quarta-feira, 13 de junho de 2012

Anatole LIADOV


 Anatole LIADOV

Analotte Liadov nasceu em São Petersburgo, na Rússia, no dia 11 de maio de 1855 e morreu em Veliky Novgorod, Rússia, no dia 28 de agosto de 1914, filho de uma família bastante musical e pouco afeita às chamadas exigências da vida prática’. Herdou dos pais o gênio musical e também aquilo que, na época, costumava ser chamado, algo poeticamente, de “lassidão langorosa”.  Hoje tal traço de personalidade atende pela designação mais frugal e pouco otimista de ‘preguiça’. Tal característica acompanhou-o durante a vida inteira, impedindo-o de enfrentar grandes projetos que exigissem dele uma dediação por um período de tempo relativamente longo. Por isso, à exceção da juvenil cena final de “A Noiva de Messina” de Sahiller (1878) tudo o que ele nos legou foram: uma dúzia de curtas peças orquestrais, meia dúzia de composições para coro, um pouco de 50 canções e uma pequena multidão de miniaturas para piano. A severa autocrítica foi outro fator que não deixou que seu catálogo de obras crescesse muito.
Apesar da indolência do autor, a música de Liadov nos mostra um artista singular, ainda que conservador, muito refinado e dado aos requintados experimentos com os timbres instrumentais da orquestra. Aluno queiro de um grande mestre de orquestração ruusa, Rincky-Korsakov, absorveu em profundidade as lições desse. E, malgrado a famigerada preguiça, tudo o que ele conseguiu tornar público nos anos finais de sua carreira encantou a todos amadores e colegas músicos, Isso porque, denotando um tratamento arejado da harmonia  e do ritmo, além do supremo refinamento da paleta orquestral, sua música sempre ostentou cativante fisionomia. Uma curiosidade a mais da personalidade artística de Liadov: por não conseguir acreditar muito que a música fosse capaz de traduzir as paixões humanas, ele dava preferência a ambientar suas obras em lendas antigas e pertencentes ao universo feérico dos contos de fada da Rússia e do Oriente. Para evocar esse universo existente fora da cotidianidade, empregava uma orquestração irisada, diáfana e repleta de efeitos incomuns.(...)  

J. Jota de Moraes
Programa de Concerto – Osesp – Abril 2009
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