sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Anton Bruckner



Com sinfonias grandiosas e líricas, o compositor austríaco demorou par obter reconhecimento em vida. Com o passar do tempo, porém, suas abras tornaram-se cada vez mais executadas e hoje ele e considerado um dos principais nomes do romantismo musical da Europa Central.

Mais velho de onze filhos, Anton Bruckner nasceu em 04 de setembro de 1824 em Ansfelden, nas Áustria. Tendo vivido durante o período romântico, Bruckner era mais jovem que compositores como Chopin (1810), Liszt (1811) e seu ídolo Wagner (1813) e mais velho que Brahms (1833) e Mahler (1860). A formação simples e camponesa e doses igualmente levadas de religiosidade e insegurança formaram as características básicas de sua personalidade e marcaram sua trajetória.
O pai de Anton era professor primário e ele próprio foi preparado para o magistério, mas estudou órgão e composição com o padrinho a partir de 1835. Dois anos depois, com a morte do pai, foi enviado para a abadia de São Floriano, próximo a Linz (entre Salzburgo e Viena), onde passou a cantar no coro, seu nome ficaria marcado para sempre a esta instituição. Aos 21 anos, Bruckner tornou-se mestre-escola em São Floriano, onde a essa altura já era também organista. Surgiram as primeiras composições entre elas quatro Missas de Juventude e um Réquiem. Em 1858 aos 34 anos foi aceito como aluno por Simon Sechter, célebre professor de contraponto estabelecido em Viena. Paralelamente, teve aulas de composição e orquestração com Otto Kitzler, que, por sua vez, era um fervoroso admirador de Wagner. Kitzler fez que seu discípulo, apenas dez anos mais novo que Wagner, conhecesse as obras do compositor e Bruckner ficou profundamente marcado com o trabalho.

Ouviu Tannhäuser em 1863, um ano antes de estrear na catedral de Linz, aos 40 anos, sua primeira grande obra, a Missa em ré menor. Já em 1865, Anton Bruckner estava entre os que assistiram a primeira apresentação de Tristão e Isolda em Munique. Segundo Roland de Candé, Bruckner teria sido apresentado a Wagner nesta ocasião. Já o pesquisador Marc Vignal afirma que, apesar de este ter sido um dos maiores desejos de Bruchner, ele só conseguiu conhecer pessoalmente Wagner em 1873. De toda a forma, a partir de 1863, Bruckner se instalou em Viena, centro da vida musical europeia, tendo sido nomeado professor do Conservatório e organista da corte. Sua fama como improvisador ao órgão cresceu continuamente e ele viajou para apresentar-se em cidades com Paris e Londres.

Foi na mesma época da Missa de 1864, ou seja, por volta de 40 anos, que Bruckner começou a escrever suas grandes obras. A parte mais importante de sua produção musical são suas onze sinfonias (sendo duas obras da juventude sem número). A elas se somam três missas, em ré menor (1864) em mi menor (1866) e em fá menor (1868) o Quinteto para cordas (1879) e o Te Deum (1884) e o Salmo 150 (1892).
Suas três primeiras sinfonias formam um gruo homogêneo, todas em tom menor e com estreita relação com as três grandes missas. Em 1873 ano da composição da sinfonia nº 3, Bruckner fez sua primeira viagem a Bayreuth, para onde retornaria com frequência. Mas o reconhecimento com compositor só começaria a partir de sua sinfonia nº 4, em 1881; e a sua consagração viria apenas aos 60 anos, com a estreia em Leipzig de sua sinfonia nº 7, cujos compassos finais do adágio haviam sido concebidos sob o impacto da morte de Wagner.

A obra chegou a ser executada em Chicago e Nova York dois anos depois, e um novo sucesso aconteceu em 1892, com o triunfo de sua Oitava Sinfonia em Viena. Nesse período , no entanto, sérios problemas de saúde já se anunciavam e Bruckner aproveitou pouco seus sucessos tardios. NO final de 1894, terminou os três primeiros movimentos de sua Sinfonia nº 9, cujas ousadias harmônicas anunciavam Mahler e Schöemberg, mas que permaneceria inacabada. Bruckner faleceu no dia 11 de outubro de 1869 e foi sepultado ao som do adágio de sua Sétima Sinfonia. Seus restos mortais foram enviados para a abadia de São Floriano, segundo desejo do próprio compositor, onde repousam sob o majestoso órgão.
Camila Frésca
Revista Concerto jun/12 –pág. 26
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