quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Chiquinha Gonzaga foi a 1ª mulher a reger uma orquestra no Brasil



Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, entra para o RankBrasil pelo recorde de primeira mulher a reger uma orquestra no país.
Ousada, ela quebrou tabus no século 19, sacundindo o Rio de Janeiro com suas músicas e seu talento. Em 1885 dirigiu os músicos do Teatro Imperial (mais tarde São José) e a banda da Polícia Militar.
Com uma obra contendo mais de duas mil composições, entre valsas, tangos, maxixes, serenatas e músicas sacras, Chiquinha é considerada uma das maiores compositoras e instrumentistas da música brasileira. Ela desafiou e transgrediu muitos costumes machistas da época em que viveu, deixando sua marca.
Além de ser a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil, ela compôs a primeira marcha carnavalesca do país: ‘Ó Abre Alas’, música de sucesso criada em 1899, enquanto a recordista ouvia o ensaio do Cordão Rosa de Ouro, no Andaraí, um dos bairros mais antigos do Rio de Janeiro.
Personalidade forte
Chiquinha nasceu no Rio de Janeiro, em 17 de outubro de 1847 e era filha do rico militar José Basileu Neves Gonzaga e da mulata Rosa Maria de Lima Gonzaga. Em uma época em que a mulher era fadada a se casar, ter filhos e devotar sua vida à família, ela conseguiu fazer seus estudos de música.
A artista se casou aos 13 anos com o oficial da marinha mercante Jacinto Ribeiro do Amaral, que nunca aceitou que a esposa fosse a rodas boêmias, tornando seu casamento – imposto pelo pai – cheio de brigas e muito rápido.
Aos 18 anos, deixou o marido e saiu de casa, um escândalo para a época. Desfeito o casamento, apaixonou-se por um engenheiro de estradas de ferro e os dois passaram a viver juntos. O amor também durou pouco e eles se separaram, obrigando Chiquinha a começar a trabalhar, vivendo pobremente.
Carreira
Sozinha, precisou dar aulas de piano para sustentar os filhos. Em um dos encontros com os músicos boêmios do Rio, em 1877, compôs, de improviso, a música ‘Atraente’, seu primeiro grande sucesso. No ano de 1883, escreveu e musicou a peça em um ato ‘Festa de São João’.
Dois anos mais tarde, musicou a opereta de costumes ‘A Corte na Roça’, com poesia de Francisco Sodré. Foi com esta opereta que ela conseguiu se impor na música nacional. Em 1887, fez no Teatro São Pedro, no Rio, um concerto com 100 violões.
Além do Brasil, fez sucesso em Portugal. Apesar de sua habilidade na música, Chiquinha enfrentou todos os tipos de preconceito, devido à sua luta pela liberdade. Ela faleceu em 28 de fevereiro de 1935, aos 87 anos, mas seu trabalho está eternizado na história da música brasileira.
Luta pela liberdade
Chiquinha Gonzaga participou ativamente do movimento pela libertação dos escravos. Ela vendia de porta em porta suas partituras (composições), a fim de angariar fundos destinados à Confederação Libertadora, uma organização antiescravista.
Com o dinheiro que conseguiu vender a partitura da música ‘Caramuru’, ela comprou, em 1888, a alforria do escravo músico José Flauta, antecipando-se poucos meses à Lei Áurea. A artista ainda atuou na campanha pela proclamação da República.
Na TV e no cinema
A artista já foi retratada como personagem no cinema e na televisão. Na minissérie ‘Chiquinha Gonzaga’, de 1999, exibida pela TV Globo, foi interpretada por Regina Duarte e Gabriela Duarte. No cinema, por Bete Mendes, no filme ‘Brasília 18%’, de 2006. Também foi fonte de inspiração para o filme ‘O Xangô’, baseado no livro homônimo de Jô Soares.
Homenagem
Pela importância de Chiquinha Gonzaga para o Brasil, em maio de 2012 foi sancionada a Lei número 12.624, que instituiu o Dia Nacional da Música Popular Brasileira, a ser comemorado em 17 de outubro, data de aniversário de nascimento da artista.
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