sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Procure consertar, vídeo mostra o outro lado de Gil, Roberto e Erasmo Carlos


Nossos sempre sorridentes ídolos de repente aparecem sorumbáticos, carrancudos, pesados. Sob um fundo azul-roberto-carlos, demonstram nitidamente estar lendo um teleprompter – é possível acompanhar os movimentos de olhos de Roberto Carlos, o segundo a aparecer, logo após Gilberto Gil, num vídeo soturno que procura consertar o estrago causado (por quem?) nas últimas semanas.

Discorrem sobre privacidade, intimidade. Erasmo Carlos, que até hoje não havia dado a cara a tapa no embate direto entre o Procure Saber e as famigeradas biografias, é convocado a afirmar que “decidir o que nos toca a cada qual intimamente” é “um ponto que não podemos delegar a ninguém”.

Gil, nestaa mesma terça-feira, 29 de outubro, havia surgido no jornal O Globo afirmando, equivocadamente, que nós, seus compatriotas e admiradores, resolvemos “nos livrar desses velhos de uma vez por todas” (de maneira alguma, querido Gilberto, você está enganado).  No vídeo do Procure Saber, ele tenta reparar o dano que seu próprio grupo causou, sem que ninguém houvesse pedido ou provocado. “Nunca quisemos exercer qualquer censura, ao contrário“, afirma, enrolando-se cada vez mais no próprio discurso contraditório.

Gil e Erasmo e Roberto se alternam em explicações tortuosas, que a cada momento ampliam nossos pontos de interrogação: do que é mesmo que esses caras estão com tanto medo, tanto pavor? É difícil, daqui de fora, perceber. Está bem difícil compreender em nome de que luta exatamente eles estão se expressando.

“Não negamos que esta vontade de evitar a exposição da intimidade, da nossa dor, ou da dor dos que nos são caros em dado momento, nos tenha levado a assumir posição mais radical“, afirma um Roberto inseguro, que tropeça nas palavras pelo meio da frase. Nossas dúvidas se ampliam e latejam como dores, elas também: quem devassou sua intimidade com tal grau de violência, Roberto? Do que é mesmo que Roberto Gilberto Carlos está falando, que daqui não nos é possível decifrar?

“Queremos e não abro mão do direito à privacidade e à intimidade, a nossa e a dos que podem sofrer por estarem ligados a nós”, ergue a voz o sempre gentil Erasmo. Quem, Erasmo, quem está fazendo pessoas ligadas a vocês sofrerem tanto assim? Daqui de fora não há óculos que nos façam enxergar.

“Queremos, sim, garantias contra os ataques, os excessos, as mentiras, os insultos, os aproveitadores”, Gil pega pesado. Por favor, Gil, não nos assuste, que ataques?, que mentiras?, que aproveitadores? Que acusações graves são essas que vocês se puseram a fazer repetidamente, sem dar nomes a agressores tão perigosos?

Nos perdoem, caros Procure Saber, mas o discurso de vocês resta assustador. Parece haver algo de muito grave que ao Brasil do lado de cá ainda não foi dado conhecer, é isso que nos querem fazer pensar? Ou terá sido um discurso profundamente autovitimizador, destinado a nos causar pena de quem mais amamos, e por isso mesmo incompatível com as trajetórias da maioria de vocês?

“Não somos censores”, RC pronuncia a frase que talvez jamais tenhamos esperado ouvir de sua boca (não mesmo, Roberto?). ”Não queremos calar ninguém. Mas queremos que nos ouçam”, finaliza Roberto Carlos, o “Rei”, o dono da última palavra, o homem mais ouvido do Brasil nos últimos 50 anos.

Temos escudado você, Roberto, e Gilberto, e Erasmo, e também os por ora desaparecidos do vídeo Caetano Veloso, Chico Buarque, Djavan e o misterioso Milton Nascimento, por décadas a fio. E vocês estão se queixando, de nós, que supostamente não quereríamos ouvi-los? Não seria mais ou menos o contrário?

Sabemos que não é esta a intenção de vocês, mas a inverdade “não queremos calar ninguém” e o pedido “queremos que nos ouçam” soam insultuosos – não temos feito outra coisa senão ouvi-los, estas décadas todas, a cada Natal, Ano Novo, carnaval, festa junina, outono, inverno, primavera e verão. Em casa, na rua, na chuva, na fazenda, na praia, numa casinha feliz de sapé.

Poderíamos talvez, inclusive, responder ao pedido de vocês com outro pedido: se querem tanto ser ouvidos, por favor, FALEM. Se possível, conversem. Conosco. Somos todos ouvidos, procuramos e queremos saber – e de vez em quando também gostamos de falar.

Postar um comentário