terça-feira, 18 de dezembro de 2012

No Amapá, projeto forma a primeira Orquestra Quilombola do Brasil



A comunidade quilombola do Curiaú, localizada a 12 quilômetros do centro de Macapá, ganhou uma nova sonoridade. A música erudita conquista meninos e meninas que há quatro meses se encontram aos fins de semana na Escola José Bonifácio, com o maestro Elias Sampaio. Em meio a rica cultura musical marcada pelo tradicional marabaixo e batuque, surge a primeira Orquestra Quilombola do Brasil.
A iniciativa foi do próprio maestro, que por meio da Associação Educacional e Cultural Essência (AECE), teve no ano passado o projeto selecionado pelo edital da empresa de telefonia Oi, com um valor de R$ 160 mil. “O projeto foi contemplado no ano passado, mas como foi uma doação e o Estado nunca havia recebido uma doação, o governador teve de criar um decreto para podermos acessar esse recuso. Com o empecílio, somente este ano conseguimos dar início aos trabalhos”, conta a diretora do projeto Heloisa Batista.
O projeto intitulado Sistema de Bandas e Orquestras do Estado do Amapá, tem como objetivo disseminar a música pelos bairros carentes da capital. “O primeiro local escolhido foi à comunidade do Curiaú, mas, em toda a capital, há outros sete pólos com o projeto”, ressalta Heloisa.
Na comunidade do Curiaú participam 100 crianças, mas, 60 fazem parte da orquestra quilombola e 40, são crianças do ensino infantil, ainda processo de musicalização. A orquestra fez sua primeira apresentação no dia 25 de outubro na quadra da escola.
O maestro Elias Sampaio contou que este não é um trabalho de profissionalização musical. “É um trabalho de inclusão dessas crianças que não teriam acesso a uma orquestra. Nós estamos levando isso a elas, e quem sabe, formando multiplicadores dessa iniciativa”, explica o maestro.
A iniciativa da AECE pretende até o final de 2013 formar 20 orquestras pela capital atendendo cada vez mais crianças. “Tem sido muito gratificante realizar este trabalho aqui na comunidade. No começo tivemos uma pequena resistência, por se tratar de estilo musical diferente da realidade cultural delas, mas as crianças têm gostado, e os pais também. Isso é uma satisfação muito grande”, confessa o maestro Elias.
Para o pequeno Alexandre Sousa, 12 anos, que escolheu o clarinete como instrumento é uma grande alegria participar da orquestra. “Eu sempre gostei muito de música, e nem tive muita dificuldade para aprender.
Agora eu quero ser músico e tocar por aí”, anima-se Alexandre.

Postar um comentário