sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Em entrevista ao Guia Erudito, Amaral Vieira destaca e elogia trabalho do Voz Ativa Madrigal


Amaral Vieira
 
 Nascido em São Paulo em 1952, é um dos mais versáteis e completos músicos brasileiros de sua geração.
Após estudos musicais no Brasil com Souza Lima e Artur Hartmann, ingressou no Conservatoire Supérieur de Musique de Paris onde foi orientado por Lucette Descaves e Olivier Messiaen. Diplomado pela Faculdade Superior de Música de Freiburg, Alemanha, foi convidado pelo British Council a aperfeiçoar seus conhecimentos em Londres com Louis Kentner, que foi discípulo de um aluno pessoal de Liszt.

Suas realizações fonográficas, como compositor e/ou como intérprete, contam com mais de 120 títulos (editados em LPs, Cassetes e CDs), apresentando um vasto repertório, com ênfase especial para Liszt, e suas próprias composições, que ultrapassam 500 obras. Essas gravações estão sendo distribuídas no Brasil, Europa, Japão e Estados Unidos.
Recebeu inúmeras distinções: 10 prêmios como pianista, 17 como compositor e mais de 50 distinções em reconhecimento ao seu trabalho artístico no Brasil, França, Alemanha, Inglaterra, Hungria e Japão.

Ocupou a Presidência da Sociedade Brasileira de Musicologia no triênio 1993/1995; em 1998 o compositor tomou posse da Presidência da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea, tendo terminado seu mandato em dezembro de 2001. Foi Presidente da Fundação Conservatório Dramático e Musical de São Paulo de 2001 a 2008.
É responsável desde 1989 (21 anos no ar) pelo programa de música sacra Laudate Dominum que vai ao ar todos os domingos na Cultura FM de São Paulo e também aos domingos na Rádio Sodré de Montevidéu (Uruguai).

Suas tournées de concertos incluíram, afora o Brasil, quase todos os países da Europa, América do Sul, Oriente Médio, China, Japão e Taiwan.
Em outubro/novembro de 2010 realizou sua nona tournée no Japão (incluindo desta vez também 4 concertos em Taiwan), chegando assim, somente no Japão, desde 1994, ao espantoso marco de 264 concertos em mais de 200 cidades.

No mês de julho de 2008, o pianista foi agraciado com o prêmio “2008 Golden Laurel Award”, outorgado pela “The Delian Society” pelo conjunto de sua obra. É a primeira vez que esta distinção é conferida a um compositor brasileiro. O prêmio é concedido uma vez ao ano a um único compositor vivo do mundo inteiro, entre os indicados por membros da sociedade e, a escolha final, ratificada por uma comissão internacional.
Em dezembro de 2010 foi apresentada, no Teatro do MASP (SP), a estréia mundial de sua “Cantata de Natal” opus 327 para solistas, coro a 4 vozes, dois pianos, saxofone, tímpano e percussão. Em abril de 2011, no Domingo de Páscoa aconteceu a estréia mundial de sua mais recente composição, a “Missa Paschalis” opus 328 para coro e orquestra, na Catedral da Sé de São Paulo.

Em junho 2011 aconteceu a estréia holandesa de seu Stabat Mater para solistas, coro e orquestra de cordas, já antes executado no Brasil e na Alemanha.
Amaral Vieira é um artista credenciado pela mais prestigiosa marca de pianos do mundo, Steinway and Sons.

Guia Erudito: Como andam os trabalhos de composição de Amaral Vieira? Teremos alguma estréia neste ano?
Amaral Vieira: O meu catálogo de composições contém mais de 500 obras nos mais variados gêneros musicais. É natural que um compositor ativo tenha os olhos voltados para o futuro e esteja sempre empenhado na criação de novas obras. No entanto, a produção já existente também requer de tempos em tempos um trabalho de ‘manutenção’. Tendo isso em mente, pretendo dedicar boa parte de 2012 à revisão e correção das minhas obras que já foram contratadas para publicação. Muitos dos meus manuscritos foram editorados digitalmente e aguardam (impacientemente) pelas devidas correções e eventuais modificações. Trata-se de um trabalho minucioso, pessoal e intransferível, que requer muito tempo e dedicação. Nesse sentido, tomei a decisão de fazer de 2012, no tocante à criação de novas obras, um ano sabático, no qual estarei inteiramente concentrado na preparação de mais de 20 títulos para o mercado editorial norte-americano e asiático.

G.E.: E as gravações? Alguma previsão de um novo CD?
A.V.: Novos CDs serão lançados no exterior. A gravação holandesa do meu Stabat Mater acaba de chegar ao mercado europeu, com excelente receptividade. Estou em tratativas com o selo Sunrise Corporation de Taiwan, um dos mais importantes da Ásia, para o lançamento, possivelmente ainda neste ano, de um CD duplo contendo o repertório que toquei dois anos atrás em várias cidades daquele país. Ainda dentro do conceito de ano sabático já mencionado na resposta anterior, pretendo digitalizar, em 2012, boa parte das gravações que fiz nas décadas de 1970~1980, com especial ênfase para o resgate das obras de Liszt. G.E.: No ano passado tivemos a estréia da Missa Paschalis e da Cantata de Natal no Brasil, que são composições que privilegiam o canto. Como foram compostas estas obras? Como foi a estréia delas aqui?

A.V.: Na realidade, a Cantata de Natal para solistas, coro e conjunto instrumental foi estreada no MASP em dezembro de 2010, poucas semanas após a volta da tournée que fiz no Japão e em Taiwan. Já a Missa Paschalis para coro e orquestra foi apresentada pela primeira vez na Catedral da Sé de São Paulo no Domingo de Páscoa de 2011. Essas duas obras deram continuidade à minha produção de obras sacras, gênero ao qual tenho me dedicado há quase 30 anos com grande afinco. Tanto a Cantata (que foi a segunda Cantata de Natal que compus) como também a Missa (a minha quarta Missa) foram obras encomendadas especialmente para as ocasiões em que foram apresentadas. Gosto muito de compor para datas específicas, como Natal e Páscoa, no caso em questão. As estréias das duas obras foram muito gratificantes e realizadas com grande profissionalismo. O coro convidado para as duas estréias foi o excelente Voz Ativa Madrigal, dirigido por Ricardo Barbosa na Cantata de Natal e por Naomi Munakata na Missa Paschalis. As interpretações foram primorosas e corresponderam às minhas expectativas.
G.E.: Também no último ano foi apresentado o seu Stabat Mater na Holanda. Você foi convidado para os ensaios finais e apresentações. Ficou contente com o resultado?

A.V.: Fiquei profundamente satisfeito com o resultado. O Coro da Cidade de Haarlem é um conjunto excepcional e um dos melhores de toda a Holanda. Dirigido pelo maestro e compositor Reyer Ploeg tem se dedicado especialmente à divulgação do repertório coral contemporâneo. Os concertos foram muito emocionantes e recebidos do modo mais caloroso possível pelas platéias, que lotaram todas as apresentações. Havia grande expectativa em relação à estréia holandesa de um Stabat Mater escrito por um compositor brasileiro. As partes vocais solistas foram interpretadas por cantores de quatro países diferentes (Espanha, Holanda, Bolívia e Islândia), o que concorreu ainda mais para o espírito cosmopolita das apresentações. Já mencionei que o CD com o meu Stabat Mater gravado pelo Coro de Haarlem chegou recentemente às lojas da Holanda e de vários países europeus. Ao lado do meu Stabat Mater, este CD contém ainda obras sacras de Morten Lauridsen e de Eric Whitacre, dois compositores contemporâneos de grande destaque internacional.
G.E.: Para a tournée de 2010 no Japão e Taiwan você compôs duas obras que foram grande sucesso de vendas: Aquarelas Japonesas e Aquarelas Taiwanesas. Conte-nos um pouco sobre estes trabalhos.

A.V.: Foi o modo que encontrei de homenagear esses dois países que tanto têm prestigiado o meu trabalho musical. Na realidade tanto as Aquarelas Japonesas como também as Aquarelas Taiwanesas utilizam melodias tradicionais muito conhecidas mundialmente. Dei a elas um tratamento pianístico bastante elaborado, para que pudessem ser apresentadas nas salas de concerto ao lado do repertório internacional erudito já consagrado. Juntamente com o CD, a partitura das Aquarelas Japonesas foi publicada pelos meus editores no Japão, Little Star Music Management. O CD taiwanês foi lançado durante a minha tournée pelo selo Sunrise Records. Para minha alegria, a acolhida que essas obras tiveram por parte das platéias do Japão e de Taiwan superaram as minhas melhores expectativas. É uma pena que esses CDs não tenham sido lançados também no Brasil.
G.E.: Este ano você completa 60 anos de idade. Que apresentações marcarão esta importante data?
A.V.: Uma bela celebração está sendo esta entrevista para o Guia Erudito! Sei que algumas homenagens estão sendo organizadas. Em Londres, haverá a estréia inglesa da minha Grande Sonata Sinfônica para piano a quatro mãos, na interpretação da pianista japonesa Kazuko Kobayashi e do pianista anglo-argentino Alberto Portugheis. Ambos já tocaram essa obra alguns anos atrás em estréia japonesa no Tokyo Bunka Kaikan, um dos principais teatros do Japão. Na Itália, o Duo di Firenze tocará em várias cidades o meu Concerto Scorpius para dois pianos, obra que tocou pela primeira vez nos Estados Unidos no Festival de San Francisco do ano passado. Um concerto em Nova York também está sendo organizado, mas não tenho ainda os detalhes. No Brasil, só estou sabendo de um concurso de piano em minha homenagem, promovido pelo Conservatório Villa-Lobos da Fundação Instituto Tecnológico de Osasco, por iniciativa da pianista Valdilice de Carvalho. Mas quero crer que os meus 60 anos serão lembrados pelas entidades e pelos músicos brasileiros. Devem estar preparando boas e agradáveis surpresas para mim. Mas ficarei sabendo somente na hora H!

Guia Erudito

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