sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Hora de mudar e renovar.



A área cultural do Rio de Janeiro, particularmente no que diz respeito á música, à ópera, ao balé e ao Theatro Municipal, tem vivido nos últimos dias momentos agitados e de muita tensão. E não é para menos.

O final do ano se aproxima e até agora o Theatro Municipal não anunciou nenhuma programação, ideia, projeto ou esboço de plano para 2013. O TMRJ está absolutamente paralisado pela falta de iniciativa de seus gestores.  A agenda para o próximo ano está lamentavelmente em branco.

O assunto vem ocupando amplo espaço em blogs e nas redes sociais, e já chegou à grande imprensa, em duas matérias publicadas no último domingo, dia 18, pelo jornal “O Globo”. Nas matérias, a presidente do TMRJ, a diretora e produtora de cinema Carla Camurati, foi ouvida e teve espaço para dar suas explicações. Não convenceu. Ao contrário, produziu nova onda de protestos e acentuou as campanhas que o meio musical e o público do Rio já vinham fazendo.

O mesmo “O Globo” repercutiu o assunto, desta vez na “Coluna do Ancelmo”, assinada por um dos mais respeitados jornalistas brasileiros, o colunista Ancelmo Góis. Ancelmo, que nunca sofreu do fígado e sempre privilegia o bom humor em seus textos, abordou em pequena nota as dificuldades que o TMRJ vem enfrentando para montar a opereta “A Viúva Alegre”, de Franz Lehar, numa adaptação da produção de Jorge Takla encenada em outubro pelo Palácio das Artes, de Belo Horizonte. É que faltavam figurinos para vestir o Coro! Parece piada, mas é verdade.  Por essa razão prosaica o conjunto foi reduzido, deixando constrangidos o diretor de cena, Lício Bruno, e o maestro do Coro, Maurílio da Costa.

E quem apareceu no espaço de Ancelmo para dar explicações "artísticas" sobre oimbroglio? A própria Secretária do Estado de Cultura, Adriana Rattes! Intencionalmente ou por descuido, a Secretária interrompeu seu expediente e passou por cima dos responsáveis diretos pela remontagem carioca da opereta. Adriana Rattes, que sequer acompanha de perto os ensaios, atropelou o diretor cênico, o barítono Lício Bruno, que é um profissional sério, e também a direção artística do teatro e até a própria presidente –as únicas pessoas qualificadas para tratar do assunto.

Até um observador pouco atento vai reparar que na área da cultura os gestores estaduais estão “batento cabeça” e metendo os pés pelas mãos.
Não se sabe até quando o governador Sérgio Cabral vai ter paciência para continuar tolerando tanta trapalhada e ineficiência justo num setor que lhe é tão caro e onde seu nome tem grande tradição e respeito –um legado de seu pai, o jornalista, escritor e pesquisador Sérgio Cabral.  

O Governador não deve estar sendo corretamente informado sobre o que se passa na área cultural de seu governo, e sobretudo no principal teatro da capital e do Estado.Não fosse assim já teria tomado providências.
A presidente do Theatro Municipal e seu diretor artístico perderam há muito tempo o apoio dos funcionários da casa e agem sem nenhuma autoridade ou coordenação. A impressão corrente no meio musical carioca é que perderam a capacidade de administrar o TMRJ.

Daqui deste modesto posto de observação só se pode vislumbrar uma solução: promover profundas mudanças na gestão cultural que está sob a responsabilidade do Governo Estadual. E a expectativa é que isso aconteça até o início do próximo ano. Deixar para mais adiante, postergar, será pura perda de tempo e só fará aumentar o desgaste do Governo na área, que já é grande.
Tudo tem prazo de validade. Até as nossas vidas, que não passam de “sopros”, como ensina o mestre Oscar Nyemeyer.

O prazo de validade dos administradores do Theatro Municipal venceu faz tempo! Estão cansados e com pouca autoridade sobre a instituição. O Governador do Estado e seus assessores diretos já devem ter reparado nisso. Como já devem ter notado a disponibilidade de outros profissionais reconhecidamente bem sucedidos na administração de políticas e projetos culturais, particularmente no campo da música, da ópera e do balé.

Não há nada de pessoal nesta opinião. O Opera Sempre não tem compromissos políticos, e muito menos compromissos com este ou aquele nome. Mas é a realidade! Dela não há como escapar nem por artes da engenharia política. 

Chegou a hora de renovar e mudar radicalmente os rumos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. E mudar e renovar é sempre bom. 

Henrique Marques Porto
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