quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Mozarteum terá apenas sete atrações no próximo ano


Altos preços, agendas feitas com antecedência, datas disponíveis nos teatros – não são poucos os “inimigos” das sociedades privadas que promovem concertos internacionais. Mas, em 2014, há um outro: a Copa. “Essas temporadas são feitas com dois, três anos de antecedência. E imagine que já lá atrás tivemos dificuldades para encontrar quartos de hotel em São Paulo para junho e julho”, conta Sabine Lovatelli, presidente do Mozarteum Brasileiro. “Então resolvemos não brigar com a Fifa (risos) e deixamos esses dois meses livres de concertos.”
Assim, a temporada 2014 do Mozarteum terá apenas sete concertos. Mas Lovatelli acredita que o número menor de apresentações não impediu que a programação mantenha o mesmo caráter de anos anteriores. “Há um pouco de tudo, grandes e pequenos conjuntos, com repertórios diferenciados, solistas e maestros de peso.”
O ano começa em maio com duas apresentações: primeiro, o violinista Daniel Hope e, em seguida, a Oslo Camerata. Em agosto, recital dedicado ao canto, com a soprano Natalie Dessay e o barítono Laurent Naouri acompanhados pelo piano de Maciej Pikulsi. A Philharmonia Orchestra, de Londres, volta ao Brasil em setembro após quinze anos – e agora será regida por Vladimir Ashkenazy e terá solos do pianista Nelson Freire.
Na sequência, apresenta-se a Sinfônica Bruno Walter, no início de outubro, que terá também concertos do violista Yuri Bashmet à frente dos Solistas de Moscou. Quem encerra o ano é a Sinfônica de Pequim, com o maestro Tan Lihua e um solista que ainda não foi definido.
 “Hope é um dos grandes nomes da atualidade em seu instrumento. Da mesma forma, ter a Philarmonia de volta por aqui já seria ótimo, ainda mais com Ashkenazy e Nelson Freire. Contemplar o canto de modo diferente, reunindo dois grandes solistas internacionais, também é algo que nos anima”, diz Sabine.
Ela ressalta também que, na hora de programar, uma preocupação é o caráter pedagógico. “A Oslo Camerata, por exemplo, já desenvolve um trabalho educacional em Niterói, e isso é algo que nos parece bastante interessante. O Mozarteum sempre teve essa preocupação, desde os anos 80, mas me parece que nos últimos tempos mais pessoas têm prestado atenção nisso.”
Segundo Sabine, mais de cem músicos brasileiros já estiveram na Europa com bolsas negociadas pelo Mozarteum – assim como parcerias permitiram a ida à Europa de grupos como a Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. “Nós não temos dinheiro, mas temos os contatos com orquestras e pessoas que ajudam a possibilitar esse intercâmbio.” Ela cita como exemplo o compositor paraibano Marcílio Onofre, que voltou este ano de uma temporada de estudos na Polônia com Kryzstof Penderecki.

Os artistas da temporada farão master classes – e é delas que sairão os principais destaques. “Os professores de fora nos ajudam nesse processo, apontando nomes com potencial e sugerindo locais onde eles poderiam estudar, professores ou instituições que poderiam recebê-los. Assim, não há favorecimentos.”
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