segunda-feira, 5 de setembro de 2011

RÁDIO MEC E RÁDIO NACIONAL – 75 ANOS DE HISTÓRIA

Do pioneirismo do início do século XX à contemporaneidade do século XXI

As Rádios MEC (AM 800 kHz e FM 98,9 MHz) e NACIONAL (AM 1.130 kHz), do Rio de Janeiro, que integram a Superintendência de Rádio da Empresa Brasil de Comunicação – EBC, comemoram em setembro 75 anos de história. Criadas em momentos distintos, percorreram caminhos similares em defesa da promoção da cultura, da educação e da cidadania.
São mais de sete décadas de testemunho da história do País, conforme atestam seus acervos sonoros. Por suas programações passaram importantes nomes que ajudaram a construir o país em todos os campos: política, ciência, economia, educação e cultura em seu sentido amplo.
Cada emissora, voltada a um segmento de público. A Rádio MEC mantém seu compromisso com a educação, a música clássica, o radioteatro e programas voltados para temas científicos. A Rádio Nacional, com outro perfil, construiu sua identidade com uma programação ancorada na música popular, radionovelas, narrações esportivas, programas humorísticos e noticiários.
Ambas as emissoras viveram o auge do rádio transmitido ao vivo, com programas de auditório abertos ao público, transmissões diretas de seus estúdios e dos espaços culturais do Rio de Janeiro, grupos musicais e orquestras próprias, elencos de radioteatro e professores de várias disciplinas nos programas educativos.
A RÁDIO MEC
Há 88 anos, o Brasil ganhava sua primeira emissora radiofônica. A Rádio Sociedade do Rio de Janeiro surgiu movida pelo sonho de cientistas da Academia Brasileira de Ciências, liderados por Edgar Roquette-Pinto e Henrique Morize. Com o lema “Pela cultura dos que vivem em nossa terra – pelo progresso do Brasil”, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro cumpriu importante papel como disseminadora de cultura e educação, em uma época em que as comunicações eletrônicas davam os primeiros passos. Treze anos depois de sua primeira transmissão, Roquette-Pinto e seus companheiros decidem doar a Rádio Sociedade ao Ministério da Educação e Saúde, como forma de preservar os compromissos que lhe deram origem: servir ao povo brasileiro e à educação. Assim, surge, em sete de setembro 1936, a Rádio Ministério da Educação, que vai se consolidar no decorrer dos tempos como a Rádio MEC.
Tendo em seu quadro profissional músicos, maestros e compositores como Villa-Lobos, Guerra-Peixe e Alceo Bocchino, atores como Paulo Autran e Fernanda Montenegro, escritores como Fernando Sabino, Cecilia Meireles e Paulo Mendes Campos, a Rádio MEC marcou presença no cenário radiofônico brasileiro com seus programas educativos, culturais e musicais, por muitas décadas. Na emissora surgiu a Orquestra Sinfônica Nacional, que nos anos 80 seria transferida para a UFF, além de várias outras formações musicais, constituindo-se um verdadeiro celeiro dos melhores músicos do país.
A RÁDIO NACIONAL
A Rádio Nacional do Rio de Janeiro, fundada em 12 de setembro de 1936, foi, durante os anos 1940 e 1950, o maior veículo de comunicação de massa do Brasil. Primeira emissora de alcance nacional, espelhou o país com seus noticiários, a emoção do esporte, a dramaturgia, a música e o humor de nossa gente. A Rádio Nacional consolidou-se como matriz do rádio popular, explorando sempre todas as possibilidades do rádio e se fazendo exuberante em sua diversidade de formatos e conteúdos.
Seus programas de auditório, de humor, musicais, radionovelas, narrações esportivas e noticiários, ecoavam por todo o país e faziam da emissora um verdadeiro manancial de músicos, maestros, intérpretes, da música e do teatro, humoristas, roteiristas, sonoplastas, locutores, repórteres e técnicos.
Passarela de artistas, o auditório da Rádio Nacional tornou-se uma espécie de teatro popular. E nesse teatro, a música gaúcha, a nordestina, chorinhos, emboladas, canções folclóricas, o repertório variado de cantores e cantoras de grande popularidade, além das inovações da música urbana que pavimentaram o caminho para o surgimento da bossa-nova e a moderna MPB. A Rádio Nacional também contribuiu para realçar a expressividade de nossa língua, a variedade de nossa cultura, o imaginário do nosso povo.
A ERA EBC
Com o surgimento da EBC – Empresa Brasil de Comunicação –, em outubro de 2007, a nova empresa passou a reunir na Superintendência de Rádio oito emissoras e uma radioagência. No Rio de Janeiro, as rádios MEC AM, MEC FM e Nacional; em Brasília, as rádios Nacional AM, Nacional FM e MEC AM; na Amazônia a Rádio Nacional da Amazônia OC e a Rádio Nacional do Alto Solimões, na cidade de Tabatinga-AM.
A Superintendência de Rádio traçou sua linha de ação através de um processo de discussão realizado em seminários estratégicos, audiências públicas e colóquios de parcerias com instituições da sociedade civil. Além de frequentes reuniões da equipe de gestão.
O consenso construído nesses eventos permitiu reconhecer a dimensão histórica de suas emissoras e, ao mesmo tempo, assumir o desafio de se estruturar cada uma delas. Claro, que sempre respeitando seu perfil e focando em aspectos como o alcance geográfico, posicionamento com base nas respectivas identidades das rádios, público atendido atualmente e novos públicos a serem alcançados.
AS EMISSORAS HOJE
Com o objetivo de se buscar maior abrangência e qualidade de som para as emissoras, foram adquiridos novos transmissores para as rádios MEC e Nacional do Rio de Janeiro. Um transmissor de 35 Kws para a Rádio MEC FM, já instalado, e transmissores de 100 Kws paras as rádios MEC AM e Nacional, estes em fase de instalação.
A partir de considerações sobre o perfil de cada emissora, a equipe de gestão trabalhou nos últimos quatro anos para garantir melhorias na qualidade da programação, agregando novas produções, renovando a linguagem de programas históricos, ajustando as grades de acordo com o perfil de cada emissora, abrindo espaço para a produção independente e a coprodução com parceiros.
Com o objetivo de resgatar parte das matrizes do rádio brasileiro, foi fortalecido o Núcleo de Jornalismo, e foram criados três novos Núcleos de Produção, o de Esportes, o de Radiodramaturgia e o de Programas Infanto-Juvenis. Com essas medidas devolveu-se às emissoras de rádios da EBC a condição de espaços de criação, considerando-se critérios como legitimidade cultural, qualidade artística e os princípios que regem a comunicação pública.
Na Rádio Nacional, novos programas musicais como Época de Ouro (choro), O Amigo da Madrugada (samba), Funk Nacional (funk), Garimpo (MPB), Revista Riso e Charges Sonoras (humor), Puxa o Fole (forró), vieram se somar a outros tantos já consagrados, garantindo a diversidade de gêneros da nossa música. Na MEC AM, o Estação Brincadeira veio consolidar a faixa infantil das manhãs de sábado, enquanto o Zoasom veio atender aos jovens nas tardes de quinta, além de outros programas musicais como Maestros da MPB, com foco na obra de maestros e arranjadores de nossa música popular, Vozes Brasileiras (conjuntos vocais), e O Som das Bandas, com bandas de música de todo o Estado. Já na MEC FM, as novas produções como Violões em Foco, que reúne virtuoses do instrumento, Som de Letra, que revela a ligação entre música e literatura, Blim-blem-blom (música clássica para crianças) e Kinoscope (música no cinema) vieram agregar valor à já consagrada grade voltada para a música de concerto.
Esta é a nova realidade dessas emissoras, que completam em setembro 75 anos de existência, cumprindo seu papel como emissoras públicas, apostando na informação de qualidade, na divulgação da nossa diversidade cultural e na construção da cidadania.
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