quinta-feira, 27 de março de 2014

Música de Dança.

 

Origem. A música de dança floresceu com grande vigor durante o séc. XVI na Itália. A principal figura da época foi Ambrosio Dalza, grande tocador de alaúde, que transcreveu as frottole em várias de suas produções musicais. Com sua obra surgem as primeiras suítes, constituídas por três danças em um mesmo tom: pavana, em compasso binário; um saltarello, a 6/8, dança animada por saltos como indica o nome, e uma Piva, em geral a 12/8, mais rápida do que as duas outras.

As suítes. As suítes de Dalza, tanto as cinco venezianas quanto as quatro de Ferrara, possuem o mesmo material temático e revelam uma maneira de expressão vigorosa. A harmonia e o ritmo são de técnica bastante avançada, o que parece indicar que esta forma de arte era praticada havia bom tempo.

Da suíte concebida por Dalza surgem novas modalidades que se vão desenvolver no século seguinte: a suíte variada, descendente direta das concepções de Dalza e que será mais tarde aperfeiçoada por Hermann Schein (1586-1630) e Paul Peurel (1570?-1625?); a suíte clássica, cujo maior representante é Johann Sebastian Bach, formada  de uma seqüência de danças diversas sem semelhanças temáticas, interligadas somente pela tonalidade. Outros compositores que se dedicaram à musica de dança foram P.P Borrono (séc. XVI) e Marc’Antonio Pífaro, da mesma época.

Na França, a base-danse-recoupe-tourdion data do séc. XIV. Domenico da Piacenza (séc. XIV) a ela se refere como sendo uma série de sete danças de ritmos diferentes e que formam um ballo. A primeira e a sétima dança são a basse-danse, a qual era seguida por uma tourdion, descrito como sendo uma variante da gaillarde (dança de compasso ternário), muito em voga na Europa do séc. XVI.

Na Itália, a pavana , saltarello e piva foram ganhando, assim como as formas francesas, um modo estilizado, do qual a suíte se utilizou como forma de composição instrumental durante a época barroca.

Em meados do séc. XVII, as quatro danças mais difundidas pela Europa eram a allemande, a courante, a sarabande e a gigue. Essas formas de dança cristalizaram-se na suíte e se difundiram pela Europa sem perder o ritmo e suas bases originais.

Allemande. Esse tipo de dança se caracteriza por possuir uma melodia simples de compasso binário e movimento moderado. Na sua forma estilizada, a allemande tornou-se a primeira parte da suíte instrumental francesa do séc. XVII. Ela se encontra não somente nas suítes para cravo, mas também nas para orquestra, violino e alaúde. Na Itália e na Alemanha, no fim do mesmo século, a allemande era precedida na suíte por um prelúdio grave. Quando a suíte começa gradativamente a se transformar em sonata (séc. XVIII), a allemande perde o seu nome e aquilo que resta de sua dança dá lugar ao allegro inicial.

Courante. Tem suas origens no séc. XVI e caracteriza-se como uma manifestação popular de dança. Seu compasso é também binário e no reinado de Luís XIV tornou-se bastante popular. Na Itália e na Alemanha do séc. XVII, a courante se apresenta como uma composição instrumental; quando a formação da suíte, constitui uma de suas partes. Na suíte clássica (1650) ela ocupa um lugar secundário.

Sarabande. Dança popular espanhola (zarabanda), de compasso ternário e de movimento lento. Sua divisão era composta de duas partes de oito compassos cada uma, começando com um tempo forte e se prolongando o segundo tempo do compasso com um ponto. Tendo sido considerada imoral, suas manifestações foram proibidas pelas autoridades. A mais antiga referência histórica à sarabanda remonta a 1583, quando foi condenada pelas autoridades de Madrid. Mais tarde, em 1660, a sarabande começa a ser utilizada nas suítes alemãs de Bach e Handel e nos Concerts royaux (Concertos reais) de Couperin. Seu caráter lento e grave se afirma principalmente a partir de Muffat (1645-1704). A sarabande modifica seu aspecto primitivo e se transforma em dança de ambientes aristocráticos.
  
Gigue. Antiga dança popular de movimento vivo e ligeiro, originária da Irlanda, escrita em compasso composto (3/8 ou 3/16 e seus múltiplos). Difundida na Irlanda do séc. XVI, se divulga pela Alemanha e França. No fim do séc. XVII torna-se dança requintada, de estrutura binária, que geralmente termina a suíte ou o concerto de câmara. Mais vibrante que a loure (dança acompanhada pela gaita de foles), a gigue é feita de motivos em quiálteras, e seu compasso adota um número variável de tempos ternários. Usada por Corelli e Handel, por Couperin e Rameau, a gigue perde seu caráter popular para se tornar com J.S.Bach uma forma bastante original, na qual se manifesta a presença do ritmo ternário rápido e um supremo virtuosismo de contraponto. Bach se utiliza da gigue não só nas composições instrumentais (final do 3º, 5º e 6º Concerto de Brandenburgo), mas também em composições religiosas (árias das cantatas nº 8, 130 e coros das cantatas nº 96, 125, por exemplo).

Bourrée. Das formas francesas, as danças da população dos campos também foram aproveitadas e introduzidas na constituição das suítes e sonatas. A bourrée, originária de Auvergne, é dança popular, dança de corte e movimento de suítes instrumentais. Como dança popular, a bourrée possui tanto ritmo binário (em Berry e Bourbonnais) como ternário (na Auvergne e no Limousin). A partir de 1650, a bourrée é integrada nas suítes como movimento secundário. Principalmente J. B. Lully a introduz em balés e em óperas. A bourrée francesa a dois tempos, de característica ligeira e de estrutura rígida, esteve muito em voga na primeira metade do séc. XVIII. Bach e Handel usam-na em suas suítes. Durante o séc. XIX, ela é novamente utilizada, dessa vez como elemento folclórico, por Camille Saint-Säens, Chabrier e outros.

A gavotte tem suas origens no Dauphiné e se caracteriza como uma dança popular de ritmo binário. No séc. XVII ela se difunde pela Europa através do balé ou da suíte (Lully e Purcell) e seu lugar nesta última vem depois da sarabande. Seu apogeu coincide com o da suíte e está presente nas obras de Couperin, Rameau, Handel e Bach. Alterna freqüentemente com uma segunda gavotte, que pode ter características de uma musette. No séc. XVIII é também utilizada por Gossec, Gluck, Méhul e outros, e no séc. XIX reaparece em Massenet.

O passe-pied tem suas origens na Bretanha com a dança trihory. É mais rápida que o minueto, segue um ritmo ternário e na suíte toma o lugar entre a sarabande e a gigue. J. S. Bach, Rameau, Couperin, Telemann e outros utilizaram o passe-pied em suas suítes.

O minueto, antiga dança francesa, tem suas origens na região do Poitou e já em 1670 era utilizado nas festas de corte. O minueto é escrito em três tempos e seu ritmo diminui gradativamente, tornando-se mais lento. Ele se insere nas suítes de orquestra e de cravo do séc. XVIII sob a forma de dois minuetos acoplados, um maior e o outro menor. Encontra-se também nas sonatas de forma clássica, onde seu movimento se acelera, até alcançar enfim a forma do scherzo em Beethoven. A forma clássica do minueto é ternária: (1) exposição: (a) tema com repetição; (b) breve desenvolvimento e tema com repetição; (2) trio do mesmo esquema que a exposição; (3) reexposição da primeira parte, sem repetição, com repetição, com coda facultativa.
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