terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Professores são vítimas de violência diariamente

O temor de agressões ainda mais graves pelos alunos impede que os casos sejam denunciados Karla Torralba/Colaboração
Um profissional nervoso, dentro do plantão policial, elaborando um boletim de ocorrência após um dia inteiro de trabalho. Foi assim que o BOM DIA encontrou Elaine Bittencourt, uma professora de escola estadual de Bauru.
Elaine foi ameaçada por um aluno do ensino médio. Ela não pensou duas vezes: foi procurar seus diretos. “Decidi fazer o boletim de ocorrência e procurei o sindicato”, revelou a professora.
A atitude de Elaine é considerada corajosa por vários profissionais da área de educação e diretores de sindicatos de Bauru. A maioria dos profissionais não denuncia.
 “Há professores que acabam se exonerando, dependendo do local que dão aula, pois têm medo de denunciar”, explicou a diretora estadual da Apeoesp (Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Suzy da Silva.
Pela falta de denúncias, o sindicato não consegue reunir números para que seja feita uma estatística sobre violência moral e física a professores.
 “O número de afastados por problemas psicológicos é grande. O que mais tem são profissionais afastados por problemas de voz e problemas psicológicos. Não temos números no sindicato, mas posso falar que chega a nós um caso por dia”, ressalta Suzy.
Como diretora da Apeoesp e também professora da rede estadual de ensino, Susy fica sabendo de diversas ocorrências.
 “Teve professor que foi ameaçado por aluno no meio do pátio, professor capacitado que não quer mais dar aula porque foi agredido”, relata.
UNIÃO/ A secretária municipal de Educação, Vera Casério,  também professora universitária, destaca a importância da união escola e família. “É necessário o trabalho com a família. A escola tem de ser atrativa e agir com os familiares.”
Vera admite que há violência. “Nós não temos casos registrados na secretaria municipal, mas vemos casos e sabemos que são verdadeiros.”
O presidente do SinPro (Sindicato dos Professores de Bauru), Sebastião Clementino da Silva, acredita que as agressões (sejam elas físicas ou verbais) ocorrem pelo excesso de liberdade da própria família. “Em particulares, já teve caso de xingamento com palavrões. Falta de respeito leva os professores ao estresse e à depressão”, opina o presidente do órgão, que atende profissionais de escolas particulares de Bauru e região.
Estrutura familiar e condições da escola propagam  violência
A diretora estadual da Apeoesp, Suzy da Silva, pontua alguns fatores que levam ao aumento da violência física e moral contra o professor.
 “Vários fatores contribuem para o aumento da violência nas escolas: a falta da família, crianças que ficam nas ruas, o despreparo das escolas... Há salas com um número muito maior de alunos que o suportável”, ressalta Suzy.
Outros fatores são o uso de drogas, principalmente por alunos do ensino médio, e o descumprimento dos deveres dos alunos.
 “O Estatuto da Criança e do Adolescente tem vários direitos, mas também tem deveres, que não são levados em conta”, comentou Suzy.
Para minimizar os efeitos dos fatores citados acima, as autoridades que cuidam dos professores fazem algumas orientações.
A Secretaria Municipal de Educação e os sindicatos de professores da rede estadual e da rede particular de ensino orientam sempre os profissionais do ensino a  denunciar – aos referidos órgãos e à polícia.
 “É preciso fazer o boletim de ocorrência para o professor se resguardar. É importante que todas as providências sejam tomadas e a Secretaria [de Educação] está sempre aberta a eles”, avisa a secretária Vera Casério.
Suzy também destaca que a Apeoesp está preparada a receber os profissionais que precisem de ajuda em uma situação de violência em sala de aula, mesmo sem ter ocorrido qualquer tipo de agressão física.  “Essa denúncia também é importante por conta das estatísticas”, afirmou Suzy.
O Sindicato dos Professores do ensino particular também incentivam a denúncia.
As reclamações feitas pelos professores, no entanto, não terminam apenas como estatísticas. Elas também são investigadas pela polícia, quando o profissional faz o boletim de ocorrência relatando o que aconteceu.
Após fazer o boletim de ocorrência, os casos seguem para a Delegacia da Infância e da Juventude e o aluno e seus pais são chamados.  O aluno menor de idade pode ser responsabilizado e o Ministério Público pode pedir a internação do menor em caso de reincidência.
4.300 é o número de professores da rede estadual de Bauru e região
1.184 é o número de professores ativos de escolas municipais de Bauru
22, solicitaram afastamento por episódios depressivos na rede municipal

8, solicitaram afastamento por transtorno afetivo bipolar na rede municipal

8, solicitaram afastamento por outros transtornos ansiosos na rede municipal

7, solicitaram afastamento por transtornos depressivos recorrente
na rede municipal
4, solicitaram afastamento por reação ao estresse grave na rede municipal
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