Garcia – ambas foram escritas para a mesma solenidade, ambas apresentam carácter “pastoril”, expresso, sobretudo, nos solos de clarinete recorrentes e nas referências explícitas; e a instrumentação adotada é, não só idêntica, como peculiar, por dispensar violinos.
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