terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Orquestra Sinfônica de São Paulo encerra temporada no Gonzaga


O hino do Santos Futebol Clube, vice-campeão do mundo, encerrou com muita emoção – e orgulho, por que não? – mais um concerto tecnicamente perfeito da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) em Santos. A apresentação, que começou ao pôr do sol, levou mais de 10 mil pessoas à praia do Gonzaga na noite deste domingo. O concerto também marcou o encerramento das atividades do projeto Tocando Santos neste ano e homenageou o compositor santista Gilberto Mendes e o aniversário de 20 anos da TV Tribuna.
Sempre performático e extremamente carismático, o regente Yan Pascal Tortelier brincou com o público, pulou, quase dançou e parecia muito à vontade no palco montado à beira-mar.
Quase como uma homenagem ao maestro, que fazia sua despedida como principal condutor da Osesp, o programa da noite foi integralmente dedicado a compositores franceses ou canções que referenciam de alguma forma a França.
De Georges Bizet, a abertura foi quente, com trechos da ópera Carmen, que conta a história da cigana que usa a dança e o canto para enfeitiçar os homens. A história se passa em Sevilha, na Espanha, e é inspirada no conto de mesmo nome escrito por Prosper Mérimée em 1845.
O movimento O Cisne, da suite O Carnaval dos Animais, foi a segunda peça da noite. Composto por Camille Saint-Saëns, é o único trecho, entre os 14 que compõem a obra, que foi lançado ainda em vida, em 1886. É uma fantasia que esconde muita crítica social à sociedade da época. Nele, o violoncelo toca sobre a harmonia dos pianos.
A música seguinte foi Meditação, de Jules Massenet, uma parte da polêmica ópera Thais, escrita em 1894. A história se passa no Egito durante o império bizantino. Um monge tenta convencer Thais, uma cortesã devota da deusa do amor, Vênus, ao cristianismo, mas descobre que seu interesse nela é bastante carnal.
Jacques Offenbach, alemão, foi o único estrangeiro da noite e, ainda assim, era alguém com profunda ligação com o país onde morou por toda a vida a partir dos 12 anos. Suas Gaité Parisiénne e Barcarolle foram as canções mais recentes executadas pela Osesp. Compostas em 1938, fazem parte de um balé escrito pelo músico.
A delicada Clair de Lune, do francês Claude Debussy, foi a penúltima música do concerto. Parte da Suite Bergamasca, que demorou 15 anos para ser completada por seu criador, a música foi inspirada pelos poemas de Paul Verlaine.
E a mais popular de todas as músicas eruditas encerrou o concerto da Osesp: Bolero, de Maurice Ravel, obra de um único e conhecidíssimo movimento que o francês escreveu como parte de um balé em 1928. Os 14 minutos e 10 segundos de ritmo invariável da música, mutáveis apenas pelo crescendo progressivo, encerraram bem a impecável apresentação, seguida apenas da homenagem ao Santos Futebol Clube.
Gustavo Klein
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