terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A ORQUESTRA SINFÔNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO E A TRUCULÊNCIA DO AUTORITARISMO.

Maestrina Lígia Amadio a frente da OSUSP

O ano de 2012 começou com uma ingrata surpresa, caiu-me a cara no chão quando soube da triste notícia . A Revista Concerto publicou e o Jornal do Brasil confirmou. A temporada de 2012 não contará com a batuta de Ligia Amadio a frente da Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo.  Após duas temporadas completas , programas que abrangeram um repertório complexo e rico, sempre lembrando dos compositores nacionais .Qual o prêmio que a maestrina recebe? Uma medalha de Honra ao Mérito, não caros amigos, a não renovação de seu contrato.
   Uma questão perturba minha mente, lembrei da data de sua nomeação. A maestrina foi eleita pelos membros da orquestra, por voto direto após uma lista tríplice. Imaginei que os músicos não a desejassem mais e a tivessem defenestrado. Pergunto a algumas fontes, colegas que conhecem a fundo a orquestra e descubro uma verdade aterradora. Os músicos da OSUSP não elegem mais o regente . “Democraticamente” mudaram o estatuto, no calar da madrugada uma virada de mesa. Todo o poder cabe a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária chefiada pela Socióloga Maria Arminda do Nascimento Arruda juntamente com o diretor da OSUSP professor Edson Leite. A Universidade de São Paulo sempre teve princípios democráticos em seu lema, essa mudança me lembra a truculência da ditadura militar.
   O novo formato escolhido para a OSUSP em 2012 não é utilizado em lugar algum. Convidar um regente a cada concerto é fazer leilão. Toda grande orquestra possui um regente titular, convidam-se alguns regentes para a orquestra ganhar experiência. Um titular é imprescindível na unidade e na sonoridade. O futuro com esse formato é incerto, cada um metendo sua colher, vai azedar o bolo.
   Ligia Amadio fez um grande trabalho com a OSUSP. Deu sonoridade, corpo, estilo em um repertório complexo. Muitos em seu lugar poderiam optar pelo arroz com feijão , fazer repertórios fáceis. Ligia Amadio não teve mede de correr riscos, colocou sua orquestra para tocar Mahler, Rachmaninoff, Sibelius, Prokofiev, Brahms , Liszt entre outros. Compositores nacionais de todos os estilos participaram de seus programas. Exigiu tudo dos músicos, trouxe grandes solistas, lotou a Sala São Paulo. Trabalho impecável recompensado com uma demissão.
  O público se importa com sua saída cara maestrina, os músicos se importam com sua saída , a música se importa,  eu me importo. Perde  a cidade de São Paulo e ganha  o autoritarismo.
Ali Hassan Ayache
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