terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Aulas de música por webcam popularizam-se, beneficiando professores e alunos


O patologista John McClure, de Edina, Minnesota, faz aulas de gaita de foles com um professor altamente conceituado, Jori Chisholm, cujo currículo inclui um prêmio de primeiro colocado no evento Cowal Highland Gathering de 2010, em Dunoon, Escócia. O fato de o professor viver em Seattle, a mais de 2.000 quilômetros de distância de McClure, não é problema: o médico faz as aulas com Chisholm pelo Skype.
"Posso estar de plantão, aguardando a chegada de um material de exame, e fazer uma aula com Jori", disse McClure, 50.
O Skype e outros programas de bate-papo com vídeo estão revolucionando e democratizando o mundo das aulas de música. Os estudantes cujo pool de professores potenciais antigamente se limitava àqueles que ficavam a uma distância razoável de carro hoje fazem aulas com professores que vivem do outro lado do país ou em outros continentes.
A lista de benefícios é longa: as pessoas que estudam instrumentos incomuns têm mais acesso a professores. Os pais não precisam mais levar seus filhos de carro para a aula de música --basta mandá-los para o quarto. E os professores conseguem mais trabalho.
"Já vi vídeos de pessoas ensinando a alunos em todo o mundo", disse Gary Ingle, presidente da Associação Nacional de Professores de Música. "Há pessoas que nunca teriam aulas de música, a não ser que isso pudesse ser feito on-line. Nós, professores de música, devemos encontrar os alunos, onde quer que estejam."
A conveniência de fazer aulas on-line reduz o número de aulas perdidas, disse Nick Antonaccio, dono do estúdio musical Rockfactory, de Newtown, Pensilvânia, que tem 200 alunos, 25 dos quais tendo aulas à distância.
"As pessoas que fazem aulas on-line acabam tendo uma programação de aulas mais regular", segundo ele. "Elas não precisam enfrentar nevascas. Não precisam perder uma hora só para chegar até a aula. Suas aulas não coincidem com outros compromissos, como partidas de beisebol."
Mas muitos pais ainda têm cautela sobre as aulas no laptop. Uma objeção que fazem é que o professor à distância não pode manipular os dedos do aluno. Mesmo assim, disse Antonaccio, "tivemos alunos que começaram crianças e aprenderam a tocar apenas com aulas diante da câmera".
Os professores de música estão descobrindo que as aulas on-line lhes proporcionam mais que apenas estabilidade financeira. Laurel Thomsen, professora de violino e viola, mudou-se recentemente de Monterey, Califórnia, para Santa Cruz, e continuou com todos os seus alunos pelo Skype. "Tenho cada vez menos alunos com aulas pessoais e mais e mais gente que me procura pelo Skype", contou ela.
O vídeo vem proporcionando novas oportunidades a professores adeptos da tecnologia. Neste ano, o universitário Matt Dahlberg, 22, vai se formar. Ele espera poder se sustentar dando aulas de ukulele pelo Skype. Dahlberg tem 18 alunos. "Vivo rejeitando alunos, porque ainda não posso dar tantas aulas quanto gostaria, pelo fato de ainda estar fazendo faculdade."
CATHERINE SAINT LOUIS
DO "NEW YORK TIMES"
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