quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cultura Artística comemora centenário em 2012 com grande temporada

Aniversário terá apresentação de solistas como Lang Lang e Renée Fleming, livro e documentário
Os pianistas Lang Lang e Evgueni Kissin, a soprano Renée Fleming e o Ensemble Intercontenporain de Pierre Boulez são algumas das atrações que a Sociedade de Cultura Artística trará ao Brasil no próximo ano, quando completa seu centenário. Serão, ao todo, 20 concertos, realizados na Sala São Paulo, enquanto o novo teatro não fica pronto, o que deve acontecer apenas em 2014.
A programação vinha sendo trabalhada há alguns anos - e é uma das melhores das últimas temporadas. A ênfase é no piano - em recitais solos e com orquestra - e nas vozes, com duas das mais destacadas intérpretes da atualidade: além de Fleming, a meio-soprano americana Joyce Di Donato fará dois recitais. "O piano é o instrumento de eleição do público brasileiro, e isso não é de hoje, faz parte da história de nossa música - e da própria Cultura Artística", diz Peret.
A programação será aberta no fim de abril com a Orquestra Nacional da Rússia, regida por José Serebrier, e o pianista Nelson Freire como solista. No programa, Mozart, Glazunov, Rachmaninoff e Dvorak. Em seguida, em maio, apresenta-se a Orchestre National du Capitole de Toulouse, um dos principais conjuntos franceses, com o maestro Tugan Sokhiev, russo que está entre os mais badalados maestros da nova geração - eles vão interpretar um programa francês (Debussy, Ravel e Berlioz) e outro russo (Mussorgsky e Prokofiev).
O primeiro recital solo será o do chinês Lang Lang, no fim de maio, com peças de Bach, Schubert e Chopin. O russo Evgueni Kissin, em seguida, toca Schubert, Beethoven, Brahms, Chopin. "O ano começa com o Nelson, depois teremos Lang Lang e Kissin. São artistas tão diferentes, acho justamente isso muito estimulante, poder ver de perto abordagens distintas", diz Peret.
Em julho, o Ensemble Intercontemporain, símbolo de excelência da dedicação à música contemporânea, volta ao Brasil depois de quase duas décadas. Seu criador, o maestro Pierre Boulez, não acompanha o grupo que, no entanto, traz a atriz Fanny Ardant para participar do espetáculo Cassandre, de Michael Jarrell. Na sequência, duas sinfônicas - a Orchestra della Svizzera Italiana (obras de Honneger, Chopin e Schubert, regência de Alexander Vedernikov e solos de Dang Thai Son) e a Orchestra del Maggio Musicale Fiorentino (obras de Bruckner, Verdi, Ravel e Beethoven e regência de Zubin Mehta).
Três recitais encerram o ano. Joyce Di Donato canta Haendel, Mozart, Rossini e Reynaldo Hahn com o pianista David Zobel; a violoncelista Sol Gabetta toca Schumann, Beethoven e Shostakovich com a pianista Mihaela Ursuleasa; e a soprano Renée Fleming interpreta canções e árias de Brad Mehldau, Strauss, Korngold, Puccini e Leoncavallo (o pianista ainda não está definido).
Destruído por um incêndio em 2008, o Teatro Cultura Artística não ficará pronto para o ano do centenário. A primeira fase das obras, a restauração do painel de Di Cavalcanti, acaba de ser terminada e logo ele estará aberto para visitação. "Em 2012, começaremos a construir a nova estrutura do teatro, que está orçada em R$ 30 milhões. Já temos o dinheiro, em caixa ou prometido, e dependemos apenas da ajuda do poder público para acelerar alguns processos, uma vez que o projeto é tombado pelo patrimônio histórico", explica Peret.
A memória da Sociedade de Cultura Artística também será tema de um livro e de um documentário, que deverá ser feito pela TV Cultura. "E vamos continuar com a série de concertos didáticos no interior de São Paulo, em parceria com a Fundação Desenvolvimento da Educação, e com a programação de música de câmara no Itaim."
Para Peret, a trajetória da Cultura Artística se mistura à história da vida cultural da cidade e do País. "Não há comparação. O mercado mudou muito nos últimos 30 anos. A Sociedade de Cultura Artística se profissionalizou nesse período, já goza de uma representatividade diferente lá fora e depende cada vez menos de agentes e terceiros. Por outro lado, projetos como a Osesp ajudaram a consolidar a vida musical de São Paulo e, com isso, a competição aumentou, levando a um desafio de superação que é fundamental. A grande questão, porém, continua ser atrair um público cada vez maior em um país no qual a educação continua a ser um problema delicado. Alguns de nossos projetos surgiram com esse objetivo, mas ainda há muito o que fazer."
Postar um comentário