sexta-feira, 14 de março de 2014

Finep doa 222 obras de Portinari ao Museu Nacional de Belas Artes


Um dos mais prestigiados artistas brasileiros do século 20, Cândido Portinari produziu em torno de cinco mil obras durante uma trajetória relativamente curta – morreu aos 58 anos em 1962. A grande maioria delas, segundo João Cândido Portinari, filho do pintor, encontra-se hoje em acervos privados e não está exposta ao público. “Mais de 95% do acervo continua invisível ao público brasileiro. As obras só são visíveis através do trabalho que o Projeto Portinari fez pelo site e pelas exposições que a gente faz com reproduções. Quando vem alguém perguntar onde pode ver Portinari, a gente fica até envergonhado de dizer”, conta.

Daí a enorme importância da doação feita no início deste ano pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) ao Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), localizado no Rio de Janeiro. A empresa – que é pública e vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Informação – doou 222 obras (17 delas estão emprestadas ao Palácio do Planalto) de sua coleção de Portinari para a instituição, fazendo dela detentora do maior acervo público do artista. Por coincidência ou não, o Museu de Belas Artes é sediado na Escola Nacional de Belas Artes, onde Portinari se formou na juventude.
Entre as 205 obras que chegam ao MNBA estão pinturas, esboços e estudos – como alguns feitos para os painéis “Guerra e Paz” – produzidos no período de 1920 até a década de 1950. São pinturas a óleo em tela, desenhos em grafite, nanquim bico-de-pena , caneta tinteiro, gravura a água-forte e água-tinta em papel, dentre outros. Elas passarão por um processo de análise, catalogação e restauração – já em andamento – e devem ser expostas ao público a partir de maio deste ano, segundo a diretora do museu, Mônica Xexeo. “Vamos fazer um recorte da doação e apresentar em um dos espaços do museu. Vamos devolver à sociedade essas obras, que nunca foram expostas”, diz Mônica.

Para a ministra da cultura, Marta Suplicy, a doação reforça a importância do Museu Nacional de Belas Artes. “São obras excepcionais. Isso torna o museu especialíssimo, por Portinari ser um dos grandes pintores brasileiros, talvez o mais importante dos modernistas. Termos esse acervo é relevante porque ele falava da identidade brasileira. Qualquer brasileiro que olhe Portinari se percebe brasileiro de forma muito forte”.

As obras estavam com a Finep desde 1998, guardadas em um cofre depois de terem sido usadas como garantia para o pagamento de um financiamento tomado pela família do pintor para divulgar seu legado. O MNBA já havia recebido cinco obras de Portinari em 2013, entre elas “A primeira missa” (1948), adquirida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) por R$ 5 milhões e doada ao museu em janeiro, e as telas da Capela Mayrink, na Floresta da Tijuca. 


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