sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Concerto de Música Antiga - Sonatas e outras Follias - Hoje


Sonatas e outras Follias


No vocabulário pernambucano, a palavra Folia  evoca um momento do ano esperado por muitos, um lapso de tempo onde tudo é permitido e a alegria preenche os espíritos.

Neste programa o conjunto TEMPERAMENTOS, especializado na interpretação historicamente informada da música antiga (repertório que abrange os séculos XVII e XVIII) ; oferece ao público uma viagem  de folia ao período barroco, durante à qual serão executadas composições de grandes mestres como Bach e Corelli mas também de compositores pouco conhecidos que atuaram na Itália no início do século XVII como Andrea Falconieri e Francesco Turini ; Estas obras primas chegam aos nossos ouvidos modernos de forma revitalizada pela sonoridade dos intrumentos barrocos. Estes, cópias de peças de museus conservadas na Europa, nos ajudam a reconstruir o universo sonoro de Bach, numa acústica ideal como a do Convento de São Francisco em Olinda.

Na música antiga, a Follia é uma forma de escrita musical onde compositores  utilizam uma sucessão de acordes que formam uma linha melódica de baixo (tocada pelo cravo e o violoncelo) que se repete, com pequenas variações que aos poucos « aquecem » ritmicamente. Esta deixa uma grande margem de liberdade aos intérpretes das linhas melódicas mais agudas (como a flauta e o violino), chegando a grandes demonstrações virtuosísticas. A Follia guarda um caráter de improvisação onde os músicos exploram todo um leque de afetos podendo passar pela euforia, fúria, melancolia ou alegria para expressar-se artísticamente. A origem desta dança é ibérica e foi mencionada pela primeira vez em 1511 no « Auto da Sibilla Cassandra » de Gil Vicente, onde ele inclui a letra de uma folia cantada. Um século depois, em 1611, Sebastian de Covarrubias no “Tesoro de la lengua castellana” define fazendo alusão ao êxtase provocado por este rítmo :

“é uma certa dança portuguesa, muito barulhenta; (...) e é tão grande o ruído e o som tão apressado, que parecem estar uns e outros sem juízo.E assim deram à dança o nome de folia, da palavra toscana ‘folle’, que sgnifica oco, louco, insano(...)”.

Um dos maiores exemplos barrocos de virtuosismo é a Follia de Corelli, escrita originalmente para violino, e transcrita para flauta doce ainda no século XVIII. A flauta doce era considerada como instrumento solista por excelência,assim como o violino e esta transcrição é mais uma prova do grande prestígio que este instrumento gozava no período.

 

Ela será interpretada pela flautista pernambucana, Rosangela de Lima, radicada na França há 13 anos. Mestre em música e musicologia pela Universidade de Paris -Sorbone,  recebeu os « Premiers Prix » de flauta doce (com unânimidade e felicitações da banca examinadora), flauta transversa barroca e  música de câmara. Ela leciona na França onde atua como intérprete em vários grupos especialistas da música antiga.

 
Durante o periodo de férias de verão europeu ela aproveita a estadia para re-encontrar amigos e manter viva a tradição em música antiga no Estado de Pernambuco, participarão também do concerto Viviane Pimentel (violino) e Andréia Rocha (cravo), professoras do Conservatorio Pernambucano de Musica que se dedicam ao repertório antigo e Michele Pimentel (violoncelo) que de passagem por Recife, depois de se aperfeiçoar no Chile e nos Estados Unidos mora na Sérvia onde atua como violoncelista na Orquestra Sinfonica de Montenegro. 

 As quatro musicistas pernambucanas criaram em 1998 o grupo Temperamentos, numa iniciativa conjunta, guiadas por sua paixão pela arte barroca e inspiradas pelas palavras do flautista e teórico alemão Johann Quantz que no seu Método de Flauta tranversa publicado em 1752 declara :

 « Para ser um bom musico é preciso uma mistura feliz do que os sabios chamam de Temperamentos, na qual se encontra muita imaginação, invenção, julgamento e discernimento ; uma boa memoria, um ouvido delicado e fino, um olhar penetrante e muita docilidade. »

As musicistas almejam « temperar » a música em seu sentido artístico, o de expressar sentimentos através de uma linguagem, com um toque de virtuosismo e « folia pernambucana ». Os contrastes da época barroca, manifestam as igualdades e diferenças dos temperamentos de cada componente do grupo e re-afirmam a teoria dos afetos pela amizade.

Os integrantes são especialistas em instrumentos históricos como flauta doce, transversa barroca, violino e cravo, e se dedicam à pesquisa, à pedagogia e à interpretação da Música Antiga nesta e em outras formações no Brasil e no exterior.

Integrantes :

Rosangela de Lima – flautas doce e tranversa barroca
Viviane Pimentel – violino
Michele Pimentel - violoncelo
Andréia Rocha de Andrade - cravo

 
Serviço
 

Conjunto TEMPERAMENTOS
Sexta-feira 16 de agosto de 2013
20 :00 horas
Convento de São Francisco – Olinda
Entrada gratuita

 

 
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