quinta-feira, 12 de julho de 2012

Orquestra Municipal de Jundiaí apresenta-se no Teatro Polytheama



Orquestra Municipal de Jundiaí apresenta-se no próximo dia 14, sob a direção de sua regente titular, Claudia Feres, no Teatro Polytheama, em Jundiaí.
No programa, obras de Copland, Elgar, Finzi e Holst. ENTRADA FRANCA.

No mês de julho, a OMJ traz um programa dedicado a compositores de língua inglesa que desenvolveram suas obras nos últimos anos do século XIX e primeiras décadas do século XX. A reunião de compositores ingleses e um norte-americano em um mesmo concerto pode parecer que ouviremos um concerto dedicado a uma música nacionalista, o que não é verdade. Antes de mais nada esta noite nos convida a ouvir uma música que se apóia na própria tradição musical européia construída nos séculos anteriores.

Na história da música, o século XX é um período marcado por grandes transformações. O sistema tonal, baseado nas escalas maior e menor, que havia se estabelecido desde o período barroco e desde então se tornado a base para a linguagem musical ocidental, estava em cheque. Compositores como Claude Debussy e Richard Wagner, haviam, de formas distintas, levado o sistema ao limiar de sua dissolução. Também nas primeiras décadas do século XX é que Arnold Schoenberg iria declarar a morte do sistema tonal que deveria ser substituído pelo dodecafonismo. Sem dúvida, a música do século XX espelhava os anos conturbados que se anunciavam.

Porém, os compositores que apresentamos no concerto desta noite preferiram se manter à margem destas transformações, buscando em suas obras dar continuidade ao legado musical do passado. Isso não significa que tenham produzido obras conservadoras, mas sim que diante da ruptura anunciada pelo século XX, preferiram se manter nos trilhos da música tonal, fazendo com que ela falasse a “língua” do século que se iniciava.

Aaron Copland (1900-1990), nascido no Brooklyn, em uma família de judeus lituanos emigrados da Rússia, é considerado o decano dos compositores norte-americanos.  Decidido a seguir uma carreira musical, transferiu-se aos dezessete anos para Paris, onde, vivendo e estudando por cinco anos, travou contato com as tradições musicais européias ao mesmo tempo em que era testemunha da efervescência da música moderna. Em Paris foi aluno de Nadia Boulanger, figura importantíssima na formação de muitos dos principais compositores do século XX.

Dessa formação que reuniu a tradição e a linguagem moderna, resultou uma obra profundamente marcada por um “sotaque” americano, permeada por uma linguagem moderna. Seu ballet “Rodeo”, escrito em 1942, é um conto sobre um casamento no campo. Nessa obra é possível reconhecer canções folclóricas intercaladas com música original do compositor. A Orquestra Municipal de Jundiaí abre o concerto com um dos movimentos da obra: Hoe Down. Aqui o compositor procura imitar uma rabeca tocando uma música de quadrilha americana, emprestando um tema bem conhecido, de uma versão da canção “Bonypart” muito usada em filmes que buscam uma atmosfera “Country”.

Sir. Edward William Elgar (1857-1934), é considerado um dos mais importantes compositores ingleses, e bastante conhecido por sua exuberante obra “Pompa e Circunstância”. Ao contrário dos compositores de cunho nacionalista do final do século XIX e início do XX, Elgar considerava a música folclórica como algo menor, pouco digna de servir de material para suas composições. Também cultivava um certo desprezo pelos compositores ingleses do passado mais remoto, considerando nomes como William Byrd (1540-1623) e seus contemporâneos como “peças de museu”. No entanto dedicava profunda admiração a Henry Purcell (1659-1695), considerando-o como um dos maiores compositores ingleses de todos os tempos. Sua obra parece estar influenciada pelos grandes compositores do final do romantismo, como Brahms, Dvorak e Wagner.

Em grande contraste com uma obra de marcada por grandes massas sonoras, como “Pompa e Circunstância”, já citada, ou as variações “Enigma”, o compositor escreveu sua Serenata Op. 20 com dimensões modestas,  em 3 movimentos curtos, mas que já mostra grande maturidade. Composta em 1892, acredita-se que essa obra tenha sido derivada de uma outra serenata que foi perdida, escrita nos anos de 1880. A Serenata teve sua primeira execução na Antuérpia, somente 4 aos após ter sido completada.

Gerald Raphael Finzi (1901-1956). Nascido em Londres, em uma família de judeus, de origem italiana por parte do pai e alemã, pelo lado materno, Finzi produziu uma obra tipicamente inglesa, onde fica clara a influência de Elgar, Vaugham Williams e outros compositores que não estavam preocupados em trazer novas experiências ou construções modernas para suas composições. O fascínio do compositor pela vida no campo, que o levou a abandonar a capital britânica trocando-a pelo condado de Witlshire, onde dedicava-se também ao cultivo de maçãs, se reflete em sua obra, marcada por um lirismo pastoral. Mesmo nas obras instrumentais pode-se perceber também uma forte influência da escrita coral a qual o compositor dedicou boa parte de sua obra.

Em um catálogo de suas obras Finzi escreveu: “A essência da arte é a ordem, a conclusão e a realização. Algo é criado do nada, a ordem do caos; e quando temos sucesso em transformar um material intratável em coerência e forma, um alívio vem à mente... deve ficar claro, especialmente no caso de um trabalhador lento, que somente uma vida longa pode ver a conclusão  dessa projeção. Consequentemente, essas poucas obras de minha publicação podem somente ser consideradas fragmentos de uma construção”.

Gustav Theodore Holst (1874-1934), pertence a mesma geração de outro importante compositor inglês do início do século XX, Ralph Vaugham Williams. Foi através do colega de estudos que Holst travou conhecimento com a música de Ravel que, unida a um forte interesse pelo espiritualismo hindú e pela música folclórica inglesa, ajudou-o a forjar um estilo próprio. Este estilo pode ser bem ilustrado pela suite orquestral “Os Planetas”, uma de suas obras mais importantes.

Holst também desenvolveu uma notável carreira como educador musical, tornando-se mestre de música no Saint Paul’s Girls School em 1905. Foi para a orquestra formada pelas alunas desta escola que ele escreveu a Suite Saint Paul em 1913. Ao escrever música para um conjunto formado por jovens estudantes Holst incorpora-se a uma longa tradição britânica de ensino musical. Basta lembrarmos que a primeira ópera inglesa, “Dido et Aeneas”, de Purcell, foi escrita para ser executada também em uma escola de meninas, em 1688.

Apesar de ter sido escrita para um conjunto amador a Suite St. Paul não pode ser descrita como uma obra simples. A própria filha do compositor havia comentado que nunca chegaria o dia em que a orquestra conseguiria tocar o segundo movimento da suite. A suite Saint Paul utiliza materiais de canções tradicionais inglesas. Em seu terceiro movimento aparece uma melodia com influência moura e ao final o famoso Greensleeves faz contraponto para mais um tema tradicional inglês.

Serviço:
Orquestra Municipal de Jundiaí, regência Claudia Feres.
dia 14 de julho, sábado, às 20h.
Teatro Polytheama
Rua Barão de Jundiaí, 176, Centro, Jundiaí - SP
ENTRADA FRANCA
www.facebook.com/orquestramunicipaldejundiai
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