terça-feira, 5 de junho de 2012

Da Sacra à Religiosa Um breve olhar na história da música protestante

Caro Leitor,

O artigo que se segue, dado ao tamanho que se apresenta, será divido em publicações diárias e sucessivas.
boa leitura.


Da Sacra à Religiosa

Um breve olhar na história da música protestante.
Parte I

 Religião e arte andam irmanadas desde os primórdios da humanidade. A narrativa bíblica da criação do mundo fala repetidas vezes da aprovação estética de Deus à sua criação através da expressão "E viu Deus que era bom". A relação Criador/criatura foi estabelecida através de ofertas e cultos a partir da necessidade de transposição para uma esfera diferente da natural cotidiano, o comportamento do ser humano transformou a vulgaridade dos gestos naturais, dando a esses gestos novas significações diante do divino, tornando-os assim ritualizados: "A arte é necessária para que o homem se torne capaz de conhecer e mudar o mundo. Mas a arte é necessária em virtude da magia que lhe é inerente". O rito e a arte, portanto, transformam pensamentos e objetos naturais em meios de expressão do mundo transcendente.

A partir da Reforma Protestante uma nova estética musical se faz presente para acompanhar a teologia reformada. Com uma nova teologia surgiria também uma nova estética de adoração e conseqüentemente uma nova estética musical. Esta marcará a música como instrumento de propagação dos ideais da Reforma. Assim, principalmente Lutero percebe que poderia usar a música como suporte para a proclamação do evangelho e difundir os novos conceitos doutrinários, que, aliados à nova perspectiva musical, revolucionariam o mundo no século XVI.

Dos anos 40 para cá, a música de Igreja tem sofrido uma grande transformação tanto na sua prática quanto na sua conceituação. Se antes se pensava em música como instrumento de adoração e louvor como resultado de um conceito teológico reformado; na música dos tradicionais hinários denominacionais e executada ao som de um harmônio ou órgão, hoje, tudo parece mudado. A teologia traduz um conceito mercadológico da fé, produto da modernidade. A música sacra de hoje, executada ao som das guitarras e contra-baixos elétricos parece traduzir um sentimento de diversão e entretenimento.

Provavelmente a música protestante, aliada às várias velocidade dos veículos de comunicação, tornou-se produto de consumo, afetando ou alterando sensivelmente sua função no culto. Esta estética tem mudado a face das igrejas protestantes que fizeram parte da primeira reforma.

Para observarmos a diferença estética musical reformada do século XVI e a protestante do século XX, temos que percorrer pela história da atitude musical nas liturgias desde a Reforma aos dias atuais, fazendo uma tomada clara da mudança de atitude em que a música chega à modernidade nas igrejas. Formulando um breve comentário sobre os momentos da história da música nas igrejas da primeira reforma (Luterana, Calvinista e a Anglicana), que tinham suas particularidades, as expressões Barrocas de G.F. Haendel e J.S. Bach no barroco protestante seu ethos litúrgico, e a adequação da nova estética musical na igreja protestante do Século XIX e o que é vivenciado atualmente diante da popularização da música e atuais necessidades das igrejas. Assim notaremos um distanciamento claro e agressivo na estética musical vivida nos século XVI em detrimento a vivenciada no final século XX.



Rev. Fábio Vasconcelos

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