segunda-feira, 30 de julho de 2012

Pinacoteca apresenta primeira grande exposição retrospectiva do venezuelano Cruz Diez


Cruz Diez: cor no espaço e no tempo

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a primeira grande exposição retrospectiva de Carlos Cruz-Diez (Venezuela, Caracas, 1923). Carlos Cruz-Diez: cor no espaço e no tempo exibe cerca de 150 trabalhos, entre pinturas, gravuras, desenhos e vídeo, realizados entre 1940 a 2000. A mostra apresenta ao público a extensa produção de Cruz-Diez e suas contribuições teóricas e artísticas para o modernismo do século XX em um contexto mais amplo do que aquele em que tradicionalmente elas são inseridas. Com curadoria de Mari Carmen Ramirez, curadora de arte latino-americana e diretora do Centro Internacional para as Artes das Américas do Museum of Fine Arts (MFAH), Houston. Esta exposição foi organizada pelo The Museum of Fine Arts, de Houston, e pela Cruz-Diez Foundation, de Houston e tem o apoio de  MetLife Foundation.
  
Cruz Diez: cor no espaço e no tempo
A Pinacoteca do Estado de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a exposição Carlos Cruz-Diez: cor no espaço e no tempo, com cerca de 150 obras, entre  pinturas, gravuras, ambientes cromáticos, desenhos e vídeo. Há mais de cinco décadas, Carlos Cruz-Diez (Venezuela, Caracas, 1923) vem pesquisando ativamente as origens e a ótica das cores. Sua extensa obra inclui estruturas não-convencionais de cor, ambientes de luz, intervenções em via pública, projetos de integração arquitetônica e trabalhos experimentais que engajam a resposta do olho humano enquanto insistem na natureza participativa da cor. 
  
A exposição apresentada na Pinacoteca do Estado refaz a trajetória do artista, desde suas pinturas figurativas a óleo, raramente vistas, realizadas quando Cruz-Diez ainda era um estudante (1940), até explorações plenas de cor em movimento (2000). Entre os trabalhos apresentados na mostra está a série cores físicas - que consiste em uma sequência de linhas coloridas alinhadas verticalmente e de filtros refletores que são modificados conforme o ângulo da luz ambiente e da posição do observador, projetando, assim, a cor no espaço e criando um efeito que evolui continuamente, dependendo do deslocamento do observador. Cerca de 50 Fisicromias serão expostas pela primeira vez, revelando os oito estágios que marcam a evolução conceitual e tecnológica da série: desde madeira cortada e pintada à mão e peças de papelão, até o emprego de tiras de alumínio e tecnologia de impressão digital.  Cor aditiva  e Indução cromática, ambas de 1963, são duas séries de trabalhos que estão inter-relacionadas e têm por base a impressão ou persistência retiniana ― a “afterimage” ―, que leva a retina do observador a produzir uma terceira cor virtual quando confrontada com duas cores complementares em um plano.

As peças que dão título à mostra, cor no espaço e no tempo, serão exibidas em três ambientes diferentes. No espaço central do museu, Octógono, os visitantes encontrarão Cromointerferência, 1964-2012. Trata-se de um grande espaço branco no qual dois planos de cor ondulam constantemente em faixas projetadas nas paredes e no piso, dissolvendo em cor os volumes ao redor – inclusive os corpos dos observadores. Ainda fora das salas de exposição, será apresentado Transcromia, 1965-2010, formada por conjuntos de lâminas que estarão dispostos em quatro vãos dos corredores que dão acesso à entrada da mostra. A última, Cromosaturação, 1965-2004, consiste em uma sequência de três espaços independentes em que Cruz-Diez isola a cor “crua” e cria um display com efeitos de puro cromatismo.

Completando a exposição, serão exibidos os projetos arquitetônicos de Cruz-Diez e suas intervenções no cenário urbano, desde calçadas para pedestres até usinas hidroelétricas, passando por silos de trigo e, ainda, dois vídeos sobre o processo do artista e sobre as máquinas e ferramentas ad hoc que ele inventou para realizar diversas obras.
  
A natureza instável das cores oferece o ponto de partida para as investigações cromáticas de Cruz-Diez. Para ele, a cor não é um pigmento depositado sobre uma superfície sólida, mas uma “situação” que resulta da projeção de luz sobre objetos e da maneira como essa luz é processada pelo olho humano. Na medida em que a cor depende do deslocamento do observador diante da obra, ela cria uma experiência participativa e interativa no espaço e no tempo. A tarefa do artista consiste em induzir situações e promover o diálogo entre as naturezas estável e instável da cor sobre uma diversidade de suportes, recorrendo a múltiplas estratégias e materiais não-convencionais que incluem papelão, alumínio, aço inoxidável polido e tinta acrílica.  “Geralmente considerada no contexto da arte cinética, a importância da grande obra que Cruz-Diez produziu desde a década de 1950 vai além das questões de movimento, vibração e pura retinalidade. Desde o início, Cruz-Diez concentrou sua pesquisa e seus experimentos em uma questão crítica: a investigação da cor como um organismo vivo em constante estado de transformação. Esta exposição tem por objetivo mostrar suas conquistas inéditas e radicais nesta área,” afirma a curadora Mari Carmen Ramirez.
  
A mostra Carlos Carlos Cruz-Diez: cor no espaço e no tempo traz uma seleção de obras que pertencem ao acervo da Cruz-Diez Foundation no MFAH, e ao Atelier Cruz-Diez em Paris e no Panamá, além de coleções públicas e particulares na Alemanha, Espanha, França, Inglaterra, Itália e nos Estados Unidos.
                                                                                                                                                                 
 Catálogo
A exposição Carlos Carlos Cruz-Diez: cor no espaço e no tempo será acompanha por um catálogo homônimo, com 500 páginas, publicado pelo Museum of Fine Arts (MFAH). A publicação é a referência mais completa e atualizada sobre o artista e sua organização segue a mesma sequência das seções da mostra. O catálogo é ricamente ilustrado com imagens das obras e fotografias documentais das realizações pessoais e profissionais de Cruz-Diez ao longo de sua extensa carreira. Além disso, apresentará quatro extensas entrevistas da curadora com o artista, que discutem as intenções, motivações e os desafios trazidos por obras específicas e séries destacadas nesta mostra. A publicação trará, ainda, uma seleção dos escritos teóricos de Cruz-Diez, um ensaio de autoria do crítico Héctor Olea, e textos de época assinados por críticos influentes tais como Jean Clay, Alfredo Boulton e Frank Popper.

Sobre Cruz Diez
Carlos Cruz-Diez (Venezuela, Caracas, 1923), vive e trabalha em Paris desde 1960. Emergiu como um artista em meados dos anos 1950 em Paris, no auge do movimento de arte cinética. Sua obra integra as coleções permanentes de instituições como o Museum of Modern Art (MoMA), Nova York; a Tate Modern, Londres; o Centre Georges Pompidou, Paris; o Museum of Fine Arts, Houston; o Musée d'Art Contemporain, Montreal; o WAllraf-Richartz Museum, Colônia; e o Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, entre outros.

Cruz Diez: cor no espaço e no tempo
Em cartaz até o dia 23 de setembro de 2012

Pinacoteca do Estado
Praça da luz, 2 
Tel. (11)  3324-1000
São Paulo - SP

Funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 18h | R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia).
Grátis aos sábados e às quintas
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